Mês: março 2018

Todo mundo me viu pelada na frente do bloco de carnaval

Escrevi três crônicas sobre o carnaval em Belo Horizonte deste ano. Esta aqui é a terceira delas, O Corpo, escrita depois de alguns dias fazendo e refazendo esse texto.

Falo da função árdua e recompensadora de participar da corda do bloco, manejar a massa pra lá e pra cá rua abaixo. Também falei da segurança que construímos para nos desnudarmos no meio da rua, uma luta silenciosa cujos resultados se vêem na quantidade de mamilos à mostra nos blocos. E preparem-se: ano que vem seremos muitas mais!

“Eu vou pra rua por mim. Não tiro a roupa para me sentir sexy, desejada. Não faço dieta nem academia pra sair mais “gostosa” no carnaval. Não quero atrair olhares, tenho dificuldade em receber atenção — e é por isso que eu uso cílios postiços bem grandes, meu par de máscaras. Me desnudo porque quero libertar meu corpo totalmente pelo menos esses cinco dias do ano. Dançar até me acabar, coberta de brilho e suor, sem medo.”

Pelo direito de morar, viver e brincar – antes, durante e depois do carnaval

Escrevi três crônicas sobre o carnaval em Belo Horizonte deste ano. Esta aqui é a segunda delas, A Luta, escrita pouco depois de voltar do bloco Filhos de Tchá Tchá.

Cheguei cedo na Ocupação Maria Carolina de Jesus, na Rio Grande do Norte com Afonso Pena, para pegar o ônibus organizado pelo bloco até o Vale das Ocupações do Barreiro, orla em disputa em Belo Horizonte. Saímos da Ocupação Eliana Silva e passamos pela Irmã Dorothy e Camilo Torres até a Paulo Freire. Depois de 10h pacíficas de bloco, já na festa final com funk rolando solto, a PM decidiu que queria participar com seus tiros de borracha, bombás de gás e cacetetes pra cima das pessoas. Saí minutos antes que esse inferno cotidiano da favela acontecesse. Os PMs esperaram que a maioria dos brancos fossem embora pra ostentar o seu poder que só alimenta mais violência.

O dia que o carnaval atravessou a montanha

Escrevi três crônicas sobre o carnaval em Belo Horizonte deste ano. Esta aqui é a primeira delas, A Cidade, escrita após a inesquecível experiência de atravessar com toda a massa carnavalesca do bloco Tico Tico Serra Copo o túnel da Cristiano Machado, que é parte importante da minha vida.

“Abre, cidade, não luta contra a nossa alegria, venha participar dela, exorcisar a tristeza com música, o desânimo com dança e superar o apego multiplicando amor. Muito amor pelos que lutaram pra que a gente passasse nesse território dos carros, pelos companheiros de front-folia que tocaram, dançaram, cantaram, ajudaram o bloco a andar, fizeram chuva, proveram água, cachaça de jambú, catuaba e o que mais tinham. Trocamos o que tínhamos.”

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