Há uma epidemia de violência contra a mulher – e aí?

Ou será que a violência apenas começou a ser noticiada?

 

Nas manifestações que envolvem todo o país, é lamentável a quantidade de cartazes machistas que pipocam pela internet e pelas ruas. Criaram até um tumblr pra eles.

 

tumblr_movtgptj4f1swupk8o1_1280

É chocante ver tantos cartazes errados nas manifestações que nós entendemos como “corretas”, ou pelo menos com reivindicações interessantes?

 

É. Mas eles estão nas ruas sem vergonha nenhuma exatamente porque essas pessoas que os empunham não enxergam que estão erradas. Que não acham que existe nada errado em objetificar uma mulher, em diminuí-la, em considerá-la incapaz para certas coisas, em tratá-la como propriedade de alguém (ou de algo, como esse Estatuto do Nasciturno, que transforma o útero da mulher em um local praticamente público, uma propriedade do Estado sujeito a investigação como uma cena de crime. Nem vou falar nisso, fica pra outro dia, pra outras pessoas).

 

Se a violência acontece todos os dias, por que ela não haveria de acontecer também nas manifestações?

 

 

Este belo e terrível infográfico da OMS (em inglês) resume as pesquisas que a organização fez em diversos países. Além disso, uma pesquisa recente revela dados de homicídio doméstico que apontam para a seguinte conclusão: a violência contra a mulher é uma epidemia.

 

Quem é mulher sabe:

– Não pode andar em qualquer rua

– Não pode usar qualquer roupa

– Não pode falar o que quiser

– Não pode olhar nos olhos de todo mundo

– Não pode ser simpática com qualquer um

– Não pode se manifestar, não pode ocupar a rua pelos seus direitos, não pode discutir com policiais, não pode. Não pode. Não. Pode.

 

Por que a gente aceita essas regras? Por medo. Medo de ser mal interpretada, medo de “provocar”, medo de encontrar alguém mal intencionado na esquina seguinte, medo.

E o medo é real: uma em cada três mulheres de 15 a 49 anos sofrerá, em algum momento da vida, violência física ou sexual cometida por um parceiro íntimo. Estes dados são MUNDIAIS, não estou falando de algum povoado remoto nos rincões esquecidos da África.

 

E estamos falando apenas de PARCEIROS, a estatística nem inclui os caras aleatórios que andam pelas ruas procurando menininhas para estuprar.

 

Ou que te veem passar pela rua e se sentem no direito de dizer “ssssss ê gostosa”.

 

Por que sim, cantada na rua é violência sim.

 

Não estou falando de uma situação em um bar, de paquera, em que várias pessoas (de todos os gêneros) tentam conhecer outras e, eventualmente, trepar. Estou falando das cantadas que acontecem em situações completamente assépticas, das cantadas que te fazem ter medo de sair de casa, de passar por algumas ruas, de situações que te põem em risco.

 

Imagine (quem é mulher não precisa imaginar, apenas relembre) a seguinte situação:

 

Você saiu de casa e no caminho do ponto de ônibus passou por um ponto de taxi, vários homens parados ali conversando. Você passa, eles te chamam, sussurram alguma cantada ou apenas uma onomatopeia, você finge que não ouviu e continua andando.

Quantos de nós nos sentimos à vontade com isso? Quantos de nós voltaríamos a passar pelo mesmo ponto de taxi sem respirar fundo e se preparar para o que virá? E ainda vêm me dizer que não é uma violência?

Quando eu estava viajando vivi diversas situações de violência por eu ser mulher.

Algumas comuns às situações pelas quais passamos no Brasil, como cantadas na rua. Essas eu nem ligava, já acostumada a lidar com elas.

Algumas situações misóginas que vivi pelo mundo:

  • Em muitos lugares na Índia os homens (principalmente os mais velhos) não falavam comigo. Quando eu fazia uma pergunta, eles respondiam para o Fernando, meu amigo que era meu “marido” durante a viagem pelo país.
  • Quando os homens falavam comigo, muitas vezes eles queriam me passar uma cantada, tocar em mim (lá homens não podem tocar nas mulheres e vice-versa), tirar uma foto comigo, me perguntar o tamanho do meu sutiã. Sim, um cara em Nova Delhi me perguntou o tamanho do meu sutiã. Esse tipo de assédio faz com que eu me tornasse uma mulher muito mais antipática, porque afinal dar bom dia, sorrir ou agradecer um serviço prestado significavam um convite sexual. Poucos (e honrosos) casos foram exceção na Índia.
  • Outra situação chata: ter que fingir ter um marido, afinal mulher não viaja sozinha, mulher não sai de casa sozinha, mulher precisa de um homem – ou ela é puta. Também tive que fingir ter marido na Jordânia, para tentar me livrar de alguns caras insistentes que queriam transar comigo.
  • Também na Jordânia um segurança de um hotel em Petra (um hotel grande, de uma rede internacional cara) estava puxando uma conversa amena sobre viagem, o que achei das ruínas, etc, até que ele perguntou “Já esteve com um árabe? Eu sou bom, tenho 26 centímetros”. Claro que a conversa acabou ali.

2012-05-29-17-19-56

“Lívia, que roupa coberta é essa em pleno calor do deserto?” – Dica: não é pra me proteger do sol.

 

  • Na Turquia a cantada era mais como no Brasil. Uns psius quando passava na rua, um vendedor atrevido dizendo que eu podia levar a fantasia de odalisca de graça se vestisse ela e dançasse pra ele primeiro.
  • Na Tailândia, Laos e Camboja, surpreendentemente, não sofri NENHUMA violência por ser mulher. A explicação que eu ouvi é que os homens acham as mulheres do ocidente grandes demais (claro, em comparação com as miudinhas tailandesas…) e por isso nos deixam em paz. As mulheres lá sofrem abusos, sim e, é claro, são muito reprimidas. Mas as estrangeiras passam por esses países ilesas. No Laos, por exemplo, todas as mulheres que estão fora de casa à noite são prostitutas. Todas. Garçonetes de bares inclusive. Mulheres que não são dessa vida não podem sair de casa depois do por do sol. Dados de uma pesquisadora sobre violência sexual que conheci em um hostel em Savannakhet, uma cidade de médio porte no Laos.
  • Porém faço uma ressalva de que na Birmânia não são tantas rosas assim. Um menino de 16 anos em um templo em Bagan me perguntou se eu queria transar com ele em um dos templos abandonados. E um outro que devia ter uns 19 anos, que estava sentado ao meu lado em um ônibus noturno, ficou roçando sua mão na minha perna até que eu desse um tapa na mão dele e colocasse meu saco de dormir entre nós. E eu dormi depois disso? Não, né. Ainda bem que os ônibus ficam com as tvs ligadas no karaokê birmanês a noite toda.
  • Na Tunísia, quase nenhum problema. Minhas amigas que me hospedaram são de uma família liberal e a gente até saía de shortinho pra rua (ainda bem, que calorrrrr). Mas quando fui às termas de Korbous, um lugar de turismo praticamente exclusivo de tunisianos, rolou um receio. Nadar ou não nadar de biquini? Havia apenas homens na água. E umas poucas mulheres cobertas sentadas nas pedras. Nos decidimos por ir de biquini, Maha (minha amiga tunisiana) e eu. Foi tudo bem, mas um cara ficava falando coisas obcenas à distância para nós enquanto nadávamos. E depois que nos trocamos, ele ainda se sentiu no direito de ir falar com a gente, que a gente era linda, sei lá, ele falou em árabe. Aí mandei ele tomar no cu, mostrei o gesto universal do dedo do meio, e ele ficou puto e saiu xingando a gente de prostituta. Af. Por pouco a Tunísia se safa deste post.
  • Na Europa, como é de se esperar, o assédio foi bem mais leve. As mulheres são mais livres para andar de short e até (que liberdade!!) fazer topless na praia para se bronzear sem marquinhas – sem ohs e ahs envolvidos.

 

Mas o documentário “Femme de la Rue”, de Sofie Peeters, mostra que nem Bruxelas está livre do assédio.

 

Se nem uma capital europeia onde as mulheres vão nadar nos lagos fazendo nudismo está livre do machismo, você realmente achava que as manifestações aqui no Brasil estariam livres dele?

 

Meu apelo é o seguinte: não se deixe intimidar.

A gente pode protestar sim. Por qualquer causa que quiser.

A rua é nossa sim. Para ocupar, para passear, para usar.

Nós podemos viajar, sim, para qualquer lugar que quisermos (inclusive, se você pensa em viajar para o Irã, aproveita que nós brasileiros temos visto on arrival).

Nós podemos tudo. Tudo o que quisermos. Ocupar o cargo que quisermos. Não aceite homem (ou mulher) te dizendo que este ou aquele lugar não é para você. Decida você mesma onde, como e com quem quer ir para onde for que seja.

Está insegura? Você tem razão, nosso medo é real. Mas não se deixe intimidar.

Vá. Vá com mais amigas se está insegura. Mas vá.

Ocupem todos os espaços. Sejam felizes, sejam livres, sejam vocês mesmas.

Quanto mais mulheres exercendo seus direitos, mais mulheres irão fazer o mesmo.

Eu faço a minha parte, e você?

img_20120611_072957

Mais sobre feminismo neste post de 2011.

Como fazer iogurte grego em casa

Voltei a escrever sobre comida no blog porque tava sentindo falta de publicar sobre outros assuntos… Não quer ler sobre comida e o que mais eu tiver a fim de postar? Acesse a categoria VIAGEM e divirta-se. Ainda tenho muito o que dizer sobre a volta ao mundo e outras trips 🙂

942097_10151667364444185_1282736731_n

O iogurte grego é aquela variante de iogurte mais firme, cremoso, quase um queijo do amor <3

Juro, é super fácil, mas demora um tempo…

Ele começou a ser vendido por marcas brasileiras recentemente e virou uma febre. Mas eu queria dizer uma coisa pra vocês, queridos leitores: o iogurte grego vendido nos supermercados é muito ruim! Ele é mais gorduroso e é cheio de espessantes para fazê-lo ficar com aquela consistência.

O iogurte grego que vou ensinar pra vocês é totalmente natural, tem pouquíssima acidez e é mais light que o iogurte normal, porque a maior parte da gordura vai embora junto com o soro!

Coloque essa música pra tocar e faça o seu próprio iogurte grego enquanto dança pela cozinha!

A minha mãe viu uma receita de iogurte grego na televisão há uns meses e a repetiu. A receita era complicada, cheia de leite em pó, creme de leite e sei lá o quê. Boa chef que é, ela reduziu a receita ao essencial e chegou à fórmula mágica que eu ensinarei pra vocês:

Iogurte grego

1 litro de leite rende 350 ml de iogurte grego

Você vai precisar de:

1 litro de leite

1 copinho de iogurte natural (pode ser aquele comprado no supermercado mesmo. O ideal é que ele seja o MAIS natural possível. Fique de olho nos rótulos para ver a marca que tem menos espessantes, colorantes, saborizantes, conservantes, etc)1 bolsa térmica, ou 1 caixa de isopor ou 1 iogurteira toptherm – na falta, arranje uns panos de prato e um lugar quentinho da casa

1 pote com tampa que feche bem e caiba dentro da sua bolsa térmica (ou substitutivos acima)

1 coador de café de poliéster (o importante é que seja uma peneira MUITOOOO fina. O coador de poliéster é bom porque é bastante fino e fácil de lavar depois)

1 caneca para esquentar o leite

1 fogão, fogareiro ou ebulidor (para esquentar o leite)

1 geladeira (para conservar o iogurte)

Como fazer:

Aqueça o leite até 40 graus. Se você não tem um termômetro – eu não tenho – faça o teste do toque: lave bem as mãos e coloque um dedo dentro da caneca de leite enquanto ele aquece e conte os segundos. Você tem que conseguir manter o dedo lá dentro até dar 10 segundos. Se você tirar o dedo antes, é porque está quente demais. Se quando chegar nos 10 segundos ainda tiver sussa, é porque precisa esquentar mais um pouco.

Quando der 40 graus, desligue o fogo, acrescente o copinho de iogurte, misture bem e coloque no seu recipiente com tampa.

Armazene a mistura por no mínimo 3 horas na bolsa térmica/isopor/iogurteira/panos em um cantinho quente da casa. A minha dica é fazer esse processo de noite e ir dormir. De manhã você terá um delicioso iogurte!

Já se passaram as 3 horas? Pronto, você tem um iogurte natural delicioso, pode armazenar na geladeira e comer com granola e geleia ou fazer molhos indianos pra salada.

Ainda quer comer do iogurte grego? OPA!

O iogurte grego é esse iogurte normal, só que sem todo o soro. É um iogurte.. digamos… “seco”. Para obtê-lo, você deve escorrer todo o soro.

Coloque o iogurte no coador de café, encaixe o coador na caneca que você usou para ferver o leite (ou outro recipiente que seja fundo o suficiente para que o coador fique equilibrado nas bordas sem tocar o fundo), tampe – eu usei um pratinho mesmo – e leve tudo à geladeira.

Você provavelmente terá que retirar tudo da geladeira e mexer depois de algumas horas. Nesses momentos, jogue o soro fora ou use-o em outra receita, como por exemplo como substitutivo do leite em bolos, nhammmmm. Aí, misture o iogurte dentro do coador para que a área do meio (ainda com soro) possa secar assim como a área das bordinhas (provavelmente já bem seca). Deixe escorrer  até que todo o soro tenha saído quase completamente. Eu demorei um dia e meio fazendo isso, comecei de noite no domingo, mexi duas vezes na segunda e hoje (terça) de manhã eu dei o processo por encerrado.

Sim, eu falei que demorava.

Quando você achar que o seu iogurte está grego o suficiente, pode retira-lo do coador, colocar em um vidro/pote com tampa e comer!

καλή όρεξη! Bom apetite!

original

Fiz alguns vídeos mostrando o passo a passo do processo:

Passo 1: https://vine.co/v/blt0nvhVQ3U

Passo 2: https://vine.co/v/blEA9IbPYiH

Passo 3: https://vine.co/v/blEbrJUu0Qa

TA-DAAAAAAAAAAAAA!

Passeio pelas ruínas de Cartago

Se os fenícios tivessem ganhado essas guerras lá uns séculos antes do nascimento de Jesus, poderíamos ter sido invadidos por portugueses que falassem uma variante do árabe e não do latim.

 

Há muito tempo atrás, muito muito tempo mesmo, o controle do mar Mediterrâneo era disputado entre os Fenícios e os Romanos. Os Fenícios eram um povo originário do Norte da África e seus domínios se estendiam da Espanha até a Líbia, incluindo as ilhas da Sardenha, Córsega e um pedaço da Sicília.

 

Três guerras depois, entre os anos de 264 a 146 a.C., os romanos destruíram o mais importante entreposto púnico, Cartago, a ponto de deixar os arqueólogos sem muitas pistas de como seria a cidade fenícia naquela época. Cartago era um grande centro comercial, uma parada quase obrigatória a todos os navios que estivessem em trânsito pelo Mediterrâneo.

 

2012-09-18-13-38-38

 

Imagine os mercados de Cartago à beira-mar, exalando cheiros da Ásia, Europa e África, línguas das mais variadas, cores, pessoas, histórias.

 

O fim das guerras púnicas com a vitória de Roma foi decisiva para que a civilização crescesse e afirmasse seu poder sobre toda a Europa, parte do Oriente Médio e da costa africana. Ninguém mais segurava essa civilização em ascenção!

 

2012-09-18-13-36-06

Se esse pezão é de um soldado romano médio, os fenícios não tinham chances de ganhar de jeito nenhum mesmo…

 

Cartago hoje é um sítio arqueológico dentro da Região Metropolitana de Tunis. Sobre as ruínas da cidade fenícia foi construída outra Cartago – desta sim dá pra ver as ruínas de mármore e imaginar-se no meio do povo.

Ao lado dos morros onde se situava Cartago, uma mesquita gigante, enorme mesmo, no meio de um descampado onde não há mais nada: ela foi construída pelo ditador Zine el Abidine (deposto em 2011 durante a Primavera Árabe) exclusivamente para que ele pudesse rezar sozinho.

 

Mas enfim, voltemos à Cartago antiga, essa que há dois milênios floresceu, cresceu e por fim acabou esquecida. Se você estiver na Tunísia e curtir história, as ruínas de Cartago são praticamente visita obrigatória. O sítio arqueológico é grande, mas uma manhã bem aproveitada é suficiente para ver os lugares principais, o museu onde estão as estátuas e mosaicos que não foram roubados por outros países e ainda voltar para as ruínas para se imaginar na cidade antiga, no alto de um morro aos pés do mar mediterrâneo lindíssimo, as grossas paredes muradas e o movimento das pessoas.

 

2012-09-18-13-33-29

Com algum esforço a mais, dá até para imaginar Hanibal, o principal general da cidade, observando tudo do alto de seu palácio antes de ele perder a segunda guerra púnica. Ok, viajei 😛

 

Minha sugestão para um passeio por Cartago é pegar o trem TGM Carthage–Hannibal, que para perto das ruínas mais legais: o Teatro Romano, os banhos de Antonine, que são as maiores casas de banho fora de Roma, e o que restou de melhor preservado das construções púnicas. Chegue até o museu e tente “recolocar” as estátuas e mosaicos de volta em seus lugares de origem (templos, casas, lojas) com a sua imaginação.

 

2012-09-18-13-44-05

Mosaico que antes ficava no chão de uma casa romana.

 

Recomendo fazer esse passeio bem cedo de manhã, para evitar o sol forte do meio dia, e depois iria a Sidi Bousaid, que fica bem perto de Cartago, para almoçar comidinhas de rua e flanar até o belíssimo por do sol da região 🙂

 

Reserve sua hospedagem em Tunis

Dar Traki Medina – bed & breakfast dentro da Medina de Tunis

Hotel Carlton – hotel no centro de Tunis

Dar Ya – opção barata no centro de Tunis, pertinho da Medina!

 

Perca-se e exponha sua figura na Medina de Tunis

Conversando com a mãe da Maha, que me hospedou o tempo todo que estive na Tunísia, descobri que a novela O Clone chegou lá e fez muito sucesso! Ninguém lembrava da parte do clone da novela da Glória Perez, mas todo mundo acompanhou os dramas de Jade (como a novela se chamou na TV por lá) e seus amigos na ponte Marrocos – Brasil. Insha’Allah! E quem é que não lembra da expressão “expondo a figura na Medina”?

 

O centro velho de Túnis se divide em dois: o centro velhão mesmo, organizado em forma circular com um muro grande cercando tudo e que é a chamada Medina de Tunis (como em muitas cidades de origem árabe) e a parte exterior à Medina, que foi contruída pelos colonizadores franceses que botaram os pés nessa terra em 1881. Claro que a parte da Medina é muito mais legal.

 

Fui lá expor minha figura várias vezes, um lugar que me dava prazer em voltar para observar a arquitetura dos Beis (os reis árabes tunisianos) e imaginar as caravanas chegando com tapetes, perfumes e notícias do outro lado do mundo.

 

img_20120918_112227

Apenas uma das muitas portas maravilhosas de mansões da medina.

 

As casas da Medina de Tunis quase não têm janelas para fora, mas são bastante abertas por dentro, com vários pátios – vantagens de um lugar que não precisa se proteger da chuva e desvantagens das mulheres que não podiam sair de dentro de casa. Dentro de cada casona dessas, além dos salões para as visitas menos íntimas até os setores das mulheres e da família próxima, também há locais designados para a oração, cozinhas bastante grandes e muitos espaços para apenas tomar a fresca.

 

A Medina de Tunis é organizada de forma radial, com uma mesquita no centro e diversos setores que vendem joias, tecidos, sapatos, comida, (na época de sua construção, também se vendiam escravos ali), além das residências, cada setor bem organizado e dividido.

 

Hoje em dia esses setores estão meio desorganizados devido ao crescimento e modernização da cidade, mas ainda é bem visível a diferença entre as áreas onde fica a venda dos produtos traidicionais tunisianos (para turistas) e os produtos chineses baratinhos (comprados pelos tunisianos mesmo) e a área residencial maravilhosa com mansões, cafés e pequenos museus.

 

img_20120929_2040041

 

É preciso saber barganhar para conseguir o que se quer na medina!

 

Quanto mais você se parecer com um estrangeiro, mais difícil vai ser para abaixar o preço. Eu comprei sapatos 100% de couro com brilhos e pontinhas puxadinhas pra cima por 15 euros e fiquei feliz com o preço 🙂

 

img_20120926_195751

 

A parte francesa é bem familiar para nós, mas tem aquele toque decadente do abandono dos donos, do governo e a deterioração pelo tempo e pelas revoltas populares. Vale a pena caminhar pela rua principal que sai da porta da medina e ver o contraste do aperto da parte árabe com a largura da avenida francesa onde estão os prédios governamentais.

 

Sorvetes preparados à tradição italiana são vendidos em vários cafés, uma boa pedida para o verão e para o flaneur que existe dentro de você.

 

Se quiser tomar algo mais local, tente uma passadinha no El Ali, dentro da Medina. Uma casa bem grande e intrincada no endereço “45 bis Rue Jemâa Zitouna” na medina (siga a rua de entrada dos turistas na medina e pergunte, a entrada do El Ali é uma escadinha nessa mesma rua).

 

Esta foto é de divulgação do lugar (e é assim mesmo na vida real!):

 

396126_314299808612211_581808776_n

O lugar é imenso e cheio de cantinhos, difícil de explicar… Veja mais fotos aqui.

Reserve sua hospedagem em Tunis

Dar Traki Medina – bed & breakfast dentro da Medina de Tunis

Hotel Carlton – hotel no centro de Tunis, pertinho da Medina.

Dar Ya – opção barata no centro de Tunis, pertinho da Medina!

 

Tunis, capital da Tunísia, em momentos cotidianos

Fui à Tunísia a convite da Maha, uma amiga tunisiana que conheci na Índia.

 

Desci de Civicaveccia, na Itália, até Tunis, capital da Tunísia, de barco (veja post) e me hospedei na casa dos Chairi, onde vivem os avós no andar de baixo e a família nuclear da Maha no andar de cima.

 

Maha e Yosra, sua irmã, tomaram como missão me levar por todos os lugares de Tunis e região, o pai, ativista político pró-democracia na Tunísia, me explicou diversas questões do país e a mãe, ainda que não fale inglês, português ou espanhol (na Tunísia fala-se árabe e francês), sempre cozinhava comidas maravilhosas para mim e me tratava com muito carinho. Me senti mais do que em casa <3

 

img_20120928_140012

 

A Tunísia foi o primeiro país do que mais tarde foi chamado de Primavera Árabe. Em 2010, eles conseguiram colocar para correr o ditador que dominava o país há 23 anos e começaram um processo de redemocratização que, infelizmente, ainda não está completo.

 

Mas comparando com outros países da Primavera Árabe, como Egito, Líbia e a calejada Síria, a Tunísia está até bem, com muita gente de olho na política do país e conseguindo conter os avanços dos islamistas e conseguindo manter o estado laico (por enquanto…).

 

img_20130408_132054

Maha, Yosra e Taoufik Chairi 🙂

 

A família da Maha é formada por aquele tipo de muçulmanos relaxados e racionais como tantos católicos no Brasil que são a favor da camisinha e da diversidade sexual e também é muito engajada politicamente. O pai dela é jornalista de formação, ainda que hoje tenha um escola de gastronomia (double score pra mim!). Minhas amigas participaram ativamente dos protestos no centro de Tunis que culminaram na fuga do ditador Ben Ali para a Arábia Saudita. E eles também são negros. No magreb, a “áfrica branca”, ser negro é ser alvo de diversas formas de racismo (que não é ilegal no país). Foi muito interessante estar lá na Tunísia nesse momento, com ótimos guias para me explicar o que estava acontecendo.

 

Quando estive na Tunísia houveram diversos protestos contra os EUA por causa de um vídeo no youtube que zoava do profeta Maomé. Relembre aqui (em inglês). O vídeo é esse aqui (não vou postar, mas quem quiser ver tem o caminho).

 

Não tive nenhum problema real nem fui envolvida em qualquer tipo de conflito violento, mas os vestígios dos protestos podiam ser notados na presença de policiais por todo lado perto da hora da oração de meio dia de sexta-feira (um momento importante para os muçulmanos e muito utilizado pelos islamistas para protestar e reagir violentamente) e pelos carros queimados encontrados aqui e ali:

 

img_20120920_184222

 

Fora esses sinais de violência, minha estadia na Tunísia foi só alegria. Tunis, a capital, é na verdade diversas cidades conurbadas, cada uma com suas comidas típicas, hábitos, estilo arquitetônico e população diferentes.

 

Como fui levada muitas vezes de carro de um lado para o outro, as maiores lembranças que carrego comigo são de longas rodovias e viadutos conectando mundos diferentes, das ruínas pré-românicas de Cartago à praia onde ficam os judeus, em La Goulette.

 

img_20120919_173626

 

Essa fruta que nasce dos cactus parece inofensiva, bonita, apetitosa, mas CUIDADO!

Sua casca causa irritação forte na pele!

 

Mas ainda sim é deliciosa. Para provar a hendi, proteja-se da casca maligna usando um saco plástico na mão para retirá-la – ou, se você é desses, compre-a já descascada. Sem emoção, rs.

 

img_20120921_112620

 

Ojja – um prato típico tunisiano feito com ovos, merguez (salsicha feita de cordeiro ou carne de vaca), tomates, cebolas e MUITA pimenta – como todas as comidas da Tunísia.

 

Uma delícia (se você consegue lidar com a picância!) que é comida com pão usando as mãos. Se parece muito com o Melemen, meu prato turco favorito, mas tem mais caldinho, rs.

 

Maha e Yosra me apresentaram três amigos seus e fomos à casa de um deles preparar esse prato, jogar conversa fora, fumar narguilê e dançar Rihana. Juventude típica 🙂

img_20120916_164315

Panela gigante de fazer cuscuz

 

Também guardo no coração o carinho que recebi da família Chairi e seus amigos, o gostinho aconchegante do cuscuz de domingo (que poderia ser o equivalente ao estrogonofe de sábado da minha família), as risadas infinitas, os problemas compartilhados quase idênticos, os mesmos anseios, ainda que tenhamos crescido em mundos tão diferentes.

 

Um sonho: hospedar a Maha na minha casa e poder dar a ela o mesmo carinho que recebi!

 

Reserve sua hospedagem em Tunis

Dar Traki Medina – bed & breakfast dentro da Medina de Tunis

Hotel Carlton – hotel no centro de Tunis

Dar Ya – opção barata no centro de Tunis, pertinho da Medina!

 

Travessia de ferry da Itália para Tunísia (duas noites no Mediterrâneo

Uma amiga muito querida que conheci na Índia me convidou pra ir visita-la e a sua família em seu país natal: a Tunísia.

 

Como recusar casa, comida e amor grátis assim, além de ir conhecer um país completamente diferente do que eu já tinha visto antes? I said yes, yes, yes.

 

Para chegar até Tunis, a capital da Tunísia, resolvi esquecer que existe avião e ir por terra. Ou melhor: por mar.

 

Peguei em Civitaveccia (a cidade-porto de Roma) um ferry com a empresa italiana Grandi Navi Veloci, uma das duas que fazem o trajeto (a outra é a Grimaldi, os preços variam pouco). Uma travessia de ferry da Itália para Tunísia que demorou 27 horas.

 

Comprei uma passagem com acomodação em um quarto feminino com 4 camas. Havia um banheiro, onde tomei um banho quente gostoso, mas a falta de janelas era claustrofóbica. Levei comida, mas no restaurante do navio parecia haver opções decentes (porém caras). Minha passagem custou 250 euros, mas por 50 você vai da Sicília até Tunis no convés – bem mais em conta e nem precisa de cama, já que é uma viagem que dura menos de 12 horas.

 

Foram 27 horas de ferry da Itália para Tunísia, chegando no porto de Tunis, 12 delas parada em Palermo, capital da Sicília. Erro: não sabia que ia ficar tanto tempo parada lá, ou teria saído do navio para comer uns canolli. Nhammmm!

 

O navio sai às 6 da tarde, passamos a noite no mediterrâneo, paramos de manhã em Palermo, saímos de novo à tarde e chegamos a Tunis à noite.

 

Foi, no geral, uma viagem tranquila.

 

Na primeira parte dela havia muitos turistas italianos indo passar uns dias na Sicília. Grupos de talianos que tocavam música alta, bebiam bastante, e homens cantavam as meninas.

 

Na segunda parte da viagem, o navio se encheu de famílias muçulmanas com seus tapetes espalhados pelo chão, que ouviam música alta, comiam bastante e homens que cantavam as meninas.

 

Nada muito diferente, como se vê, mas o clima era de segurança, não me senti constrangida pelas cantadas nem dos italianos nem dos tunisianos.

 

Aliás, um caso de viagem: um cara italiano da tripulação do ferry veio com uma conversinha fiada pra cima de mim. Não falava nem inglês, nem espanhol nem português (e eu não falo italiano), mas conseguimos ter uma conversa de dez minutos. Ele me deixou muito confusa: era belo, porém fazia as sobrancelhas como uma drag queen. Como lidar? Pois é, deixei as estrelas do convés e fui dormir antes que o marinheiro-drag-gato tentasse alguma coisa.

 

578437_10151206543204185_915552274_n

 

As estrelas vistas do meio do Mar Mediterrâneo! Ah, as estrelas..! Havia um ponto de luz forte que não souberam me dizer o que era. Estávamos muito longe da terra para ser a Europa ou a África. Concluí que era a Lua, ainda escondida no horizonte.

Outro ponto alto foi ler Moby Dick durante o trajeto. Achei um cantinho sossegado, silencioso e com pouco vento no convés e mergulhei na leitura sobre o capitão Ahab e sua obsessão.

 

Acho que poderia ter feito amigos no navio, mas escolhi me isolar. Haviam sido tantos dias de sociabilidade na Itália que eu me dei umas férias de simpatia. Isso faz sentido? Rs.

 

Assim que cheguei na Tunísia, simpatia foi uma presença CONSTANTE! Aguardem os próximos posts 🙂

 

Fotolog sobre Veneza

Não fiquei tempo suficiente em Veneza para dar nenhuma dica local ou especial sobre a cidade. Mas deixo aqui a minha impressão mais sincera:

Veneza não é real. Tanto nas áreas mais turísticas quanto nas áreas mais afastadas da zoeira da Praça de San Marco e da ponte do Rialto, a cada passo que eu dava, imaginava que alguém de Hollywood ia aparecer gritando “corta!” e o cenário todo desmontaria.

É bonito demais! Mas é aquele bonito meio sodomizado pelas inúmeras exposições em filmes e pela horda de turistas. A cidade mesmo onde os venezianos normais como eu e você moram é Mestre, na terra firme.

Fiquei duas noites na casa do Dario, o dono de uma sorveteria em Mestre que me hospedou via couchsurfing. Ele me levou pros bares de mestre, onde tomei o tradicional Spritz (a bebida de Veneza, feita com vinho branco, água e aperol – mais doce – ou campari – mais… campari..). Além de ter sido grátis e ter conseguido várias inside informations da vida real de Veneza, ainda tive o prazer de aprender como se faz sorvete italiano de uma fonte confiabilíssima!

2012-09-08-22-59-23

Outra companhia que me levou a lugares interessantes de Veneza foi o Leo, meu amigo de BH que hoje vive em Milão. O Leo é economista e me fez um tour econômico – abaixo, o primeiro banco moderno do mundo, o Banco Rosso!

2012-09-08-11-24-03

Dicas práticas para visitar Veneza:

. Vá com sapatos confortáveis – não existe outro jeito de conhecer a cidade. Não tem carros, os barcos não vão a todos os lugares e as bicicletas são inúteis (e proibidas) em uma cidade com tantas escadas

. Acorde cedo – é o único jeito de ver menos turistas no caminho

. Não tenha medo de andar nas ruelazinhas e perder-se – é ainda mais fácil se perder em Veneza que em qualquer outro lugar que foi (hmmm talvez a medina de Tunis esteja em um apertado segundo lugar), mas é assim que se encontram as surpresas

. Abuse do sorvete – a qualidade não é tão incrível quanto em áreas menos turísticas, mas gente, é sorvete italiano, pare de reclamar e me vê um de stracciatella.

. Tire fotos, mas largue a câmera para VER – em um lugar onde toda esquina é um flash, aproveite para usar os outros sentidos também e fazer uma viagem mais única

. Vá a uma das outras ilhas – fui a Murano, a terra dos cristais famosos, mas não comprei nada. Foi ótimo sair da área turisticona e aproveitar um spritz na beira do canal com boa companhia. Tem gente que vai pra praia em Lido também, veja qual é mais a sua pegada.

Pular de trem em trem pela Europa – comprar ou não o Eurail Ticket?

Calma, vou primeiro explicar o que é o Eurail Ticket.

Eurail é um passe de trens que permite pular de um trem para outro na Europa mediante o pagamento de uma taxa fixa.

24 países fazem parte dessa aliança e existem passes que englobam todos eles (o global pass), um conjunto deles ou apenas um. Também é possível escolher quantos dias de viagem você usará o passe, se 10 dias em 2 meses, 15 dias em dois meses ou todos os dias por 15, 21, 30, 60 ou 90 dias. E veja bem: um dia de viagem não significa uma viagem de trem – nesse dia, você pode pegar quantos trens quiser. Um trem noturno que começa depois das 7 da noite já conta como o dia seguinte.

A principal vantagem do passe é não se preocupar em comprar passes de trem e, em teoria, apenas pegar qualquer um na estação que esteja indo para o destino desejado. Na minha imaginação, era uma coisa meio diva, sem filas, sem preocupações, sem dramas.

mapa

Todas essas linhas estarão ao seu alcance.

Mas a verdade é que cada companhia de trens age de um jeito – e aí tem que ver se o passe vale mesmo a pena.

Será? 

A resposta a essa pergunta são duas outras perguntas: Quais países você quer visitar? e Você quer/pode planejar com antecedência o seu itinerário?

As passagens de trem na Europa hoje funcionam como as passagens de avião. Existem diversas promoções e quanto maior a antecedência da compra da passagem, mais baratas elas são. Muitos países também têm diversas empresas rodando por seus trilhos, algumas mais baratas (e toscas), como a rede pública italiana, outras de alta-velocidade e wifi frequentadas por executivos com dinheiro. Se compradas com antecedência, as passagens podem sair muito mais baratas que um dia de Eurail Ticket.

Alguns países (como a Alemanha e a Holanda) abraçaram de cabeça o Eurail e é realmente possível pegar quase qualquer trem que estiver na plataforma. Já na França, por exemplo, é preciso reservar um assento (e pagar uma taxa) em quase todos os trens que você for pegar com o passe. E na Itália as passagens são tão baratas que muitas vezes nem vale a pena usar o Eurail. Ou seja, nem sempre ter o passe é uma vantagem.

Para ir de Paris a Milão direto, por exemplo, o suplemento do trem era 50 euros, sendo que a passagem avulsa era 40 e poucos! (acabei indo de Paris a Munique e de lá a Bergamo, muito mais em conta apesar do tempo a mais de viagem).

Eu, no fim, comprei um Eurail Ticket.

Os motivos:

– Não queria engessar minha viagem pela Europa e ainda nem tinha todos os destinos planejados quando comprei o passe;

– Na Noruega, onde pegaria 3 trens, as passagens são mais caras de 44 euros mesmo tendo que pagar uma taxa a mais por trem noturno (mas tinha wifi, cobertor e máscara de dormir inclusos – amor s2);

– Eu pegaria vários trens que não necessitariam taxas a mais (ou que teriam taxas muito baixas).

A minha viagem iria durar um pouco menos de dois meses, saindo do norte da Noruega no dia  07 de agosto e chegando em Paris no dia 3 de outubro (comprei um trem rápido Eurostar de Paris a Londres pro dia 4 de outubro, então tinha que chegar!) e queria viajar à Suécia, Alemanha, Holanda e França no mínimo. Também havia a possibilidade de ir à Itália, cruzar o Mediterrâneo até a Tunísia e voltar (e foi o que decidi no fim das contas).

Para chegar à conclusão se valia ou não a pena comprar o passe, fiz um plano mais ou menos de quais trechos de trem eu iria pegar, simulei os valores das passagens se compradas com dois dias de antecedência (já que não queria comprar tudo antes, imaginei que esse seria o máximo de adiantamento que eu teria) e calculei quanto eu gastaria caso comprasse os bilhetes separados ou o Eurail Ticket.

Para ver os horários e preços, o site http://reiseauskunft.bahn.de (também disponível em inglês e espanhol) mostra a maioria das opções disponíveis e também os preços tanto das passagens quanto dos suplementes em caso de eurail/interrail tickets. Para ver só o valor da reserva, marque “seat only” no quesito “reservation” do site.

Explicando: o interrail é mais barato que eu Eurail e abrange mais países, mas só funciona se você tiver residência europeia.

Meu “planejamento”:

photogrid_1359313413922

Sim, confusão.

Depois de muito fazer contas e planos, cheguei à conclusão de que o melhor para mim seria comprar um passe para jovens (na borda dos meus 25 anos, ufa!) de 10 viagens em 2 meses. Com esse passe, cada dia de viagem utilizado custou €43,50 e é claro que foi possível comprar passagens de trens normais nos dias que não valerem a pena utilizar o passe (trechos na Itália).

20130127_164244

Este é o meu passe, já todo marcadinho 🙂 No fim nem usei todos os 10 dias 

Descobri quase todas as informações que precisava para entender o Eurail no site do guru dos trens: Seat 61 (em inglês).

Reiseauskunft também tem um app pra celular (iphone, android e windows phone) sensacional que salva a vida na hora de saber os horários dos próximos trens e se é necessário reservar um assento ou não. Ele inclusive sugere rotas mais baratas/mais rápidas para o mesmo destino.

Mas Lívia, e as promoções incríveis da Ryanair? Meus motivos para viajar de trem na Europa estão aqui.

La Tour (ela mesma)

2012-08-30-18-57-17 2012-08-30-21-35-37

Podem falar o que quiser. O fato é que a Torre Eiffel é fotogênica pra caralho.

Segui as dicas da TT e comprei o ingresso antecipado para entrar na fila mais rápida e comprei pro meu horário preferido do dia: o pôr do sol.

Recomendo a todos: você consegue ver a Torre de dia e de noite (o Campo de Marte, onde ela fica, é longinho da maioria das coisas, então a Torre precisa de um momento só pra ela) e ainda está lá em cima quando as luzes se acendem. Achei esse momento mágico.

Não tem muito o que dizer… fui à pé do centro ali onde fica o Louvre (caminhadinha longa, mas você vê a Torre aumentando à distância e a caminhada é pelo Sena), comprei o ingresso mais barato, até a metade da subida. Subi de elevador e desci de escadas (nem é tanto assim). Valeu MUITO a pena, mas duvido que suba de novo a Torre se passar de novo por Paris. É o tipo da coisa que está feita.

Ah, mesmo se estiver calor no dia, leve um agasalho: faz um frio da porra lá em cima e piora depois que o sol se põe!

Fiquem agora com um fotolog:

2012-08-30-21-12-29

Essa hora que as luzes da cidade estão acesas, mas o céu ainda está iluminado é uma das minhas favoritas do dia. Do alto da Torre, então…

2012-08-30-21-06-53

De repente, PLIM

2012-08-30-21-35-37

A minha cara de “mãe, tô aqui mesmo!”

2012-08-30-21-38-08

Não precisa de foco, né?

Selerepe pelo jardim de Versailles

Cometi um erro IMPERDOÁVEL ao ir visitar Versailles: usei um sapato novo. Pela primeira vez.

Meu pé era uma polpa de carne ao final do passeio, porque todas as distâncias são enoooooooormes. Fico pensando como se locomoviam o rei, a rainha e seus súditos, com aqueles sapatinhos de pano frágeis. Cheguei à conclusão que era tudo feito de carruagem mesmo, não tem como eles andarem tanto com aquelas perucas.

Fora esse problema sério, a visita foi ótima.

Para chegar até o palácio é preciso tomar um trem de Paris, a linha RER C, que custa €3,40 cada perna. De lá, apenas uns quarteirões o separam da morada célebre de Maria Antonieta.

Como não lembrar o tempo todo do filme de Sofia Coppola, gravado ali mesmo?

Entrei já pedindo cupcakes (mas não ganhei nenhum, risos).

2012-09-02-13-47-34

O Palácio hoje funciona como museu. É uma visita com muitas estátuas, pinturas, móveis da época e um audio-guia muito bom faz parte do valor do ingresso. Na época que estava visitando (até setembro de 2012), a artista portuguesa Joana Vasconcelos estava expondo suas obras imensas dentro do palácio, em diálogo com a decoração e arquitetura dele. Bonito!

Atrás do palácio estão os famosos jardins de Versailles.

2012-09-02-16-48-16

Honestamente, esperava mais jardim nos jardins. É que eles são compostos por ruas largas de cascalho que ligam uma zona a outra do espaço. Ok, há muitas plantas, mas pouca sombra. É mais um descanso para os olhos que uma experiência bucólica.

Ainda sim, vale a pena caminhar por ele do palácio até a lagoa no fim do jardim e fazer ali um piquenique. Leve pães, queijos, vinhos e o que mais lhe apetecer.

Dali, é possível visitar outros dois palácios menores, um deles construído para Maria Antonieta por “ler” à vontade. Como disse uma vez minha professora de história do 2° ano, Maria Antonieta era muito ~culta~ e gostava muito de ~ler~.

2012-09-02-15-59-54

Não a culpo, tem mesmo que aproveitar a ~literatura~.

A volta pra casa se faz pelo mesmo caminho que se veio. Caminhando com os sapatos que matavam meus pés. Aiuiaiui, foi pra eu deixar de ser besta.