Descubra os sabores da Amazônia no Mercado Ver-O-Peso, em Belém do Pará

É no Mercado Ver-O-Peso, considerado a maior feira livre da América Latina, que deságua a maioria dos produtos amazônicos, de onde partem para o resto do mundo.

 

Belém é uma cidade mágica, efervecente, hospitaleira, quente, úmida, inebriante. E o Mercado Ver-O-Peso é a porta de entrada para começar a experimentar esse mundo novo amazônico com o passo firme.

 

Ele está situado às margens da Baía do Guajará, na borda entre o Centro Histórico de Belém e a Estação das Docas (área de docas recém reformada que abriga restaurantes, a cervejaria Amazon Beer, a sorveteria Cairu – delícia delícia delícia – mais próxima e espaço de exposições e apresentações culturais). Tem 35 mil km² de extensão e movimento 24h, por setores.

 

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As primeiras horas do dia são, o açaí, ouro negro amazônico. A Feira do Açaí começa à 1h da manhã e se estende até o raiar do sol.

 

O açaí é bastante perecível depois de colhido, por isso deve ser vendido e processado logo – as frutas vão para uma batedeira especial que separa a polpa da semente. Aí é só misturar com água (o grosso é com pouca água, o fino é com muita água, pra tomar de canudinho) e servir – ou congelar e mandar pro mundo.

 

O açaí chega ao Ver-O-Peso a partir da 1h da manhã em cestos e cestos de 15 quilos cada um. Eles são descarregados dos barcos com rapidez e vendidos de acordo com tamanho, qualidade e espécie com mais rapidez ainda, aos berros. Ganha quem for mais sagaz e experiente.

 

Além do açaí roxinho que chega ao resto do Brasil, há também um tipo mais raro, o chamado “açaí branco” que na verdade é verde, inclusive quando está maduro. A oferta dele é menor e seu preço é mais alto – não consegui provar dele dessa vez, vou ter que voltar!

 

A festa da fruta amazônica continua na madrugada, basta procurar os cestos de produtos que não são roxos e miúdos.

 

Escrevi este post sobre a Feira do Açaí para o blog da MaxMilhas, confira!

 

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Das frutas que experimentei na Feira do Açaí, as que mais gostei foram o cupuaçú, tão macio e gorduroso quanto manteiga (à esquerda) e o biribá, fruta que se parece com a fruta-do-conde, mas tem textura macia e leve, como algodão doce (à direita na foto).

 

A manhã vai se descortinando, a confusão no extremo-oeste do Ver-O-Peso vai se acalmando e o resto do mercado começa a despertar.

Cai então a primeira das muitas chuvas do dia – estive lá em janeiro e eram uns 5 ou 6 pés d’água diariamente.

 

Assim que chega o gelo numa esquina à beira da baia, é hora de experimentar mais frutas loucas dessa floresta imensa, dessa vez na forma de suco. O setor de sucos é movimentado enquanto há fruta disponível. A oferta varia de acordo com a estação e tem fruta de tudo que é jeito: azeda, doce, amarga… e muito coloridas!

 

O movimento do Ver-O-Peso vai se expandindo pra mais áreas, toma conta de setores cobertos por lona, por uma parte de edifícios antigos, mais e mais mercado até acabar forçadamente onde começa a Estação das Docas.

 

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Em Belém, a castanha do Pará é chamada apenas de castanha – e é vendida no litro, descascada ou com casca, quebrada ou inteira.

 

A facona que é usada para abrir a casca da castanha me assusta e dá medo que leve o dedo de alguém (deve levar, quando a pessoa ainda não tem experiência). Não vi ninguém com dedo faltando nem marca de sangue, o que me leva a crer que todos os quebradores de castanha em serviço, mesmo os muito jovens, são bons na função.

 

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Tem gatos por toda parte! Eles são os reis das banquinhas, exceto na área de comidas, ainda bem.

 

O setor de comidas serve pratos com açaí e peixe frito, açaí e charque, peixe frito com arroz e farofa, maniçoba, tacacá e outras variedades desde o começo da manhã até o meio da tarde.

 

Para comer açaí no almoço do jeito tipicamente amazônico, coloca-se farinha de tapioca na tigela de açaí. A farinha incha e a mistura fica com consistência de purê, que é então comido às colheradas junto com a carne.

 

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Tudo coberto por causa da chuva, que é uma constante! De vez em quando aparecem esses buracos por onde a água escorre. Nada fica encharcado por muito tempo – ou melhor, tudo evapora e volta a ser umidade do ar.

 

As mesas são simples balcões ao redor das cozinhas que se resumem a fogareiro e panelões, um jeito bem simples e eficiente de preparar comida em quantidade com o mínimo de estrutura, que eu vi igual no México, na Bolívia, no Peru e também pelos lados da Tailândia e Laos.

 

Confesso que continuo preferindo o meu açaí com banana, guaraná e granola, mas fiquei feliz em provar a maneira tradicional de comer a fruta.

 

Por último, meu passeio me levou à área que vende artesanato, acho que é uma das que fica aberta até mais tarde, para atender aos turistas preguiçosos. O que mais gostei foram as cumbucas para tomar sopa, mas também é possível encontrar bijouterias muito bonitas, estatuetas feitas de madeira, roupas e toda sorte de lembrancinhas para levar pra casa.

 

O sol vai se pondo, as barracas vão fechando, entra o pessoal da limpeza dando uma geral em tudo.

 

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E tem os urubus e garças, claro, que vêm festejar com os restos. A natureza segue seu ciclo, logo é hora da Feira do Açaí.

 

Enquanto esse movimento de limpeza acontece no Ver-O-Peso, acho que é hora de ir ao bar Meu Garoto, que fica a poucos quarteirões dali (Rua Senador Manoel Barata, 928), para experimentar umas cachaças curadas com frutas e especiarias. Que tal?

 

A cachaça de jambú (que faz a boca ficar dormente) é só a mais famosa delas – até o Jamie Oliver parou no Meu Garoto para provar! O bar tem várias outras opções deliciosas e menos psicodélicas, como a de açaí, a de cajú, a de bacurí… e cada dose ainda vem com uma mini porção de caldinho bem temperado e muito gostoso!

 

Ai, Belém do Pará, que vontade de voltar!

 

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Giovana Suzin, amiga do peito e companheira de viagens maravilhosas, aprova e recomenda as cachaças do bar Meu Garoto

 

Escrevi este post sobre a Feira do Açaí para o blog da MaxMilhas, confira!

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Notas de uma peregrina sobre o Caminho de Santiago de Compostela

Cristiana Brandão, a Cris, é uma amiga singular, mulher que cava, cava, cava até encontrar o que procura, que não desiste dos próprios sonhos e ainda sim sabe ser maleável e aberta a mudanças de rumo quando necessário. Ela acabou de voltar de uma peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela e foi muito generosa de compartilhar sua experiência com o blog!

 

Este texto vale ouro, leia com cuidado, compartilhe com os amigos andarilhos e inspire-se! Eu já estou pensando nas botas que vou precisar comprar pra fazer a viagem, hehehe.

 

Fez uma viagem incrível e quer compartilhar dicas com os leitores do blog? Me manda um email que eu publico! livia.aguiar@gmail.com

 

Permanece en ti

Notas de uma peregrina sobre o Caminho de Santiago de Compostela

Em uma jornada como a feita por peregrinos desde o século IX a caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, uma coisa é certa: você fica atento aos sinais. Pode ser um encontro numa estação de ônibus, um grafite que você vê de forma recorrente ao longo da estrada, pessoas que cruzam seu trajeto, uma música que te conduz por quilômetros a fio e até uma frase. “Permanece en ti” foi uma dessas pérolas que eu colhi ao longo do caminho.

 

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Na cidade de Estella/Lizarra, na região de Navarra, norte da Espanha, primeira fase da peregrinação, vi uma frase escrita na porta do banheiro de um albergue. “Permanece en ti” fez eco nesse dia e esteve presente ao longo das 6 semanas em que cruzei o norte da Espanha seguindo a “Ruta Jacobea”, também conhecida como o Caminho Francês, uma das várias rotas que cortam a Espanha e levam pessoas de todas as partes do mundo até a cidade de Santiago de Compostela. “Permanece en ti” é também o título de um poema de Lao Tsé, filósofo e escritor chinês, sobre mudança.

 

Preparação

No Brasil e na internet, o que não falta é material sobre o caminho. A literatura, os blogs e as informações sobre essa rota de peregrinação são vastos. O bruxo da literatura Paulo Coelho ajudou a aumentar a aura mística com o bestseller O Diário de um Mago (1987), livro super presente até hoje no caminho em diversos idiomas, mas basta fazer uma busca no Google que o acesso a diferentes pontos de vista, mapas e dicas vão borbulhar em sua timeline. Minha pesquisa partiu daqui:

 

⁃ site : http://www.caminhodesantiago.com.br
⁃ app : Camino da Eroski Consumer
⁃ Instagram : iPeregrinos
⁃ Twitter : @CaminoDSantiago ; @haciacompostela ; @caminoasantiago ; @Buen_Camino
⁃ #s : #buencamino #buencaminoperegrino #CaminodeSantiago
⁃ Livro : Camino de Santiago da Andréa Prestes (uma beleza!)
⁃ Mapa : St-Jacques-de_Compostelle da IGN
⁃ Documentário : ‪El camino a Santiago com Paulo Coelho e disponível no YouTube

 

https://www.youtube.com/watch?v=5lSyWAMk8LI‬‬

Definitivamente, o motivo desse textão não é engrossar o coro de material de pesquisa sobre o caminho.

Aqui, compartilho – em primeira pessoa e a convite da minha amiga viajante profissional Lívia Aguiar – como foi caminhar ao lado de peregrinos, cristãos, judeus, americanos, coreanos, canadenses, brasileiros, turistas, jovens, idosos e tantas pessoas extraordinárias o caminho rumo à cidade de Santiago de Compostela, local onde estão os restos do apóstolo Tiago.

 

Mas não se engane! Muito mais do que uma rota religiosa/cristã, o Caminho já foi uma rota de peregrinação celta, tem vários trechos de Vias Romanas, foi a morada dos Templários e é também uma rota de peregrinação com direito a Salvo Conduto dos Reis Católicos Isabel de Castilla e Fernando de Aragon. Para todos que se dispõem a cruzar a Espanha, essa é uma jornada do corpo, da mente e do espírito.

 

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La Meseta

 

Primeiros passos

Minha caminhada começou no dia 05 de maio de 2016 em Saint Jean Pied du Port na fronteira da França com a Espanha e só terminou no dia 16 de junho quando cheguei até o “fim do mundo” dos romanos, na cidade costeira de Fisterra ou Finisterra, no Atlântico. Depois de tanto caminhar, eu queria apenas ver o mar e saber que ali minha jornada tinha um fim.

 

Durante 43 dias, ao longo de 862km, caminhei todos os dias, carreguei minha mochila de 6,5kg nas costas, dormi apenas em albergues de peregrinos, cuidei de 5 bolhas grotescas nos pés, nadei em rios gelados, bebi vinhos incríveis, vi o sol nascer na estrada e se recolher ao longo dos campos de Canola, vi o tão famoso facho de luz verde no pôr do sol, andei debaixo de sol, chuva, tempestade e vento e, literalmente, encontrei o ouro do caminho – amigos.

 

Foram 775km de Saint Jean Pied du Port até Santiago de Compostela e mais 87km até Fisterra. Minha credencial de peregrina, retirada 1 dia antes da jornada ainda em solo francês, está repleta de carimbos. Cada um dos albergues em que me hospedei em Navarra, La Rioja, Burgos, Castilla & Leon, La meseta, Palencia e Galicia estão registrados no meu passaporte de peregrina. Mas são as pessoas que eu conheci ao longo de 6 semanas que fizeram com que esse caminho realmente fizesse sentido. Cada uma delas tem nome e sobrenome, credo, raça e cor diferentes e também histórias maravilhosas que compartilharam comigo ao longo da estrada.

 

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#Loveistheanswer

Durante essa jornada – do corpo, da mente e do espírito – você vive uma experiência de amor. Ao longo do caminho pude registrar uma frase que vi e ouvi tantas vezes: Love is the answer.

 

As pessoas se ajudam, se cumprimentam, estendem as mãos uma para as outras, caminham no mesmo chão sob o mesmo sol independente da conta bancária. Todos estão ali porque, de alguma forma, decidiram que era o momento exato para fazer uma peregrinação. Não é uma competição para ver quem chega primeiro, quem anda mais rápido ou quem tem o equipamento mais top de linha. São pessoas que esperam algo da religião ou da espiritualidade, que desejam caminhar o dia todo e ainda sentar em torno de uma mesa com pelo menos 12 diferentes nacionalidades e conversar. Pessoas que se preocupam se alguém não tem cama e se mobilizam para conseguir um leito para aquela pessoa, que te oferecem água ou comida se você precisa, te ajudam a tratar das famigeradas bolhas e vibram quando alguém consegue finalizar um trecho mais difícil ou até mesmo completar uma ligação para casa.

 

É um grupo peculiar em um local “místico” ou “santo” e que estão ali porque desejam ao menos olhar para o lado e reconhecer quem está ali, bem perto, dividindo a mesma experiência.

 

No dia em que deixei Paris e segui de ônibus para Bayonne, primeira parada antes de começar a peregrinação em Saint Jean Pied du Port, conheci uma coreana: Kim, The Eagle, uma professora primária aposentada que mora pertinho de Seul. Uma viajante experiente com 64 países carimbados no passaporte e que completou pela quarta vez o Caminho de Santiago. Fiquei amiga na hora!

 

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Kim, The Eagle

 

No alto dos Pirineus, no primeiro dia de caminhada, ouvi uma melodia. Depois entendi que era uma voz feminina, fui seguindo o som, vi uma mulher caminhando rápido, continuei escutando ela cantar, começamos a conversar e desse dia em diante caminhamos quase 30 dias juntas. Carolyn Reeves é uma cantora de jazz norte-americana nascida em Connecticut e moradora nômade pela Califórnia. Minha “hermana” de caminho, uma amiga para toda vida.

 

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Carolyn

 

Como Kim e Carolyn, conheci pessoas incríveis com histórias extraordinárias que me faziam querer cada dia caminhar mais e mais, que a próxima cidade nunca chegasse para que a conversa não acabasse ou que a próxima garrafa de vinho literalmente brotasse do meio do nada para que aquele encontro único durasse mais um pouco.

 

Foi assim com a professora canadense Samantha, uma figuraça que já morou no Brasil, usa Havaianas, toma vinho como poucas pessoas que conheci na vida e que fazia o caminho em homenagem a um amigo querido que faleceu em um acidente de carro. “I’m a girl on a mission, Christianna”, frase que ouvi inúmeras vezes com o sotaque carregado e um sorrisão indescritível.

 

Raymond, um peregrino finlandês de 80 anos, arrancava suspiros e aplausos de cada um que cruzava o seu caminho. Forte e experiente, ele também acumula 15 títulos mundiais de navegação em florestas. No dia em que andamos apenas 11 km e decidimos ficar em Monjardin, Raymond pediu para Carolyn cantar “Summertime” de George Gershwin. Um dia para guardar na memória!

 

Também tiveram Caro, uma alemã de 19 anos que estuda medicina e ama a América Latina; Sam, um viking ex-jogador de futebol americano e mente brilhante de TI que ama um bom vinho branco; Begoña, dona do melhor restaurante de Navarete e cantora nas horas vagas; Miguel, espanhol de 94 anos que caminha pelo monastério de San Juan de Ortega e mostra para os peregrinos todas as obras de restauro que já fez na igreja ao longo de 60 anos de trabalho; Mary, uma americana de Ohio e moradora do Colorado que tem uma fé que remove montanhas; Bresser, meu amigo brasileiro, caminhante noturno, peregrino boa praça e dono de uma acervo de fotos incrível sobre o caminho; Marysia, polonesa bossanova que arrancava suspiros da geral e que estava fazendo o caminho como fonte de inspiração para o seu trabalho como artista; Mark, escritor e escalador norte-americano, amigo de noitadas e poeta persuasivo que me fez trocar um poema dele por uma lista com o nome de cada pessoa que me ajudou no caminho; Basilio, coreano naturalizado espanhol e cantor de ópera; Tinya, ginecologista canadense com o preparo físico em dia e que me convenceu a andar 43km em um dia, Michelle, Holger, Pedro, Rafael e tantas pessoas que fizeram com que o caminho não seja apenas uma ideia, um traçado no mapa, mas um local concreto onde pessoas incríveis vivem juntas experiências extraordinárias. O que importa não é onde você vai chegar e sim com quem você vai dividir a jornada.

 

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Setas amarelas

Mesmo carregando um mapa e com o app do caminho na mão, o que me guiou foram as setas amarelas. De forma impressionante, todo o caminho é marcado para que os peregrinos sigam as setas amarelas. Elas estão presentes no meio do mato, em trilhas, nas cidades e são como um chamado. Se por descuido ou distração você se perde, lá estão elas, as setas amarelas, para garantir que os peregrinos cheguem ao seu destino.

 

A estrutura oferecida na Espanha também impressiona. Albergues municipais de peregrinos não custam mais do que 8 euros. Albergues privados podem chegar a 15 euros. Também existe a opção de dormir em albergues de donativos – os melhores – que custam apenas o que você acha que pode ou deve pagar. Água potável é gratuita em fontes no meio da praça em cada vilarejo e a excelente comida espanhola dá um charme ao caminho. Mas o vinho… ah o vinho, esse embala nossas noites, pode ser tinto, branco ou rose e está disponível ao longo do caminho por um preço assustadoramente acessível. Por dia, cada peregrino deixa na Espanha de 20 a 30 euros, contando com refeições, hospedagem e noitadas. 

 

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Noitada em Leon

 

No hay camino

Na cidade de Viana, dentro de um templo romano, foi colocada uma placa com a seguinte mensagem : “Caminante, no hay camino”. Ali, naquele dia nublado, sozinha e no meio de uma chuva rala, parei, li e reli essa frase e rezei todas as preces, orações e mantras que conheço. Ali, eu sorri de dentro para fora e entendi que não estava fazendo um caminho e, sim, peregrinando. Não importava onde fosse dormir, nem quantos quilômetros iria fazer em um dia e nem se iria encontrar meus amigos na próxima parada. “Hoje, aqui e agora” era algo que eu repetia para mim mesma durante o caminho. Tal e qual a frase “Permanece en ti” e a #Loveistheanswer, que eu encontrei inúmeras vezes nos muros ao longo dos 862km de percurso, “Hoje, aqui e agora” era algo que eu repetia para não me perder, para não deixar para depois, para não pensar nisso amanhã.

 

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Um dos locais que marcou o meu caminho foi o albergue de Tosantos. Cheguei doente, com uma alergia que não passava, cansada e com fome. Santiago, o hospitaleiro, me recebeu, me fez jogar fora meu sabonete e shampoo, me deu um produto neutro, abriu o albergue antes do horário marcado só para me receber, me deu casa, comida e me fez descansar. Ele também me deu dicas preciosas sobre o caminho. Essas dicas não são verdades absolutas e nem um credo a ser seguido.

 

São sabedorias adquiridas por um peregrino espanhol que já fez o Caminho de Santiago 18 vezes e que hoje ajuda peregrinos como hospitaleiro:

 

  1. em sua mochila você carrega os seus demônios. Ou você carrega 20kg ou 6,5kg de demônios. A escolha é sua
  2. demônios queimam, independente se são muitos ou poucos
  3. Santiago conversa com os peregrinos através do corpo. Aprenda a escutar o porquê das dores, lacerações, bolhas e machucados
  4. o peregrino carrega sua mochila, sua comida e sua água. Lógico que ele pode parar e comprar ou até compartilhar uma refeição
  5. um anjo caminha ao seu lado assim que você começa a jornada. Anjo não pega ônibus, trem, carro nem envia mochila

 

Passei um dia inteiro ao lado de Santiago conversando e falando sobre o caminho. Ele não tem nenhuma aspiração em ter a palavra final ou se está certo ou errado. Apenas está lá para ajudar e me ajudou demais. Me disse com um sorriso duro na cara: “Cristiana, você não é turista. Não está aqui a passeio. Você é uma peregrina.” 

 

Buen camino!

 

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Cristiana Brandão é jornalista e atriz de formação e storyteller por opção. Já trabalhou como repórter, apresentadora, produtora, redatora, coordenadora e gerente de contas e operacional de projetos em múltiplas plataformas, tais como TV, rádio, coberturas ao vivo, internet, festivais de música, apps, sites, blogs, social media e mobile. É fundadora dA Dupla Informação e também atua como produtora executiva e coordenadora de operações de projetos em comunicação.

Entre em contato: TwitterInstagramFacebook e email

 

Pulque, a estranha bebida ancestral que só dá pra provar no México

De textura viscosa, cor branca, sabor levemente ácido e teor alcoólico baixo, o pulque não é exatamente a bebida mais gostosa do mundo, mas com certeza todo turista que visitar o México deve tentar conhecer e provar pelo menos um golinho.

 

Apesar de ter mais de 2000 anos de história, o pulque segue como uma bebida marginal porque resiste ao engarrafamento e à produção em massa. Isso se dá porque o pulque continua fermentando mesmo depois de pronto (e inclusive dentro do estômago), tornando-o muito difícil de armazenar e transportar por grandes distâncias. Sua vida útil é de 24h. É preciso prová-lo em Pulquerias, os bares especializados em pulque, que só existem no México. Algumas empresas até conseguiram pasteurizar o pulque e o exportam para os EUA e outros países, mas o resultado é diferente do pulque original – e vamos combinar que o mais legal é a experiência de provar o pulque in loco.

 

A bebida é produzida a partir do aguamiel, o mel de agave (que pode ser encontrado aqui no Brasil em lojas de produtos naturais por ser altamente nutritivo e mais saudável que outros açúcares). O agave, regionalmente conhecido como maguey, é uma planta maravilhosa do deserto mexicano que se parece com a babosa, da qual também se fabrica o mezcal (tequila é um tipo de mezcal, aliás). Também é possível encontrar no México o agave cozido, que se come mastigando a fibra da mesma maneira que chupamos cana-de-açúcar. A fermentação do pulque aumenta os níveis nutricionais do aguamiel, resultando em uma bebida rica em tiamina, niacina, riboflavina, vitaminas C, complexo B, D e E, além de aminoácidos, ferro e fósforo. Seu consumo era altíssimo em toda a região central do México (onde cresce o agave pulquero) até que a indústria cervejeira entrou pesado no país. Graças a incentivos fiscais que estimulavam a plantação de cevada e à facilidade de produção, distribuição e armazenamento da cerveja, ela substituiu o pulque como bebida de baixa gradação alcoólica a partir do século XX.

 

Fazer pulque demora bastante: o agave pulquero deve crescer por no mínimo 10 anos até alcançar a maturidade, depois o processo de extração do aguamiel dura mais 4 meses e então (finalmente) ele se transforma em pulque após alguns dias de fermentação. Para melhorar o gosto da bebida, que ao natural tem um sabor ácido meio doce, indescritível, as pulquerias criam misturas de sabores com extratos de frutas, nozes, cereais e outros.

 

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À esquerda, pulque natural, à direita o curado de aveia

 

Existem registros da preparação e consumo de pulque desde 200 a.C. e estima-se que ele foi inventado pelos Olmecas. Quem bebe pulque habitualmente prefere o pulque fresco, recém fermentado. O frescor é essencial, pois quanto mais tempo ele passa envelhecendo, mais viscoso, alcoólico e de sabor forte ele fica.

 

Como o pulque continua fermentando depois de pronto, inclusive dentro do estômago, ele deve ser o único goró que te deixa mais bêbado à medida que o tempo passa. Tome um litro de pulque agora e você ficará loucão daqui a 1 hora

 

Confesso que dá um nojinho quando velhinhos loucos por pulque bebem sua “dose” de 1 litro (direto do bico, sem copo) e sobra um fio de “baba” de pulque preso entre seu bigodón e a borda da jarra. Urgh.

 

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Esse tiozinho estava já mucho loco de pulque quando cheguei à Pulqueria La Paloma. Essa jarrinha aí é a dose dele.

 

Eu pessoalmente prefiro o curado (que é como se chama o pulque saborizado) ao natural e sem dúvida nenhuma o pulque jovem é muito melhor do que o que já está envelhecido. As pulquerias abrem tradicionalmente pela manhã – é uma bebida consumida por trabalhadores no começo da jornada de trabalho – e fecham à noite, mas alguns estabelecimentos com foco no público jovem (e mais endinheirado) ficam abertos até tarde.

 

Assim como o mezcal, o pulque costumava ser uma bebida do campo e de pessoas velhas, mas está sendo redescoberto pelos jovens (e pelos turistas também). Com isso, as pulquerias da Cidade do México estão ganhando novo vigor e os processos de produção e armazenagem tendem a ficar melhores.

 

Conheci três pulquerias bem diferentes na Cidade do México: uma tradicional no centro, uma tradicional em um bairro nada turístico da cidade e uma nada tradicional, que aliás era uma das minhas baladinhas preferidas na capital mexicana. Vou contar mais sobre elas abaixo.

 

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Pulqueria Las Duelistas

Esta é uma das pulquerias mais antigas da Cidade do México ainda em atividade, fundada em 1912! Foi revitalizada com grafites de motivos pré-hispânicos, mas continua com vibe de cantina, com portas de vai-e-vém, bancos de madeira e os pulques curados do dia escritos em um quadro de avisos logo na entrada.

 

Las Duelistas fica no centro, bem perto do Mercado de San Juan e outros pontos turísticos interessantes de ser visitados por quem vai à cidade pela primeira vez. O público é bem variado: jovens e velhos que trabalham na região, estudantes atrás de bebida barata e turistas curiosos afim de provar o pulque pela primeira vez.

 

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Essa é uma “pulqueria de verdade”: não vende cerveja, prepara os próprios curados e só serve um tipo de comida por dia, feita para acompanhar o pulque. Se não houver mesa livre, não hesite em dividir espaço com outras pessoas desconhecidas – elas provavelmente se tornarão amigas de infância depois do primeiro copo de pulque.

 

Las Duelistas

Calle Aranda, 28, Centro Histórico

Abre de 10h às 21h (mas é melhor ir cedo, pois quanto mais tarde no dia, mais viscoso está o pulque)

 

Expendio de Pulques Finos Los Insurgentes

Localizada em La Roma, bairro hipster da Cidade do México, Pulqueria Los Insurgentes é uma balada que serve pulque. Outras bebidas estão no cardápio, como cerveja, chopp e mezcal, e eles também servem comidas, mas o foco, além do pulque, está na música e na paquera.

 

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Quadro muito louco na parede da Pulqueria Insurgentes. O pulque também está relacionado aos “400 coelhos”, que são 400 espíritos do pulque, da embriaguez e dos bêbados. Cada coelho está relacionado a um estado de espírito causado pelo consumo de álcool.

 

Localizada em um edifício de três andares, incluindo um terraço, a Pulqueria tem quatro ambientes: uma pista de dança no térreo, mesas no mezanino (onde é possível ouvir a música do térreo), outra pista no segundar e um terraço com mesas e luz baixa. É uma das minhas baladas preferidas na cidade, onde é possível ouvir rock, ska, jazz, cumbia, eletrônico e outros ritmos, sejam bandas ao vivo ou DJs.

 

Os sabores de pulque curado são variados e feitos em pequenas quantidades, vindos do estado de Tlaxcala. Às segundas, todas as bebidas são 2 por 1.

 

Expéndio de Pulques Finos Los Insurgentes

Av. Insurgentes, 226 (entre ruas Durango e Colima)

Abre de segunda a sábado. De segunda a quarta, de 14h à 1 da manhã. De quinta a sábado de 13h às 3h da manhã

 

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Pulqueria La Paloma Azul

Situada próxima ao metrô Eje Central, a sul de Coyoacán e longe de qualquer ponto turístico da cidade, a La Paloma Azul é dessas pulquerias de verdade onde o estrangeiro vai se sentir um alien, mas um alien bem recebido.

 

Conheci essa pulqueria graças ao tinder. Um cara que conheci por lá me chamou para um encontro na Paloma Azul e lá fui eu pegar metrô para essa excursão antropológica. Atrasei meia hora, como é costume no México, e o cara só chegou 1h depois de mim, o que me deu tempo para socializar com a fauna local e tomar vários pulques na companhia de alguns velhinhos já mais pra lá do que pra cá. A maioria dos frequentadores eram homens, mas não me senti intimidada: foram simpáticos, fizeram perguntas sobre o Brasil e me recomendaram sabores de pulques curados para provar.

 

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Tudo azulejado, grafites de motivos pré-hispânicos nas paredes e uma jukebox para animar o ambiente

 

Esta não é uma pulqueria tão antigua quanto a Las Duelistas, mas mantém com orgulho o seu ar de bar velho do bairro. No meio do ambiente, resiste um quartinho pequeno de alvenaria, onde as mulheres iam para tomar seus pulques em “segurança e privacidade” quando elas não podiam dividir o mesmo ambiente que os homens.

 

Quando finalmente meu tinderdate chegou, eu já estava completamente ambientada à La Paloma Azul, feito vários amigos (alguns deles tinham todos os dentes) e já tinha provado diversos pulques. Quase que comecei a gostar de verdade da bebida, hahaha. Um dos personagens favoritos que conheci na Paloma está na terceira foto desse post. No final do dia, quando fui embora, ele mal conseguia levantar a própria jarra de pulque (ele tomou duas enquanto eu estive lá), mas continuava bebendo. Fuerza, campeón!

 

La Paloma Azul

Av. Eje 8 Sur Popocatépetl, esquina com Eje Central Lázaro Cárdenas, Colonia Portales.

Bem próxima à estação de metrô Eje Central

Abre de 9h às 21h

 

Contei a história desse date ruim que me apresentou a Pulqueria La Paloma aqui:

 

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Amigas soltas na China! Uma viagem rápida para o outro lado do mundo

Viajar à Ásia pela primeira vez é literalmente um choque cultural. Não importa a quantidade de restaurantes chineses você já foi no Brasil, a comida pros lados de lá é totalmente diferente, assim como os cheiros, hábitos culturais, maneiras de se relacionar, senso estético, meios de transporte… é preciso ir de coração aberto e sentidos apurados!

 

Este email de viagem foi escrito por Raissa Matos, psicóloga, que viaja sempre muito animada pra comer de tudo (o que é muito importante para explorar os sabores da China!). “Geralmente minhas viagens são marcadas pelo fator amor: alguém que eu gosto tá indo/morando em algum canto e eu decido ir junto. Tiro fotos igual uma maluca, vejo com as mãos (minha mãe tentou me fazer parar, não rolou), tagarelo um bocado com todo mundo. Basicamente, faço nas viagens o que faço em qualquer lugar, mas com maior dedicação.”

 

Raissa viajou para a China com duas amigas, Daniela Matta Machado e Renata Fonseca Brandão (a Raissa é a do meio na foto acima, à direita está a Renata e a Dani à esquerda). Foi a primeira vez das três em um país asiático! Elas chegaram por Hong Kong, onde passaram o Reveióm, seguindo viagem para Xangai e Pequim. Neste post, você vai ler sobre suas aventuras na China Continental (Hong Kong é uma região separada, assim como Macau). Leia posts sobre Hong Kong aqui!

 

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Amigas soltas pela China

Ir pra China foi uma doidera. É incrível como a gente se surpreende ao ir pra um lugar em que o inglês não nos salva – e lá não salva mesmo. Você constantemente não sabe o que está comendo, nem pra onde está indo, e pra isso contamos com a galera dos hotéis pra escrever os nomes pra gente, em papelzinho mesmo, e aí saíamos mostrando o danado até chegar.

 

Nos restaurantes, geralmente tem uma pessoa que entende beeeeem mais ou menos alguma coisa de inglês, e aí ela atendia a gente. Sempre rindo muito – até agora não sei se era da gente, com a gente, sei lá. Na dúvida a gente ria junto. E como eles não têm uma língua só, as vezes a gente achava que tinha aprendido a falar algo,’obrigada’, por exemplo, e percebíamos que a pessoa em questão nos corrigia, tipo “aqui não é xiè xiè, é ‘tal coisa’. Bom, desistimos e nos jogamos na mímica. 

 

Eu tava animadona, achando que ia me acabar em comidas típicas (apesar de ter recebido alertas importantes, né Lívia?). Não.

 

Você não consegue entender o que são as comidas em nenhum nível: o nome, impossível, a explicação de quem está vendendo, impossível, o visual, muito difícil, e, por último, a comida não tem cheiro de comida. Infelizmente, devo admitir que o cheiro pra mim era ruim mesmo, a ponto de me causar repulsa vez ou outra.

 

E eu sou muito coração (e demais tripas) aberto para comida. Não rolou mesmo. Passei a viagem a base de dumplings, de alguns noodles, e comidas mais ocidentalizadas. Não é, mesmo, uma viagem gastronômica. Ah, os restaurantes fecham cedo, se você não fez seu pedido até as 22h, pode desistir e ir comer num Mc Donald’s 🙁

 

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Muitas carnes não-identificadas no espeto

 

Fazer xixi também não foi fácil. Os banheiros são geralmente localizados nas saídas de emergência dos lugares – sempre longe do ‘centro’ do estabelecimento, e inclusive vários lugares nem têm banheiro.

 

Quando você acha o danado do banheiro, 90% de chance de só ter vasos daqueles enterrados, e aí é preciso fazer uma pose intrigante pra fazer as coisas cairem no lugar certo. Feito isso, você precisa pegar o papel higiênico que levou em sua bolsinha para suas higienes, porque lá não tem, na graaande maioria dos banheiros.

 

Todo mundo pede pra tirar foto com a gente. Parece que é comum, alguns sites falam sobre isso, mas é mega surpreendente. Fora algumas pessoas que tiram fotos escondido. É bizarro, mas realmente não se vê muitos ocidentais por lá – acho que, por termos ido durante o inverno, não era um momento de super turismo. Eles deviam achar a gente bem esquisita, certamente.

 

Achei a galera bem amistosa no geral, menos em Pequim. Lá os taxistas pareciam nos odiar profundamente, e as pessoas de modo geral não estavam muito dispostas nem a ler nosso papelzinho pra ajudar a chegar nos lugares. Mais uma vez, ponto pro Alvim, o guia que contratamos em Pequim.

 

Tive resistência com a ideia do guia para passear por Pequim, mas foi ótimo. É difícil se locomover por lá, e, a não ser que você vá para ficar muitos dias, é preciso agilidade para não perder as coisas essenciais e muito legais. Ele dá informações de todos os tipos e realmente acho que nos deu dicas legais de restaurantes e feirinhas pela cidade, sobre as quais não tínhamos nem ouvido falar.

 

Para compras, em geral é muito importante não acreditar no preço da etiqueta. Parece que a barganha é bem cultural, e se você pergunta o preço e vai embora, o vendedor te persegue com a calculadora na mão, pra você colocar o seu preço, aí ele vai e coloca um pouco a mais, e assim vai até um acordo. Comprei um casaco cujo preço começou em 1000 e foi comigo por 200. É assim mesmo.

 

 

Roteiro de viagem: Xangai e Pequim em 8 dias de intensa atividade!

Xangai

Dia 1: Chegamos de Hong Kong à noite e fomos jantar no Lost Heaven – restaurante lindo de comida tailandesa/vietnamita/gostoso demais e com o preço bem ok.

 

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Raíssa dando close no The Bund

 

Dia 2: Pegamos a balsa (baratinha) e fomos para o “lado antigo” da cidade: você já desce numa avenidona, The Bund (foto acima), cheia de predios lindos, muita movimentaçao de turistas e também de locais – pelo menos acho que a galerinha fazendo tai chi deve ser de lá.

 

Andamos muito, várias praças e ruazinhas bonitas. Nosso destino era o Yu Garden e fomos a pé até lá. Toda a região que o cerca é digna de nota: várias lojinhas com cacarecos de todos os tipos e comidas estranhas. Chegando ao Yu Garden, tudo lindo. São 30 yuans pra entrar. A gente nem sabia bem o que era e ficamos surpresas ao ver que dava pra ficar la o dia todo. Ele parece um labirinto de belezas surpreendentes. Fomos almocar/jantar em um restaurante mais chiquezinho, a comida nem era muito legal, mas era num prédio bem na beira do rio e a vista era muito bonita – dizem que no mesmo prédio tem uns restaurantes melhores, mas pelo horário só rolou esse.

 

Fomos passear depois numa rua cheia de lojas de todos os tipos, Najing Road, que é bem famosa, bem cheia. Tivemos por alguns momentos a ilusão de que iríamos pra balada nesse dia, só que não, estávamos cansadas.

 

dia 3: fomos pro Zhujiajiao, parte bem antiga, que fica a uma hora do centro. Tudo lindo, tem uns que falam que é a Veneza do oriente, porque tem umas pontes fofas e canais, mas não acho que a comparação faz muito sentido – sei lá, nunca fui pra Veneza. Um passeio legal pra se fazer com um guia, porque ele vai contando uma série de curiosidades bacanas. A gente não contratou um, mas o motorista que nos levou era muito bonzinho e quis guiar a gente 🙂

 

Na volta, fomos ao supermercado, comprei mil miojos.

 

dia 4: Andamos um pouco na parte nova, Pudong, é que onde estávamos hospedadas. Prédios novos, alguns bonitos e todos gigantes, aquela história. Fomos embora querendo ficar mais uns 3 dias, pelo menos!

 

Pequim 

dia 1: Muralha! contratamos um guia fofo, o Alvim, que nos levou de carro até uma região (Mutianyu section) que é mais vazia do que as que o ônibus deixaria. O passeio é sensacional, a história da muralha é muito bacana, é tudo lindo.

 

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Depois, comemos no melhor restaurante de dumpligs da cidade, o Family Union Dumplin Restaurant (nome em chinês “tuantuanyuanyuan”) go lugar é tão roots que o cardápio é escrito a mão. Dumpligs maravilhosos.

 

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Depois, uma feirinha fofa na qual vimos os escorpiões no palito e demais esquisitices, a Beijing Night Market, que fica numa rua bem movimentada chamada Wangfujing.

 

dia 2: Lama Temple, cercado por uma praça linda, tem vários templos dentro do danado, é muito legal.

 

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Construção linda que é parte do Lama Temple

 

Na praça ocorre uma inacreditável reunião (nao sei como chamar isso) em que os pais levam verdadeiros curriculos de seus filhos, colocam a sua frente, e outros pais vao passando e avaliando. Se gostam do que vêem, os pais conversam e marcam um encontro pros filhos. Segundo nosso guia, é 50% de chance de sair casório daí!

 

Bizarrices a parte, os velhinhos (só aposentados frequentam a praça, segundo o Alvim os jovens não tem tempo pra isso) ficam na praça fazendo aulas de dança, jogando xadrez, tagarelando, cantando em homenagem ao Mao… parecem estar curtindo.

 

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Velhinhos jogando um jogo misterioso na praça do Lama Temple

 

Depois fomos ao Summer Palace, e que arrependimento de nao ter reservado um dia todo pra ele!

 

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O Summer Palace é gigante e muito, muito bonito!

 

É maravilhoso demais da conta. Vale dizer que foi o lugar em que passamos mais frio, apesar de muito agasalhadas.

 

Jantei o famoso pato, num restaurante chamado Made in China, tava muito gostoso.

 

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O famoso Pato de Pequim no restaurante Made in China

 

dia 3: Passeio pela Cidade Proibida, bem impressionante tambem. A arquitetura é maravilhosa e o legal de ir com guia é que tem um tanto de simbologias em tudo, que sem ele não perceberíamos: a repetição do numero 9 em diversas organizações do espaço, a cor vermelha, uns degrauzoes altos na entrada de certos cômodos, os bichinhos  empoleirados nos telhados… tudo tem motivo pra estar ali, e o motivo, simplificando ocidentalmente, era proteger o imperador.

 

Depois fomos aoTemple of Heaven e tudo lindo como em todos os cantos. Os templos são lindos, cheios de curiosidades, e no fim deste tem um Budão de tipo 20m, peça de madeira única, realmente impressionante.

 

dia 4: Foi uma correria do cacete, quase perdemos nosso avião, mas ainda assim fomos ao Pearl Market ver cacarecos de todos os tipos e a um shopping que chama Silk Market mas que só interessa mesmo a quem ta afim de bolsas caras. Por ultimo, fomos ao Qian’namen Street, um mercado de rua que nos disseram ser muito mais legal a noite – fica pra próxima 😉

 


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Road trip para o Santuário das Borboletas Monarca, Michoacán, México

A apenas algumas horas de carro da Cidade do México está a Reserva Ecológica Santuário das Borboletas Monarca, onde centenas de milhões de borboletas nascidas no Canadá e norte dos EUA se concentram todos os anos, de novembro a março.

 

É uma migração impressionante, de mais de 7 mil quilômetros (a segunda mais longa migração de insetos, perdendo pra uns gafanhotos na África). As borboletas monarca que fazem a migração vivem por 9 meses, enquanto as suas descendentes que nascem na primavera e no verão só vivem cerca de 3 a 4 semanas. Durante a longa viagem, seu corpo se comporta como se estivessem hibernando, mas elas continuam se movendo (é chamado de hibernação cinética, feito raro na natureza). É uma coisa de louco que uma espécie que parece tão frágil consiga fazer essa viagem todos os anos – e não é só viagem de ida, elas vão e voltam, para se reproduzir e morrer lá no norte!

 

As borboletas monarca chegam ao México bem na época do Dia dos Mortos, por isso elas também são um símbolo importante para a festa que celebra a volta dos espíritos já falecidos por alguns dias para celebrar com seus parentes e amigos queridos. Acreditava-se que as borboletas levavam as almas do submundo para o nosso mundo para festejar.

 

Estive no México de outubro a abril de 2014 e 2015, vivendo a maior parte do tempo na Cidade do México. Por isso, não poderia deixar passar a oportunidade de ir visitar as borboletas turistas canadenses em seu resort de férias!

 

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A caminho do encontro com as borboletas! Da esquerda pra direita: eu, David (Austrália), Raphaelle (França), Sine (Alemanha) e Pedro (Brasil, Porto Alegre)

 

Enquanto trabalhava em um hostel na Cidade do México, conheci muita gente bacana do mundo todo. No final de janeiro, quando o tempo esquentou um pouco e a possibilidade de ver as borboletas em plena atividade estavam um pouco maiores (no frio elas ficam paradinhas no alto das árvores), coincidiu que um grupo de pessoas muito legais e animadas estava hospedado por lá. Convidei a galera para dividir o aluguel de um carro para fazermos essa aventura.

 

Conforme pesquisas pela internet afora, decidimos alugar o carro nas agências próximas ao aeroporto internacional da Cidade do México, onde é possível escolher diferentes agências e pesquisar preços sem muito deslocamento. Nossos critérios foram preço baixo, ter GPS e a possibilidade de devolver o carro perto do hostel onde estávamos.

 

Alugar o carro foi fácil, o difícil foi sair da Cidade do México e alcançar a estrada correta para o estado de Michoacán, onde fica o Santuário das Borboletas Monarca! Meu amigo-irmão Lucas Galvão já tinha me falado que alugar carro na CDMX era um desafio, mas juro que não achei que ia ser tão difícil! Muito trânsito, avenidas confusas e informações truncadas no GPS, mas conseguimos depois de 2h, hahaha. Na volta também nos perdemos (colocamos o endereço errado no GPS e fomos parar em um outro município ao sul da Cidade do México), mas deu tudo certo no final.

 

Paramos para comer no meio do caminho e seguimos até o Santuário. O dia estava bem nublado, então havia o risco de não conseguirmos ver as borboletas em plena atividade.

 

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Vista do alto do mirante no Parque – muitas nuvens, muitas muitas.

 

O Santuário tem diversas entradas diferentes, todas bem equipadas com restaurantes, lojas de souvernir, guias preparados para levar até o local de observação das borboletas (não é permitido andar pelo parque sem guia) e em alguns pontos há até cabanas onde é possível passar a noite! As cabanas não ficam no meio da floresta onde estão as borboletas, infelizmente.

 

Os guias são todos nativos da região e é muito interessante ouvi-los falar sobre as borboletas. Para eles, que cresceram com as borboletas passando pelo quintal de casa na sua jornada de ida e de volta, elas são fenômenos normais da natureza, como a chuva e a chegada do verão. Recomendo já pesquisar mais sobre os aspectos científicos do fenômeno, porque eles não têm as manhas da biologia e sim da experiência.

 

Neste post (em espanhol) há informações detalhadas sobre as 5 entradas no Santuário das Borboletas Monarca, inclusive com mapas e instruções para chegar até lá de carro. Eles falam de 5 santuários, mas na verdade tudo faz parte de uma grande reserva de preservação, tombada como patrimônio da Unesco.

 

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A caminhada até o meio da floresta onde estão concentradas as borboletas é de nível fácil a médio. Tudo é bem sinalizado e a trilha é quase sempre assim como está na foto acima (~suave na nave~) exceto em algumas partes de subida, mas como a altitude é maior, é fácil se cansar. Não precisa ter pressa. Vá no seu ritmo que o guia será obrigado a te esperar (o nosso era meio apressado, hehe). Também é possível alugar cavalos para percorrer a trilha.

 

Quando chegamos até o local: decepção. Fora as diversas borboletinhas mortas no chão, não havia nenhuma amiga monarca viva à vista. Quer dizer… Foi isso que a gente pensou. Mas logo percebemos que as tais folhas secas das árvores que estávamos vendo eram na verdade as milhares de borboletas concentradas nos galhos para se aquecerem. Pinheiros, como aprendi nas aulas de biologia do colégio, continuam com folhas verdes durante o inverno.

 

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As borboletas estavam paradinhas quando chegamos. Tudo que é marrom no alto das árvores não é folha seca: é borboleta

 

Nossa sorte foi decidir esperar mais um pouco para ver se o tempo abria. Ficamos de papo, meditamos no meio da floresta, fizemos uma dança inventada pedindo sol e de repente o sol resolveu fazer uma aparição breve – que foi suficiente para colocar as borboletas em movimento!

 

Como minha câmera não é das melhores, não tenho fotos maravilhosas delas voando, mas aqui vai um vídeo que mostra mais ou menos como elas se comportam quando o sol está aquecendo o ambiente:

 

 

Ufa, a espera valeu a pena e a viagem foi longa, mas bem sucedida! Esse som ao fundo no vídeo é o das milhares de asas de borboletas batendo ao mesmo tempo! É uma coisa de louco.

 

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Amigos felizes após uma experiência inesquecível 

 

O sol voltou a se esconder e as borboletas voltaram a se empoleirar nas árvores – era o fim da visita, hora de voltar para a Cidade do México.

 

É proibido levar borboletas do santuário para casa, mas eu o fiz mesmo assim. Peguei algumas borboletas que estavam já mortas no chão e as guardei no meu caderno. Peço desculpas, mas não me arrependo.

 

Eu as usei em uma colagem que fiz sobre o Dia dos Mortos, feita também com flores recolhidas em altares de Dia dos Mortos em Oaxaca (festa maravilhosa sobre a qual tem post no blog). As colagens resultaram neste zine aqui:

 

Saiba mais sobre os zines Flores de Rua, que são um projeto paralelo meu que tem muito a ver com as minhas viagens (por enquanto, tem zine sobre São Paulo, Cidade do México, Bangkok, Laos e sobre o Dia dos Mortos): floresderua.tumblr.com 

 

Leia mais sobre as impressões que tive durante o passeio na minha coluna para o blog da MaxMilhas!

 

 

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Pra mim, o melhor bairro pra se hospedar: perto do metrô, do metrobus (BRT) e de diversos bares e restaurantes

Hostel 333 – o hostel onde trabalhei na Cidade do México. Excelente localização, preços baixos, festas no terraço.

Hostel Home – hostel parceiro do Hostel 333 – mais calmo e com excelente wifi, hehe.

Hostel Condesa

 

Opções no Centro Histórico:
Hostel Mundo Joven

Mexico City Hostel

Anys Hostal

 

Opções na Zona Rosa e Colónia Juarez

La Tercia

Hostel Inn Zona Rosa

Hotel Casa Gonzalez

Panaderia Rosetta, a melhor padaria da Cidade do México (e talvez do mundo)

Uma portinha despretenciosa em uma bela e arborizada rua do bairro Roma, na Cidade do México, abriga a melhor padaria da cidade: a Panaderia Rosetta.

 

Comandada pela chef Elena Reygadas, La Panaderia (como os habitués a conhecem) começou como um braço de seu renomado restaurante Rosetta, que serve comida contemporânea mexicana com fortes influências italianas. Elena Reygadas foi eleita em 2014 como a Melhor Chef Feminina da América Latina pelo prêmio Veuve Clicot – e merece muito mais, porque tudo que ela encosta fica maravilhoso. Os frequentadores do restaurante se ajoelhavam pelos pães servidos na casa e ela resolveu começar a vendê-los na saída do estabelecimento. Com o sucesso das vendas, ela alugou uma portinha na Rua Colima, 179, onde hoje são feitos diversos tipos de pães, bolos, biscoitos e outras guloseimas que voam das prateleiras para as bocasde clientes fieis e insaciáveis. O sucesso da portinha na rua Colima levou à abertura de uma segunda unidade, na Colonia Juarez (até bem próximo à primeira), que fica em uma casa muito fofa na rua Havre, 73.

 

E sabe o que é ainda melhor? Não custa caro!

 

Claro que não dá pra cobrar preço de pão francês num croissant feito com manteiga e farinha de alta qualidade, mas acho que 5 reais por um croissant crocantíssimo, folhadíssimo e amanteigadíssimo de tamanho grande é muito barato, especialmente para os padrões brasileiros em que (quase) tudo que é diferente do feijão com arroz custa um rim.

 

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Na hora de escolher qual pão pedir, tente ver se seu bolso e seu estômago podem arcar com a opção TODOS

 

As opções de pães são uma mistura da padaria francesa, italiana, mexicana e outras influências. Os croissants (com e sem recheios) e pain au chocolat dividem espaço com ciabattas, focaccias, rolos de canela, tortas folhadas, bolos, cookies, muffins, scones, pão de pulque (feito com a tradicional bebida mexicana), ochos folhados com cobertura de creme e geleia e outros mais, a depender da estação do ano e da criatividade de Elena Reygadas. Alguns dos recheios são feitos com ingredientes tradicionais mexicanos, como tejocote e hoja santa. Os pães são todos artesanais (o maquinário se resume aos fornos e batedeiras) e de fermentação natural! Existem opções veganas no cardápio.

 

Conheci La Panaderia Rosetta graças à Gabi Pires, minha amiga que morou na Cidade do México, é apaixonada por pães e morava a apenas um quarteirão de distância da melhor casa de pães do México (e talvez do mundo). A Gabi me apresentou vários lugares favoritos no México, aliás <3

 

A portinha na rua Colima se resume a um balcão longo que exibe os pães e outras guloseimas do dia em estufas, pratos altos e prateleiras nas paredes e a cozinha da padaria onde são produzidas todas as delícias. Os clientes podem sentar-se em bancos no balcão mesmo, em banquinhos dispostos na calçada ou levar a compra pra casa. De manhã, quando saem a maioria dos pães, a luta por um lugar é acirrada e falta espaço pra todo mundo lá dentro, mas come-se rápido e a espera por um lugar é breve. Vale a pena pedir um croissant ou um café enquanto espera um banquinho para sentar e continuar o café da manhã sentado de frente para muitas comidas deliciosas.

 

À tarde o movimento é menor, mas a oferta de pães também, pois muitos já acabaram. Experiência própria: depois das 4 da tarde, já não tem pão quase nenhum na padaria Rosetta da Colima. Mas tudo o que tiver sobrado ainda é delicioso.

 

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Ó o pesado, geneeeente! Essa é a Panaderia Rosetta da rua Colima em horário de rush

 

A unidade da rua Havre é menos abarrotada, tem mesinhas no corredor lateral do lado de fora da casa e no mezanino, fora o perigoso balcão que exibe os pães do dia (perigoso porque é difícil parar de comer estando sentada lá).

 

Os pães são todos feitos na padaria da rua Colima e enviados para a rua Havre, então quando na Colima já não tiver mais pão, existe a possibilidade de ainda ter sobrado mais coisa na Havre, que tem um movimento vespertino maior.

 

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Panaderia Rosetta na rua Havre, na Colonia Juarez

 

Fora o espaço maior, outra vantagem da unidade na rua Havre é que eles têm mais opções de pratos, como sanduíches, ovos mexidos e outras opções típicas de café da manhã.

 

Bom, gente, vou parar por aqui porque já estou com muita fome e a Panaderia Rosetta está muito longe da minha casa no momento, hahaha.

 

Panaderia Rosetta:

De segunda a sábado de 7h às 20h e domingo de 7h30 às 18h

Colima 179, colonia Roma
Havre 73, colonia Juárez

 

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Hostel Condesa

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La Tercia

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Passeio de domingo pelo (futuro) Parque Minhocão em São Paulo

Uma das construções mais bizarras, violentas e cinzas de São Paulo é o Minhocão, elevado para carros projetado na década de 70 e construído pelo Maluf enquanto ele era prefeito.

 

Na minha crônica quinzenal do blog da MaxMilhas, escrevi sobre ele, leia aqui!

 

Sábado, 21h35: ciclistas e skatistas esperam impacientemente pelos guardinhas da CET (que gerencia o trânsito em São Paulo), que já estão 5 minutos atrasados. Aos poucos, o fluxo de carros vai diminuindo e lá vem a caminhonete branca piscando luz laranja, com os cones para interditar a via. Pronto, agora o Minhocão é das pessoas não-motorizadas até as 6h30 da manhã de segunda-feira. As horas passam e o viaduto vai enchendo, ganhando uma vida que não existe de segunda a sábado das 6h30 às 21h30, quando está aberto para carros.

Continue lendo.

 

Saiba mais sobre o Minhocão e acompanhe as resoluções a seu respeito no site oficial da Associação Amigos do Parque Minhocão <3 <3 <3

 

Hospede-se em um lugar bacana no centro de SP:

Bourbon São Paulo Express

Normandie Design 

Comfort Downtown

Balcony Hostel

Soneca Plaza

Hotel Itamaraty

República Park

 

Não vá a Cancún! Evite essa cilada e conheça a verdadeira península de Yucatán

A península de Yucatán, no México, é um pedaço enigmático do planeta Terra. Sua localização geográfica já chama a atenção logo de início: é banhada pelo Caribe de um lado e pelo Golfo do México do outro. A leste, está a chamada Riviera Maia, com longas praias de areia branca e mar calmo, águas cristalinas bastante azuis, lar de vida marinha intensa. A oeste, no Golfo, as águas são menos belas, mas abaixo delas estão grandes bolsões de petróleo, que garantem riqueza à região para além da exploração do turismo.

 

Terra adentro, Yucatán possui uma ampla rede de rios subterrâneos que, de vez em quando, se abrem em belos poços de água doce e transparente, chamados de cenotes. A sul, próximo à fronteira com Belize, imensas lagoas de água doce refletem sete (ou mais, bem mais) tons de azul rodeadas de manguezais e cabanas rústicas que podem ser alugadas por temporada.

 

Falando de cultura, centenas de anos antes da invasão espanhola a região já era habitada por povos maias que construíram pirâmides espetaculares e desenvolveram uma civilização bastante complexa, com incríveis avanços tecnológicos que até hoje intrigam cientistas. Traços dessa cultura persistem até hoje nos povoados de maioria indígena, nas línguas nativas, no sotaque dos falantes de espanhol e na rica gastronomia regional, de sabor inconfundível.

 

Para completar a mitologia de Yucatán, foi a noroeste da península que, há milhares de anos, caiu o meteoro que (teoricamente) matou os dinossauros. Ufa, tá bom ou quer mais?

 

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Um cenote grande de águas doces e refrescantes que fica perto de Tulum

 

Entre todas as possibilidades turísticas da região, infelizmente pouca gente vai além das praias paradisíacas e das piscinas naturais de água doce. E olhe lá.

 

Em Cancún, principal destino turístico do México inteiro, a natureza foi depilada, maquiada, embalada e preparada para consumo rápido e indolor nos mega resorts all inclusive, parques aquáticos e excursões massificadas que “protegem” os visitantes das idiossincrasias desse pedaço interessantíssimo do planeta.

 

Resort all inclusive significa que você vai fazer check-in e não precisar preocupar-se com mais nada. Nem com as suas próprias preferências.

 

Está tudo incluído: excursões (para passeios lotados que todos os turistas vão ao mesmo tempo), refeições (provavelmente ruins, feitas em grande quantidade e sem muita preocupação, afinal você já está obrigado a comer o que eles servem lá) e bebidas e mais bebidas – para quê beber tanto à beira da praia? De quantos drinks você precisa para aproveitar um pedaço do paraíso? O paraíso ainda é o Paraíso se você estiver de ressaca?

 

Há excessões, mas o preço cobrado por esses resorts não vale a pena se formos comparar com hospedar-se em um lugar mais simples (também à beira da praia, é claro), próximo a várias opções de restaurantes, agências de viagem que oferecem uma diversidade de passeios e a oportunidade de conhecer pessoas do local que vivem ali. No final das contas, escolher uma pousada administrada pelos próprios donos com amor e ir atrás da própria comida, bebida e passeios, vai custar o mesmo ou ser mais barato do que pendurar o cérebro num cabide ao fazer ceck-in e só lembrar de busca-lo na hora do check-out.

 

Vale lembrar que este é um blog para viajantes independentes, para quem gosta de ir atrás da própria viagem, de ter liberdade para escolher o que quer visitar, de buscar experiências autênticas que possibilitam conhecer a cultura e as particularidades de cada lugar

 

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Era para a praia em Cancún ser assim, com algas acumuladas na areia em determinadas épocas do ano. Mas está tudo limpinho lá (e encolhendo por causa disso)

 

Cancún como ela é

Ao chegar no aeroporto, os resorts já têm serviço de shuttle que te leva direto até o lobby onde se faz o check-in (de preferência com um drink de boas-vindas já nas mãos). Mas se você prestar atenção à paisagem do caminho, vai perceber que a orla está quase que completamente tampada por edifícios enormes (os resorts) com suas praias particulares. Os habitantes de Cancún não têm direito à praia (a privatização da natureza é um problema sério no México, ainda bem que no Brasil não podem existir praias particulares). Os habitantes de Cancún sequer vêem a maior parte praia, só o pequeno trecho de praia pública num dos cantos mais feios (que ainda sim é lindo). Os moradores de Cancún vão à praia geralmente para trabalhar em um dos resorts e spas da orla – a cidade é uma das maiores empregadoras do México e por isso muita gente vai pra lá tentar ganhar a vida no setor hoteleiro. Mas existem jeitos e jeitos de investir no setor hoteleiro.

 

Até as areias de Cancún são puramente cenográficas, pois os hotéis tiram as algas (feias, fedorentas, porém importantes) que se acumulam em suas praias particulares durante alguns meses do ano e, com isso, impedem o processo natural de contração e expansão da orla. Os donos dos empreendimentos perceberam, tarde demais, que a faixa de areia encolhia a níveis alarmantes por causa disso e mandam trazer areia extra de outros lugares do país. Esses hoteis fazem de tudo para manter seu negócio ativo dando o máximo de lucro possível. Azar das próximas gerações, que não poderão ver essas belezas pois estará tudo destruído.

 

O governo? Pouco faz para impedir isso, pois ali manda quem tem mais dinheiro.

 

Este não é um post contra a hotelaria de luxo. Mas é contra esse sistema hoteleiro que segrega, polui, pasteuriza, estimula o consumo exacerbado. Você, com seu welcome drink, é um patrocinador dessa indústria.

 

Há quem diga que é melhor concentrar em Cancún tudo que há de ruim em termos de turismo, para que ele não se derrame por outras praias paradisíacas da Riviera Maia (e já está derramando). No meu entendimento, não é assim que deveria ser. Esses negócios predatórios deveriam ser regulados com mais rigor, forçados a investir uma parte de seu polpudo lucro no restauro e manutenção da natureza como ela era, para que siga magnífica por gerações sem fim.

 

Infelizmente, quem faz as leis são gente muito mais poderosa, de mente pequena e sem amor nenhum pelo planeta Terra, então Cancún só cresce e expande, os resorts isolam praias belíssimas apenas para quem pode pagar e vendem um México insosso para estrangeiros que buscam escapar da realidade, que passam a maior parte do tempo bêbados de coquetéis cujo preço está incluído na tarifa (ainda bem que o mar é raso e não apresenta perigo de afogamento), empanturrados de comida que nada tem a ver com a profusão de sabores da gastronomia mexicana e isolados da rica cultura yucateca. Procure um negro ou um indígena nesses resorts (que não esteja trabalhando). Vai ser como brincar de Onde Está Wally.

 

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Para baratear a viagem, que tal fazer uma mini guacamole na beira da praia? Basta comprar abacate, limão, sal e totopos (triângulos de tortilla, os Doritos originais, só que mais saudáveis e baratos) no supermercado antes de ir para a praia! Lembre-se de lavar a mão depois de usar o limão para não queimar sua pele #DicadaTiaLívia

 

Motivos para ir à Península de Yucatán (fora de Cancún)

 

Se você, como eu, acha que esses resorts ultraprotetores são a reprodução na Terra de um dos círculos do Inferno, ainda há motivos para aproveitar a próxima promoção de passagens para Cancún (sempre tem uma, fique de olho!).

 

A península de Yucatán é muito mais do que Cancún e as atrações que são vendidas nos pacotes de viagem. Ela está dividida entre os estados de Yucatán, a norte, na pontinha do Golfo, Campeche, dentro do Golfo (menos turístico), e Quintana Roo, banhado pelo Caribe, onde está Cancún e a Riviera Maia.

 

Ao chegar no aeroporto, pegue o shuttle para a rodoviária e, de lá, alugue um carro ou compre uma passagem de ônibus para outra das diversas praias maravilhosas da Riviera Maia, para a profusão cultural que é Mérida, a capital do estado de Yucatán ou para a paradisíaca Isla Holbox, uma ilha que é reserva ecológica (e por isso ainda preservada) a norte da península.

 

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Não aconselho alugar o carro direto no aeroporto pois é muito comum que policiais corruptos estejam à espreita no caminho até a cidade de Cancún, prontos para pedir propina fácil aos recém-chegados e desinformados, sob qualquer pretexto. Alugando o carro lá na cidade mesmo, as chances de ser parado por um policial mal-intencionado são menores.
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Tulum e Playa del Carmen

Se você e seus companheiros de viagem quiserem mesmo ficar em um resort, por todas as facilidades que eles apresentam, minha sugestão é hospedar-se em Tulum.

 

Localizada no meio da Riviera Maia, é fácil acessar diversos dos pontos turísticos da região partindo dessa cidade, como as ruínas maias de Tulum (que ficam à beira-mar), cenotes grandes e pequenos e Akumal, a praia das tartarugas.

 

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Ruínas de Tulum, as únicas ruínas maias que ficam à beira da praia! Não tem pirâmides, mas são muitas construções e o cenário é inacreditável de tão lindo

 

O centro de Tulum fica meio afastado da praia (tem boa oferta de hostels baratos e ótimos restaurantes de comida típica yucateca, mas é preciso pegar um coletivo ou uma bicicleta para chegar até o mar). Na praia, afastados do burburinho, há diversos resorts (alguns deles all inclusive) com pegada ecológica/zen e ares de pousadinha charmosa.

 

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Caldo Azteca do restaurante El Aguacate: caldo apimentado de frango com grão de bico, cenoura, vagem e abacate 

 

Playa del Carmen é outro destino bem comum na Riviera Maia. Localizada entre Cancún e Tulum, é fácil acessar as mesmas atrações turísticas que Tulum (cenotes, ruínas e Akumal). Mas enquanto Tulum pode se comparar à calma de Trancoso, na Bahia, Playa é definitivamente uma mistura das vizinhas baianas Arraial D’Ajuda e Porto Seguro: cheia de gente jovem e festeira, praia (pública) lotada, clima de cidade de médio porte à beira-mar, preços mais baixos para ficar pertinho da praia e muitas opções de resorts (alguns como os de Cancún, porém mais baratos). Não seria a minha escolha, mas, hey, pelo menos você está a poucos metros do mar em qualquer hotel que decidir se hospedar.

 

Finalizo meu post com uma última crítica ao turismo predatório da região:

A degradação da praia de Akumal

 

Conhecida por ser onde tartarugas marinhas verdes se concentram durante o ano inteiro, ela deveria ser um lugar lindo (e acima da água, olhando para o mar, ainda é), mas os milhares de turistas descuidados e mal informados encostaram e mataram os corais da praia, destruindo o ambiente natural onde viviam diversas espécies.

 

Antigamente, Akumal era uma praia cheia de peixes coloridos e vida marinha intensa, com as tartarugas como estrelas do ambiente. Hoje em dia, o fundo do mar mais parece um deserto com poucas algas, coral morto e as pobres tartarugas “pastando” lá embaixo, sob os olhares intrusos de turistas flutuando alguns metros acima com seus snorkels. Elas praticamente precisam pedir licença para conseguir colocar a cabeça para fora sem encostar em nenhum humano (se tiver sorte) e tomar um pouco de ar antes de voltar à areia e às algas lá embaixo.

 

“Mas eu ouvi dizer que é incrível”: claro, se você estiver preocupado apenas em ver tartarugas, como se o mar fosse um zoológico, realmente é incrível, pois elas são muitas e vem fáceis de encontrar. Mas basta ler os posts positivos sobre Akumal nos blogs de viagem por aí que você vai perceber que até o mais deslumbrado dos turistas tem suas críticas em relação à superexploração predatória da área.

 

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Onde há muita gente junta no mar, há uma tartaruga (ou mais) se alimentando no fundo. Sim, são MUITAS tartarugas, mesmo nessas condições terríveis

 

É muito fácil encontrar as tartarugas, que estão biologicamente condicionadas a voltar sempre para a mesma praia: basta alugar um snorkel e entrar no mar (que logo fica profundo) e procurar por elas. As tartarugas são uma beleza, mas vê-las naquele ambiente inóspito me deu muita pena e raiva desse turismo sem o menor respeito à vida natural, que é estuprada pelo “livre mercado”. Sem falar que a praia estava, em janeiro de 2015, cheia de construções ruidosíssimas de novos empreendimentos imobiliários (provavelmente diversos resorts) que com certeza degradarão ainda mais o ambiente. Já degradam, pois a poluição sonora com certeza afeta as tartarugas (que aliás são de uma espécie ameaçada de extinção).

 

Não é um lugar que eu quero voltar de novo, mas ver as tartarugas e o ambiente natural em que elas estão biologicamente forçadas a viver foi uma experiência “choque de realidade” importante. Fiquei sabendo que existem outras praias onde há abundância de tartarugas e a entrada de turistas está proibida – espero que elas continuem assim.

 

Mas Lívia, eu sempre sonhei em ir pra Cancún pra ficar naqueles resorts de luxo e ser tratada como uma rainha na beira do paraíso

Se você realmente deseja pagar caro por uma viagem que vai te isolar de todo o mundo real à sua volta, que tal hospedar-se em um resort aqui no Brasil mesmo? Não é preciso ir até o México ou nenhum outro país para encontrar praias maravilhosas. Nós estamos no Brasil, terra abençoada com algumas das paisagens mais lindas da Terra!

 

Com a grana que você vai gastar indo até Cancún e se hospedando nesses resorts caros, dá pra se hospedar em uma pousada charmosa em Fernando de Noronha e nadar com golfinhos por lá (uma viagem que quero muito fazer, mas ainda faltam recur$o$), por exemplo.

 

Se seu negócio é fazer check-in e não pensar em mais nada, um resort maravilhoso na Costa do Sauípe, se não for o mesmo preço será mais barato e ainda dá pra pagar com cartão de crédito sem medo da flutuação do dólar.

 

Bom, tendo dito isso, ainda acho que vale muito a pena ir até Yucatán e conhecer suas belezas naturais e culturais únicas!

 

Só não vá a Cancún.

Depois não diga que eu não avisei.

 

Booking.com

Um café com vista para o centro de Belo Horizonte

Por se localizar no vale da Serra do Curral, o centro de Belo Horizonte tem poucos mirantes de onde se pode ver a cidade de cima. O jeito é recorrer a um prédio que tenha vista. No começo do ano, descobri o restaurante do Belo Horizonte Othon Palace, de frente pro Parque Municipal, e ele já se tornou um dos meus pontos de observação favoritos na cidade.
Pouca gente sabe, mas o restaurante Varandão, do Belo Horizonte Othon Palace, está aberto também para quem não é hóspede do hotel 4 estrelas mais tradicional da cidade. Pouca gente sabe, mas esse restaurante fica no alto, no 25º andar, bem no centro de Belo Horizonte, e tem janelas amplas em toda sua extensão. É lá do alto que podemos ver o traçado geométrico das ruas, o Parque Municipal até onde a vista alcança, o curvilíneo Viaduto Santa Tereza, o fuzuê do baixo centro e a Serra do Curral emoldurando a cidade, serra que resiste apesar da extração minerária nos municípios vizinhos.

 

Lá de cima, o centro não é barulhento e o caos parece ficar organizado. É um ótimo ponto de descanso dos olhos e das pernas ao final de um dia de turismo pela cidade.

 

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Para ir ao Varandão, basta entrar no hotel, na Avenida Afonso Pena 1050, esquina com Rua da Bahia e Tupis. Atravesse o hall e pegue o elevador até o último andar. Não precisa nem se registrar na recepção (o que talvez seja uma brecha na segurança, mas há câmeras e guarda-costas por todos os lados). Honestamente, não acho a comida do restaurante do Othon tão boa para justificar os preços praticados, mas o cafezinho é justo. Nespresso bem tirado, vem com um biscoitinho gostoso, água com gás e um pau de canela para mexer o açúcar. As melhores mesas são, é claro, ao lado da janela.
Desde que a minha amiga Danielle Pinto me contou da existência e acessibilidade do Varandão, levo os visitantes de fora para um cafezim nas alturas durante o fim da tarde. Quem mora em BH também ficou surpreso, como eu na primeira vez que fui, ao descobrir esse ponto de encontro tão acessível e privado ao mesmo tempo. Não dá pra ver o pôr do sol lá de cima, ele se esconde do outro lado do centro, mas naquela hora mágica todas as cores ficam alguns tons mais quentes, especialmente no inverno. Aí a tarde acaba, o parque se torna uma massa escura lá embaixo e a noite pode começar em outro lugar, com uma cerveja ou um drink nos bares do Edifício Maletta por exemplo. Ou um jantar em algum dos restaurantes novos da Rua Sapucaí, que também é logo ali.

 

O Varandão abre de 11h às 23h. Infelizmente, pois pela manhã o nascer do sol deve ser espetacular. Para ver o astro-rei brilhar atrás do Parque, vai ser preciso mesmo se hospedar no Othon – e madrugar.

 

Hospede-se no centro de Belo Horizonte

Belo Horizonte Othon Palace Hotel (para acordar cedo e ver o sol nascer atrás da Serra do Curral)

Belo Horizonte Plaza

Hotel Nacional Inn

Hotel Financial

Hotel Metrópole

Sul América Palace Hotel

Ibis Styles Belo Horizonte Minascentro

Ibis Belo Horizonte Liberdade

Royal Center Hotel

Samba Rooms Hostel

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Este texto foi publicado primeiro no blog da MaxMilhas (link direto pro post aqui), uma parceria do EUSOUATOA para incentivar mais gente a cair na estrada sem gastar muito dinheiro!

Piquenique na Casa Kubitschek, Belo Horizonte

Eu já tinha ouvido falar que era possível fazer piquenique nos jardins do Museu Casa Kubitschek na Lagoa da Pampulha, mas não conhecia ninguém que já tivesse feito e não sabia como funcionava. Então, quando minha família sugeriu que fizéssemos um piquenique no Dia das Mães, sugeri a Casa para conhecermos o espaço. E, olha, já virou um dos nossos favoritos para piqueniques! Aqui em casa a gente ama fazer esse tipo de programa 🙂

 

O Museu Casa Kubitschek foi montado na casa projetada por Oscar Niemeyer para Juscelino na época que foi prefeito – não é um edifício público, foi financiado pelas contas pessoais do Jussa – para ser uma casa de campo à beira da novíssima Lagoa da Pampulha. Fora essa casa particular, Niemeyer projetou também edifícios públicos: o Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha), a Igreja da Pampulha (que tem belos painéis de azulejo pintados por Portinari), a Casa do Baile (que hoje também é museu e é o meu espaço preferido no complexo) e o Iate Tênis Clube.

 

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Vista da sala da Casa Kubitschek pra Lagoa da Pampulha

 

Juscelino foi dono da casa por pouco tempo: depois de alguns anos, vendeu-a para a família Guerra, que foi a principal ocupante por várias décadas até que a vendeu pra prefeitura, que realizou sua restauração e abriu o museu em 2013. Os móveis em exposição no museu são os que a família Guerra usou ao longo de todos esses anos (alguns não foram restaurados, estão bem caindo aos pedaços). Ainda falta restaurar a casa de frente pra piscina, no fundo do terreno, mal posso esperar para abrirem pra ir lá visitar! Ainda que falte esse toque final, a casa já está super preparada para receber visitantes – e a entrada é gratuita! 

 

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Mamãe e suas filhas no piquenique <3

 

Os jardins nos fundos da casa, entre a casa principal e a piscina, são o espaço destinado a piqueniques. Eles oferecem esteiras de palha e sacos de lixo para ajudar na organização do evento. A principal limitação é o número de pessoas: são no máximo 15 convidados – ideal mesmo para um piquenique de Dia das Mães ou outra comemoração íntima. Também é importante ressaltar que não é permitido levar bebidas alcoólicas nem entrar na Casa Kubitschek com comida. Uma vantagem é que vira uma festa particular: só pode um grupo por vez! E olha que ótimo: é gratuito!

 

Para fazer o seu piquenique, basta mandar um email para a administração do museu e marcar a data ck.fmc@pbh.gov.br

 

Além de termos o espaço do jardim só pra gente, o monitor de plantão no museu também fez uma visita guiada no final do piquenique.

 

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Corredor da casa, ao fundo está a parte superior da sala e no primeiro plano, Juscelino jovenzinho. Fiquei apaixonada por essa parede com tijolos de vidro, que permitem a entrada de muita luz sem perder a privacidade!

 

Gravei uma série de snaps (usando o snapchat. Me segue lá: eusouatoa) mostrando como foi o piquenique e o tour pela casa que fizemos depois da comilança. Baixei tudo e subi no youtube, espero que gostem!

 

Bom, é isso! Espero que esse post inspire muita gente a ir conhecer a Casa Kubitschek e a fazer piqueniques em seu lindo jardim!

 

Fiquem agora com o funk que não sai da minha cabeça desde que comecei a escrever esse post:

 

Alguns hoteis/hostels em BH:

Samba Rooms Hostel

Hostel Savassi

Home Center Hostel

Adrena Sport Hostel

Hospedagem Real

Ibis BH Liberdade