Dicas para economizar em Bariloche no inverno

Minhas irmãs Marina (26) e Sofia (14) fizeram uma viagem dos sonhos a Bariloche, sul da Argentina, em julho deste ano e, é claro, elas tinham que escrever sobre a experiência aqui no blog! As duas foram para lá com o objetivo de conhecer a neve, descansar e comer! Bariloche é famosa em toda Argentina pelo seu chocolate e pelas belas paisagens, então não preciso dizer que elas voltaram um pouco mais cheinhas e felizes.

 

Neste post, Marina escreve dicas para economizar em Bariloche que não encontrou em suas pesquisas antes da viagem.

 

Fato que o jeito mais barato de economizar indo pra lá é indo no verão, quando dá pra acampar, percorrer tudo à pé, tomar sol na beira do lago, fazer longas caminhadas pelas florestas e piquenique ao ar livre no meio das montanhas (aliás, é uma viagem que quero muito fazer!), mas se o que você está procurando é neve, esqui, chocolate quente e montanhas salpicadas de branco, as dicas da Marina vão poder te ajudar a gastar menos nesse sonho!

 

Fez uma viagem incrível e quer compartilhar dicas com os leitores do blog? Me manda um email que eu publico! livia.aguiar@gmail.com

 

Com a palavra, Marina, minha irmã 🙂

 


bariloche-eusouatoa

 

Essa história que a Argentina é barata já está ficando para o passado. Com inflação de anual de 38% em 2014 e sem muita alteração no câmbio real/peso argentino, as coisas lá – especialmente para o turista – não são mais tão baratas.

 

Se acrescentar a desvalorização recente do real, então, rapidamente chega-se a conclusão que um pouco de economia na viagem cairá muito bem para não deixar de lado aquele sonhado contato com a neve ou aquele passeio que parece imperdível!

 

Como economizar em Bariloche no inverno

1. Onde você se hospeda faz diferença

Às vezes a gente pensa que o melhor é ficar num hotel confortável, com vários funcionários e muitos quartos…

 

MAS o atendimento personalizado (feito pelos próprios donos) de um local pequeno é aconchegante – e eles podem revelar os segredos do lugar para você.

 

 

Optei por ficar no Kospi Boutique Guesthouse, que tem o clima informal de um hostel, onde os espaços comuns são convidativos e existe cozinha disponível para os hóspedes, sem a necessidade de dividir o quarto e banheiro com desconhecidos (o que também pode ser muito legal, mas não era o que queria para essa viagem).

 

Os donos do Kospi, Juan e Lucía, são jovens, super interessados em agradar os hóspedes e cheios de dicas de passeios! Juan é formado em turismo e nos ajudou a montar nosso roteiro durante os sete dias que ficamos lá. Ele arranha um português e me ajudou a melhorar o meu (pouco) espanhol. Lucía também deu ótima dicas, mas o que me chamou atenção nela é o fato de  que é ela quem faz os deliciosos pães caseiros que comemos no café da manhã <3. O carinho com que eles atendem os hóspedes é chamativo nos comentários do Kospi no booking e foi um dos motivos da minha escolha de hospedagem!

 

cafe da manhã Kospi

Foto de divulgação do café da manhã do Kospi Boutique Guesthouse – os pães são todos feitos pela Lucía, dona da hospedaria <3

 

A vantagem da cozinha para os hóspedes é inquestionável no lado financeiro – é muito mais barato cozinhar, pedir pizza no telefone ou comprar algo pronto numa casa de comida que sair para jantar. Mas a cozinha também cai muito bem depois de um dia cansativo brincando na neve <3

 

O fato de não precisar tirar as roupas molhadas de neve derretida, colocar outra e sair para mais um programa é muito confortável. No Kospi essa era a escolha de muitos, especialmente das famílias com crianças, pois elas chegavam dormindo depois de brincar de ski-bunda até a exaustão.

 

 

2. Se os argentinos farofam, você também pode

 

Apesar de Bariloche ser conhecida no inverno como Brasiloche – pela grande quantidade de brasileiros no lugar – os argentinos também são uma figura presente em vários passeios pela cidade.

 

Maaaaasss eles fazem um tipo diferente de turismo que barateia MUITO a viagem: levar comida na mochila. Chega a ser curioso.

 

Em um dos passeios que fiz teve uma pausa para o almoço e as nacionalidades se dividiram entre a turma do piquenique (argentinos) e os que foram para o restaurante superfaturado para turistas (brasileiros).

 

Como mineira acanhada, normalmente poderia ter vergonha de ficar levando lanchinho para todos os cantos, mas ser mais um farofeiro no meio dos argentinos torna tudo mais fácil! E é impressionante o tanto que a viagem fica mais barata adotando esse costume. Afinal, não dá viver num país em crise ha tanto tempo e parar de viajar.

 

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Sofia e Marina em Piedras Blancas, antes de ir escorregar de ski-bunda

 

Adaptar é preciso! Achei super fácil seguir o exemplo dos hermanos e colocar uma garrafa de água e uns sanduiches na mochila (compra-se prontos numas “casas de comida” ou faz-se com pães e queijos do supermercado). Nada vai estragar e a água não vai ficar quente com a sua mochila próxima à neve o tempo todo! Para ter uma ideia da economia, no inverno de 2015, a garrafa de água de 2L custava 9 pesos no Carrefour e uma de 300ml custava 20-25 pesos nos pontos turísticos.

 

2. Leve dólares e troque nos locais de alugar roupa de frio

Com a loucura do câmbio paralelo, o seu dinheiro rende muito mais se for trocar no câmbio paralelo. Honestamente, tive medo de levar todo o dinheiro que planejei gastar lá, assim, ao vivo! Mas levamos tudo escondido na roupa, dentro de uma doleira, e o dinheiro rendeu mais, aumentando as possibilidades da viagem.

 

Agora, o que não me contaram e eu descobri lá é que podemos trocar nossos dólares em um local, digamos, mais seguro e com uma taxa de câmbio bacana (um pouco mais baixa que a corrente na famosa calle Florida): as lojas de aluguel de roupas.

Nada de entrar numa sala escura com uma pessoa com cara de quem vai querer te passar a perna.

 

4. É mais barato e fácil aprender a esquiar no Winter Park, no Cerro Otto

Aprender a esquiar exige muita paciência – e tombos. Realmente não é fácil. Uma ótima dica que recebemos no Kospi, e depois confirmada por outros turistas que encontramos na cidade, é aprender a esquiar no Winter Park, no Cerro Otto.

 

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Sofia tentando aprender a esquiar. Os joelhos estavam doendo no final da manhã!

 

Eles são um centro de ski para iniciantes totalmente preparado para receber aquela pessoa (tipo eu), que nunca esquiou na vida. Ao pagar o passe de entrada você tem direito aos equipamentos extras (bota de ski e patins), aula de ski de pelo menos duas horas e mais pelo menos duas horas livres nas pistas de iniciantes (dependendo do pacote escolhido – preços no site).

 

A grande vantagem de aprender lá é que os iniciantes medrosos não se misturam aos mais ágeis (o que facilita o processo de aprendizagem) e que ao somar entrada, aula e equipamentos, lá é mais barato que aprender a esquiar no Cerro Catedral.

 

A última vantagem, especialmente para eu e Sofia, que fomos as piores alunas da turma de ski, é que o Winter Park fica ao lado (100 metros de distância) de Piedras Blancas , que tem 5 pistas de ski-bunda e diversão garantida.

 

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Piedras Blancas, centro de ski-bunda

 

Para aproveitar o dinheiro gasto com o translado (não chegam ônibus até as portas dos parques), fizemos as aulas de ski de manhã e passamos a tarde descendo as montanhas cheias de neve com um trenó que não exige nenhuma técnica complexa – apenas se jogue e divirta-se!

 

5. Ande de ônibus

Sair do seu local de hospedagem para seu destino usando o transporte público pode baratear MUITO a viagem. As distâncias são longas e o local é turístico: combinação perfeita para transporte particular ser caro.

 

Lá o sistema de vans (translado) que você marca, eles te buscam e deixam no hotel junto com outras pessoas que vão ao mesmo destino que você funciona muito bem. Essa brincadeira pode custar de 100 a 200 pesos por pessoa.

 

Por outro lado, a passagem de ônibus custava aproximadamente 15 pesos!

 

Pegar ônibus fica mais fácil depois que você passa no ponto de atendimento ao turista no Centro Cívico e pega o papel com as informações necessárias: linhas, trajetos e horários. Muito prático!

 

O único ponto negativo é que só se pode pagar o ônibus com cartão (que é fácil de ser comprado e inserir créditos). Se não conseguir comprar um cartão ou estiver sem créditos no momento, é possível perguntar para as pessoas no ônibus se alguém pode passar o cartão e você entrega o dinheiro correspondente – sempre tem alguém.

 

6. Pesquise o itinerário e tempo dos passeios de barco

Existem dois principais passeios de barco que partem (e voltam) de Puerto Pañuelo: para a Isla Victoria e bosque de Arrayanes e para Puerto Blest e cascata de los Cántaros.

 

Os dois custam o mesmo preço, mas apresentam uma diferença significativa: o primeiro dura 4 horas e meia e o segundo 7 horas e meia. Não sei o porquê, mas minhas pesquisas pre-viagem não me contaram da existência do passeio a Puerto Blest e, por ele ser mais longo e custar o mesmo que o para a Isla Victoria, optei por ele.

 

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Apesar de ter amado brincar na neve, nada se comparou a paz desse passeio de barco – que ficou sendo meu passeio favorito. Apreciar a vista do lago Nahuel Huapi cercado de montanhas congeladas e suas cachoeiras formadas do desgelo me trouxe a tranquilidade que precisava no meu período de férias.

 

Nele, você pode seguir o truque argentino e farofar durante todo o tempo: coma o que quiser no barco e na parada em Puerto Blest sem constrangimento, dividindo as mesas com os hermanos. Outras opções são comer na lanchonete do barco (preços normais dos lugares turísticos) e almoçar no delicioso restaurante (100-150 pesos o prato).

 

O passeio em sí é muito diversificado. Uma hora de ida e volta de barco, parada em Puerto Blest, onde existe um hotel/ restaurante e vista linda, caminhada opcional de 3km no meio do parque até o início da cachoeira (ou ida até ela de barco) e subida de 700 degraus para apreciar de perto a cascata de los Cántaros – cachoeira formada pelo desgelo.

 

 

Ao final, foram tantas pequenas (grandes) economias que gastamos muito menos que esperávamos. Com dinheiro sobrando, aproveitamos para fazer alguns passeios mais caros, porém inesquecíveis como o Roca Negra e chá da tarde no fabuloso hotel/resort Llao Llao.

 

Espero que as dicas sejam boas e ajudem os leitores do blog a curtir Bariloche ao máximo sem estourar o orçamento 😉

 


 

As fotos deste post foram tiradas por Marina Aguiar, cedidas gentilmente ao blog <3, exceto pela foto da mesa do café da manhã do Kospi Boutique Guesthouse, retirada de sua página no Booking.

 

Foi a um lugar bacana e quer compartilhar seu email de viagem com os leitores do blog? Encaminhe para livia.aguiar@gmail.com

 

Reserve sua hospedagem em Bariloche:

Kospi Boutique Guesthouse – donos simpáticos, boa localização, cozinha disponível para preparo de refeições 🙂

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