Tudo que você precisa saber para planejar sua viagem para Mianmar

Mianmar, Myanmar, Birmânia, Burma. O país tem muitos nomes, muitas complexidades, mas vou deixar todas as considerações políticas e econômicas que você precisa saber antes de sua viagem para Mianmar para esse post aqui, escrito em 2012 logo depois que voltei de lá.

 

Algumas coisas que conto nos posts sobre o Mianmar podem ter mudado, porque o país está se transformando em rapidez assustadora desde o fim do embargo econômico europeu e estadunidense – mais um motivo para ir nesses lugares e conhecer essas pessoas antes que eles se percam para sempre.

 

Considerações iniciais sobre sua viagem para Mianmar:

Depois que você ler o post sobre as considerações políticas, vale a pena ler este post introdutório sobre o Mianmar, que explica sobre o governo autoritário terrível de lá, informa sobre o que pode e não pode no país e como burlar alguns dos controles impostos pela ditadura.

 

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Amigos que fiz em Pakokku me levaram para conhecer o mosteiro e os monges que participaram da Revolução Açafrão, que tentou (sem sucesso) derrubar o governo ditatorial do Mianmar

 

O melhor do país são as pessoas

Entrar em contato com elas, ouvir suas histórias, contar as suas. Por isso, a bicicleta é um ótimo meio de transporte: todo mundo anda de bike (exceto em Yangon, onde os estrangeiros são proibidos de usar a bicicleta – motos também são proibidas na cidade) e você consegue parar a qualquer momento quando algo chamar a sua atenção.

 

A cultura é bastante diferente dos países em volta. Meninos e meninas usam o thanaka (maquiagem que é uma laminha feita com pó de uma madeira do Mianmar) para se proteger do sol, se refrescar. As mulheres adultas também o usam bastante. Além da função prática, o thanaka também tem uma função estética: eles fazem desenhos geométricos e que imitam formas da natureza com a lama em seus rostos. Vale a pena experimentar uma vez. O thanaka realmente aplaca o calor, é uma lama fresca!

 

Muitos homens ainda usam o longyi (saia tradicional masculina), que também era usado na Índia. As mulheres também usam roupas com formas tradicionais – difícil ver alguém de calça no interior do país.

 

Infelizmente desde o fim do embargo econômico por parte da União Europeia e Estados Unidos isso está mudando nas grandes cidades. Amigos que foram ao Mianmar ano passado me disseram que viram vários homens de calça – impensável em 2012! Mas é só se afastar um pouco dos centros urbanos para encontrar pessoas que ainda mantém suas tradições.
Os birmaneses são um povo agrário, todo mundo acorda cedo e vai dormir cedo. Pouco depois do cair da noite, já não existe mais nada pra fazer no Mianmar, exceto nos lugares para turistas. Então vale a pena acordar praquele nascer do sol de vez em quando, viu? Mais sobre isso abaixo.

 

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Ponte U-Bein

 

A segunda melhor coisa são as paisagens, tanto naturais quanto feitas pelo homem – e a mistura bela dos dois elementos

Nunca perca um pôr do sol no Mianmar. Eu diria mais: nunca perca o nascer do sol e o pôr do sol, mas nem sempre é possível fazer os dois, rs. Tem gente que fala que esse é o motivo 1 pra ir ao Mianmar, mas pra mim as pessoas são ainda mais maravilhosas.

 

As cores do céu são impressionantes por si só, cada dia é diferente e você vai querer gravar todos na sua mente pra reprizar de vez em quando depois que voltar.

 

Somados à natureza, os telhados banhados a ouro dos templos antigos e novos reluzem na luz do poente – eles são feitos pra isso.

 

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Bolinhos de arroz com tempero inesquecível

 

A terceira melhor coisa do país são as comidas

Não que você vá encontrar uma alta gastronomia. E a carne nem sempre é gostosa – pense num país com poucos recursos e baixa renda!

 

Porém… tudo é fresco, de estação, feito pelas avozinhas birmanesas. Na dúvida sobre a procedência, coma vegetariano – por causa do budismo, a culinária vegetariana é deliciosa e a carne não vai fazer falta.

 

Coma o máximo de vezes em mercados e postinhos na rua que puder: lá está o verdadeiro sabor. Os birmaneses têm temperos diferentes da Índia, da Tailãndia, da China. São ingredientes muito próprios de lá mesmo.

 

Não espere carnes maravilhosamente macias e sim preparações tradicionais interessantes. Coma com a cabeça aberta, experimente de tudo.

 

Muitas pessoas mascam a noz de betel o dia todo – e cospem um catarro vermelho na rua mesmo, sem cerimônia. Aviso para você não estranhar demais! Eu experimentei uma vez no mercado de Mandalay e fiquei zonzíssima… não curti.

 

Informações práticas

Quando as pessoas viajam ao Mianmar, existem quatro roteiros imperdíveis, apelidados de Fab Four: Mandalay, Yangon (cidades de entrada), Bagan e Lago Inle. Todo turista tenta conhecer pelo menos os quatro lugares. Eu não consegui ir ao Lago Inle, então minhas dicas sobre o lugar são dicas de amigos que me ajudaram a fazer meu roteiro pros lugares que eu consegui ir.

 

Se você estiver voando com a Air Asia (e eu recomendo por ser mais barata e não ser uma companhia aérea do governo) recomendo voar primeiro pra Mandalay e voltar por Yangon, para evitar o longo deslocamento do norte pro centro do país duas vezes.

 

Na época que eu fui, não existiam muitos hoteis autorizados pelo governo com preços acessíveis em Yangon e Mandalay, recomendo reservar lugar nessas duas cidades com antecedência. Já Bagan e Lago Inle são tão turísticos que você não vai ter tanta dificuldade de procurar o melhor hotel quando chegar lá – mesmo assim, você consegue reservar antes.

 

Os deslocamentos entre cidades são longos – não parece, mas o Mianmar é um país grande! Os horários de ônibus são confusos, então vale muito a pena ir à rodoviária do lugar reservar o seu assento com antecedência. Só assim você vai saber os horários certos (mais ou menos) de viagem.

 

Aviso: os ônibus quase todos têm TV com uma programação intensa de karaokê, novela, filmes de comédia e músicas budistas birmanesas. A noite inteira. Leve protetor de ouvido e cobertorzinho, porque o ar condicionado também é muito frio.

 

Na verdade, eu preferia ir nos ônibus mais locais e toscos porque eles não tinham TV nem ar, aí conseguia dormir melhor. Mas eu não me importo com as situações roots, né. De qualquer maneira, os ônibus fazem várias paradas misteriosas durante a noite. Tanto para deixar e recolher pessoas no caminho quanto para que a polícia confira a permissão pra viajar de todo mundo do ônibus. Muitas vezes é um check-up só pros locais e você pode ficar dormindo na sua poltrona, mas de vez em quando você também vai ter que descer e mostrar a sua passagem.

 

Em duas situações você vai ter que pagar alguma coisa na estrada (que não vai ser propina): pra comprar ingresso de entrada em Bagan e do Lago Inle. Pelo menos na época que eu fui, eles eram vendidos em postos policiais antes de chegar nos destinos – e você vai precisar deles pra fazer check-in no seu hotel.

 

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Mãe e filha posam para foto em Yangon, com seu trishaw do lado, que usam para fazer entregas pela cidade

 

Recomendo fortemente voar dos destinos no norte (Mandalay, Bagan ou Lago Inle) para Yangon, se possível – é a viagem mais longa de todas e os ônibus do Mianmar são mesmo de matar. A única parada interessante no caminho seria em Naypyidaw, a capital Brasília-feelings do Mianmar, mas a cidade é proibida pra estrangeiros, então… você não vê nada dela. A estrada faz um desvio e o ônibus é proibido de parar, inclusive.

 

Falado isso, quanto menos você comprar de órgãos governamentais, melhor. O estado do Mianmar pode até estar “mais aberto” e “mais amigável” do que já foi, mas ainda é um governo super totalitário, controlador, opressor e realmente do mal. Você vai entender isso quando conversar com as pessoas lá. Aliás, você provavelmente vai falar muitos sobre política quando tiver lá. Mas não force a barra, o país tem um histórico de espiões do governo (eles ainda existem), então deixe os birmaneses conduzirem a conversa e não insista se eles não quiserem mais conversar sobre o assunto. Você vai perceber a opressão e medo das pessoas também. Por isso que eu bato na tecla de encontrar pessoas só pra bater papo mesmo, assim você vai poder entender mais da realidade do país.

 

Sobre impressões do trânsito no Mianmar, recomendo a leitura desse meu post (que saiu na Revista Autoesporte em 2012)

Mianmar Fab Four

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Mandalay

Se voar para Mandalay de Air Asia, você vai chegar à tarde e vai querer fazer logo seu check-in, trocar dinheiro (sempre no banco!!!), comer e dormir. Nessa ordem 😉 E não perca o pôr do sol, claro! Mandalay é uma cidade agitada e barulhenta, bem sudeste asiático. Muitas motos, muito barulho de motor.

 

Lá, o interessante é conhecer o mercado, pedalar pelo centro (vale a pena circundar o Palácio Real), subir o Monte Mandalay (pôr do sol!) e sair de Mandalay para day-trips.

 

Bicicleta: sua melhor amiga em Mandalay, como contei aqui.

 

No vídeo abaixo, mostro minha viagem (de mochilão e tudo) do hotel em Mandalay até a rodoviária em um trishaw (bicicleta com um sidecar (onde estou sentada).

 

Bem pertinho está a Ponte U-Bein, a ponte de madeira mais longa do mundo.

 

Ela é linda e perto de Mandalay, vale a pena alugar uma bike e pedalar até lá antes do nascer do sol e ter a ponte só pra você e pros monges do monastério de Amarapura. Aliás, ver o ritual de alimentação dos monges pela manhã também é uma coisa interessante a fazer antes de voltar pra Mandalay de bike.

 

Num outro dia, eu pegaria um tour de tuk tuk (basta contratar um tuk tuk na rua mesmo) para conhecer Inwar e Sagaing, outras duas cidades perto que são bonitas, – e voltar à Ponte U-Bein no final do dia para o badalado pôr do sol.
Planeje os três dias em Mandalay para você conseguir pegar um ônibus pra Bagan no final do terceiro dia.

 

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Amigos que conheci em Pakokku – à minha esquerda está o professor Collins, dono da escola de inglês que fez minha estadia em Pakokku inesquecível

 

VISITA EXTRA: Pakokku

Se você tiver tempo, recomendo fortemente uma noite em Pakokku, entre Mandalay e Bagan. Fique na guesthouse da Mya Yatanar (não está no booking.com), a versão birmanesa da sua mãe. Mya é dona do primeiro hotel de Pakokku, fala super bem inglês, é velhinha e fofa. O hotel dela não é grandes coisas, mas é barato e ela tem muitas histórias pra contar sobre os tempos antigos no Mianmar, vale a pena.

 

Em Pakokku, vá à escola de inglês do Mr Collins (pergunte pela cidade) e seja voluntário por um dia: você vai poder conversar com os alunos dele, fazer todas as perguntas que tiver sobre a cultura e história do Mianmar (acredite, você vai ter várias dúvidas e esse vai ser um caso raro de conversa informal e despojada com gente que fala bem inglês) e ainda pode dar sorte de ser levado em um tour pela cidade, como aconteceu comigo e contei aqui.

 

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Bagan

Existem três cidades dentro do sítio arqueológico de Bagan: Old Bagan (no meio meio meio das ruínas, cidade que hoje só tem hoteis de luxo), New Bagan (cidade pra onde as pessoas que moravam em Old Bagan foram despejadas, urgh) e Nyaung-u (cidade normal birmanesa na lateral da área das ruínas). Recomendo ficar em Nyaung-u para você poder ter tanto a experiência “ruínas” quanto ter contato com as pessoas locais, comer em restaurantes locais, etc.

 

Vá conhecer Bagan de bicicleta pelo menos UM dia, pra você poder parar em qualquer templo, em qualquer lugar, pra apreciar a paisagem. Os melhores templos são aqueles que você consegue subir e ver todos os outros lá de cima. os templos em si são médio interessantes, o bonito MESMO é a paisagem em volta, a planície salpicada de construções douradas sobre a terra dourada – imagina no pôr do sol. O nascer do sol também é um espetáculo (e mais vazio).

 

Leve água e lanchinhos, ou então vá perto dos templos badalados pra comprar mantimentos dos vendedores ambulantes, não existem muitos restaurantes na região!

 

Numa viagem ideal, eu recomendaria que você pegue a bike num dia bem cedinho, veja o nascer do sol, passearia tudo, descanse no hotel e volte de bike pras ruínas no meio da tarde pra ver o pôr do sol lá. Depois, no segundo dia recomendo que acorde mais tarde pra descansar e vá de tuk tuk passear nos lugares mais longes. No terceiro dia, você pode fazer um passeio de balão pelas ruínas ou voltar de bike pra repetir templos que mais gostou, ou conhecer uma outra parte da região.

 

Fotos e impressões sobre a cidade, escritas enquanto estava lá, estão neste post aqui.

 

Lago Inle

A única cidade realmente de mochileiros que você vai conhecer no Mianmar fica às margens do lago Inle: Nyaung Shwe. Ela fica à beira do lago, tem aeroporto (que você vai usar pra voar pra Yangon!), tem hoteis de todos os níveis de luxo, do pé de chinelo baratinhos ao com cara de spa pra relaxar e fazer massagens.

 

Como disse antes, eu não conheci o Lago Inle, porque fiquei “presa” em Bagan (mais sobre a história aqui), então essas são as impressões de amigos meus, Javier e Claudia. Eu confio neles porque eles me ajudaram a montar meu roteiro pelo Mianmar e todas as dicas deles que eu segui nos outros lugares foram ótimas.

 

Javi e Clau me recomendaram ir de barco ao vilarejo flutuante e à ilha com pagodas bonitas. E disseram que o mercado flutuante é uma cilada pra turistas!

 

Recomendo a leitura (em espanhol) do blog dos dois, da época que viajaram pelo mundo, da Espanha ao México de 2011 a 2013 . Eles são um casal de espanhóis bascos sensacionais! Eles depois de ir ao Mianmar, eles continuaram sua viagem pelo Sudeste Asiático, Oceania e América do Norte de bicicleta. Eles voltaram pra Espanha e estão atualmente de férias na Islândia – também pedalando e acampando o caminho inteiro (mas infelizmente eles não mantêm o blog 🙁 ).

 

Bom, a sua viagem está chegando ao fim. Última parada:

 

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Yangon

Yangon foi a última capital do Mianmar antes do governo louco deles decidir construir Naypyidaw. É proibido buzinar e andar de moto lá, então a vibe vai ser COMPLETAMENTE DIFERENTE das outras cidades que você visitar no país.

 

Recomendo ficar hospedado perto da Sule Pagoda (Sule Phaya), porque fica perto do mercado de flores matinal, do mercado de artesanato (presentes birmaneses que faltarem podem ser comprados aí!), das ruazinhas que cortam a Av. Maha Bandoola, cheias de barraquinhas de comida deliciosas e também de cafés com internet (artigo raro no Mianmar), caso precise conferir alguma coisa no seu voo de volta. Recomendo fortemente uma loja de iogurtes artesanais muito local que fica na própria Av. Mahabandoola, mas você vai ter que perguntar por aí onde exatamente ela fica e se ainda está aberta. O dono já foi lutador profissional de kung fu e tem vários pôsteres dele na parede. Na TV, quando eu fui, tava passando Karate Kid.

 

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De imperdível, Yangon, além da região em volta da Sule Phaya, tem a Shwedagon Pagoda (foto acima), um templo maravilhoso impressionante que deve ser visitado à tarde, pra você poder conhecer tudo antes do pôr do sol e depois ficar só admirando as cores e as pessoas fazendo rituais de fim de dia lá dentro.

 

No dia do seu voo de volta, se estiver em Yangon, pegue um taxi (divida com a galera do hotel, geralmente todo mundo pega o mesmo vôo pra Bangkok) uma hora antes da sua hora de check-in, porque o aeroporto fica longe!

 

Enfim, é isso!

 

Espero que este post ajude você a planejar sua viagem! As ideias postadas aqui são um bom roteiro para uma viagem de 15 dias pelo país.

 

Com mais tempo, é possível ir conhecer o estado Shan (um dos que ainda tem resistência contra o governo e o único deles que turistas são autorizados a visitar – vá a Hsipaw!), a Pedra Dourada (Kyaikhteeyoe), uma pedra banhada a ouro no alto de uma montanha, as praias ao sul, sendo que a Ngwe Saung é a principal e mais famosa (pra isso você vai precisar de mais tempo de viagem!!).

 

São tantos lugares que me faltam visitar que já estou com vontade de voltar pro Mianmar!

 

 

Mianmar: como levar dinheiro para sua viagem

Quando fui ao Mianmar em 2012, não exisitiam caixas eletrônicos. Bom, existiam, mas apenas de bancos chineses (seu Visa ou Mastercard não iam funcionar). Hoje em dia, já é possível encontrar caixas eletrônicos de bancos ocidentais em Yangon e Mandalay, mas mesmo assim eles não são muito confiáveis.

 

A melhor maneira de levar dinheiro para sua viagem para Mianmar é em espécie. Dólares. Dólares novíssimos, de preferência

 

Tá, pra você entender o governo do Mianmar e como as coisas são complexas por lá, primeiro leia este post e depois este outro. Escrevi eles logo que voltei do Mianmar, com as informações frescas na cabeça e o coração apaixonado pelo país, apesar de tantos pesares políticos e econômicos.

 

Bom, agora que você já entendeu como o governo do Mianmar é zoado (até hoje, não se deixe enganar pela “democracia” encenada pelos militares ditadores), vamos às informações práticas pra você que quer conhecer o país – e que com certeza vai se apaixonar pelas pessoas.

 

A moeda oficial do Mianmar é o kyat (pronuncia-se “tchat”) e você só consegue comprá-lo lá, no país.

 

A moeda preferida de troca é o dólar.

 

Isso se dá porque o governo do Mianmar lava (ou lavava??) dólares conseguido com tráfico de armas (história não oficial, claro), por isso os estrangeiros devem levar notas de dólares lindíssimas novíssimas como se nunca tivessem sido usadas (pensa que o dinheiro lavado pelo governo também chega assim lá, em malas – ou cuecas?).

 

Quando for trocar dinheiro para ir ao Mianmar, peça notas de dólares novíssimas, de preferência de 100 dólares – elas são mais cobiçadas.

 

Levei meu dinheiro dentro de um envelope, sem dobrar, dentro da doleira (que levo sempre comigo por baixo da calça). Uma vez no Mianmar, troque dinheiro apenas no banco – ou no seu hotel. O melhor é no banco mesmo, em Mandalay e Yangon, que tem taxa de câmbio melhor do que no hotel. Quando sair do aeroporto, pague o taxi da chegada em dólares mesmo ou troque um pouco no aeroporto (se der).

 

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5 mil kyat, a moeda mais valiosa do Mianmar. Ela equivale a, mais ou menos, 5 dólares. Sim, isso significa que você vai andar com muito dinheiro no bolso.

 

Leve dinheiro suficiente para todo o seu tempo lá, porque, como já disse antes, os poucos caixas eletrônicos existentes não são confiáveis. Eu levei dólares a mais do que pensei que precisaria na viagem exatamente para o caso de uma emergência. Mantenha seu dinheiro o tempo todo com você, na doleira, ou em um locker no hotel, assim você fica tranquilo.

 

Como a maior nota do país equivale a 5 dólares (essa da foto), você já pode ir preparado para andar com muitos maços de dinheiro!

 

O Mianmar é um país relativamente seguro, muito mais seguro que o Brasil sem dúvidas, e o mais seguro dos países do Sudeste Asiático. Os golpes contra turistas são raros e geralmente acontecem só onde é muito turístico, tipo perto dos hoteis em Yangon. Mesmo assim, pra nós brasileiros escolados, os golpistas de lá são amadores. Tome cuidado, mas não precisa ficar na paranoia.

 

Um bom preparativo para ter noção dos preços de lá é dar uma olhada nos hoteis e reservar sua hospedagem, pelo menos nos lugares de chegada e saída do país (Yangon e Mandalay). Hoteis nessas cidades ficam totalmente reservados com um mês de antecedência, dependendo da temporada!

 

Em Mandalay, recomendo ficar entre o Grande Palácio e o Mercado. Existem várias opções de hotel no booking.com.

 

Em Yangon, o melhor é ficar perto da Sule Phaya (Sule Pagoda), que está próxima a vários pontos turísticos à pé e tem muitos restaurantes locais e fofos.

 

Hospedagem e os deslocamentos de ônibus, avião ou trem serão seus maiores gastos no país. A partir dos custos de hoteis, você pode acrescentar alguns dólares para comida (5 a 7 dólares por dia, se você estiver econômico) e pesquisar quanto estão custando os voos das companhias aéreas do Mianmar para os grandes deslocamentos (Yangon-Mandalay é o mais longo deles).

 

On the safe side, eu colocaria um orçamento de 30 dólares por dia + tarifa do hotel para sua viagem ao Mianmar.

 

É, o Mianmar não é um país tão barato quanto os seus vizinhos do sudeste asiático, mas vale a pena ir antes que ele se modifique totalmente com a abertura econômica!

 

Neste post, você lê sobre as exigências de visto para o Mianmar e como consegui-lo. Acesse outros posts sobre o Mianmar nesta categoria do blog.

Como tirar visto para Mianmar (no Brasil e na Tailândia)

Antes de viajar para qualquer lugar, é preciso se perguntar sempre: vou precisar de visto?

 

Para o Mianmar, a resposta é SIM. Para brasileiros, as melhores alternativas para tirar visto para Mianmar é fazer isso antes no Brasil ou em Bangcoc, capital da Tailândia, quando você estiver na região. Eu tirei em Bangcoc, já que estava no começo de minha viagem para o sudeste asiático.

 

Primeira coisa a considerar: o visto para o Mianmar vale por 3 meses, contando a partir da data de emissão.

 

Isso significa que não adianta você tirar o visto com muita antecedência, tem que fazer o procedimento próximo à data da viagem mesmo.

 

Seu passaporte tem que ter validade mínima de mais 6 meses e conter duas páginas em branco para que o seu visto seja colado nele. Uma vez dentro do país, o tempo de permanência é de no máximo 28 dias com o visto de turista.

 

Tirar visto para Mianmar em Bangkok

Se você estiver planejando uma viagem mais longa pela Ásia, for passar pela Tailândia e o Mianmar não for a sua primeira parada, sua melhor opção é tirar o visto em Bangcoc.

 

A embaixada do Mianmar em Bangkok emite o visto em 24h. Chegando na capital tailandesa, vá na embaixada o quanto antes e tire seu visto a tempo. Para chegar na embaixada do Mianmar, basta pegar o skytrain (metrô de superfície de Bangcoc) – chegue CEDO porque é por ordem de chegada!

 

Para tirar seu visto em Bangkok, você vai precisar do seu passaporte, claro, da taxa de emissão do visto (810 baht, aproximadamente 23 dólares), de fotografias tamanho passaporte e cópias do formulário de visto que você compra numa lojinha ao lado da embaixada – peça informações no balcão ou pra estrangeiros na fila que já tiverem o formulário nas mãos.

 

É bem fácil, mas leve dinheiro vivo pra pagar pelas taxas, cópias do formulário e pela foto. É melhor tirar a foto lá na lojinha porque é um formato específico super chato – e tirar a foto na hora não sai caríssimo. Estamos na Tailândia, afinal.

 

Mais informações sobre como tirar o visto para Mianmar em Bangkok aqui (em inglês).

 

Tirar visto para Mianmar em Brasília

Para tirar o visto no Brasil, é preciso ir pra Brasília e entregar:

 

  • Duas cópias de dois formulários preenchidos, o Formulário de pedido do visto de turista e o Formulário de Relatório de Chegada
  • Colar em cada um dos 4 formulários uma foto tamanho passaporte colorida.
  • Seu passaporte com 6 meses de validade no mínimo e 2 páginas em branco (o visto será colado em uma delas)
  • Cópias das emissões de passagens aéreas para o Mianmar (entrada e saída)
  • Cópias das confirmações de reservas de hoteis (se você já tiver reservado algum). Recomendo reservar pelo menos a chegada no Mianmar!

 

A taxa de emissão do visto é 75 reais.

 

Horários da Embaixada do Mianmar no Brasil:

Entrega dos papeis pro visto: 10h às 12h

Recolhimento do passaporte com o visto já colado: 13h às 17h.

 

Se você não puder ir a Brasília ou não tiver tempo ou grana pra isso, você também pode mandar seu passaporte pelo correio (envio registrado, pelo amor de deus, você não quer perder seu passaporte!) para:

 

EMBASSY OF THE UNION OF MYANMAR

SHIS QI 25 Conjunto 5 Casa 14 

Lago Sul
Brasília-DF
CEP: 71.660-250

 

Mais informações sobre visto para Mianmar, com a embaixada do Mianmar no Brasil:

http://www.myanmarbsb.org (desligue o som do site no banner superior à esquerda)

Tel: (+55-61) 3248 3747

Fax: (+55-61) 3364 2747
E-mail: myanmarsecretary@gmail.com

 

Direita ou esquerda? O trânsito na Birmânia é pra lá de confuso

“Yangon… É como dirigir em um jardim’, definiu um português que mora no Mianmar há 16 anos.

 

A cidade atuou como capital do país até 2006, quando foi substituída por Naypyidaw, mas suas avenidas amplas, bem pavimentadas e arborizadas não dão a dica de que esta é a maior cidade birmanesa, com 4.5 milhões de habitantes. Os carros são pra lá de vintage – a maioria foi fabricada na década de 70 -, mas bem cuidados no geral. Os semáforos são geralmente respeitados e a falta de faixas de pedestres é compensada pelas passarelas nos cruzamentos com mais tráfego. As ruas cheiram a frangipani (jasmim manga) e outras flores perfumadas que fazem parte da flora e da vida asiática. Mas falta alguma coisa. Há um silêncio no ar. Percebo de repente: ninguém buzina! É proibido. E onde estão as motocicletas? Banidas nos municípios de Yangon e Naypyidaw.

 

A falta que as motos fazem em Yangon é compensada pela enxurrada delas em todas as outras cidades que visitei. Mandalay, a segunda maior cidade do Mianmar, fervilha com o caos de bicicletas, carros, ônibus, tratores, trishaws (uma bicicleta com um “sidecar” para levar passageiros e carga), caminhonetes e motocicletas, muitas motocicletas. Afinal, os 65% de motos da frota de 1.045.105 veículos do país (dados de 2008) tem que estar em algum lugar.

 

Nas ruas nem sempre bem pavimentadas – quando pavimentadas – de Mandalay (um retrato mais apurado do trânsito na maioria do Mianmar) prevalece a lei do mais atrevido: os cruzamentos não têm preferência clara e buzina mais alto e por mais tempo.

 

Os carros conduzem por lei do lado direito, mas o motorista não necessariamente está sentado do lado esquerdo do carro.

 

Como todas as ex-colônias britânicas, o Mianmar começou o século XX dirigindo na mão inglesa, mas, em algum momento da década de 1970, o ditador Ne Win mudou a direção do trânsito para mão francesa sob os conselhos de um astrólogo. Os carros importados antes desta data não se adaptaram, é claro, e hoje o trânsito é um samba do criolo doido onde não se sabe quem é o motorista no banco da frente ou de que lado sairão os passageiros do ônibus coletivos.

 

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30% das mortes no trânsito são de pedestres, 48% são motoristas e passageiros de veículos de 4 rodas, 12% são ciclistas e apenas 10% são motociclistas. Não existem leis que obriguem o uso e sequer a instalação de cinto de segurança nos veículos. Já o uso de capacete é seguido por 60% dos motociclistas – ainda que eu tenha visto uma mulher usa-lo solto, sobre o penteado e os óculos de sol.  Mesmo com uma das menores frotas do sudeste asiático, o Mianmar está em segundo lugar em acidentes fatais de trânsito em proporção à população: 23,4 óbitos a cada 100.000 habitantes, segundo relatório da OMS.

 

Infelizmente, os dados consolidados sobre transporte no Mianmar datam de 2008 – 4 anos* é muito tempo para um país que recebe imensas somas de investimento por parte da China, Tailândia e, em menor proporção, Índia. O país cresce em ritmo acelerado em busca do “progresso” – muitas vezes refletido na compra de motocicletas chinesas que devem aumentar as estatísticas de acidentes fatais.

 

Nas cidades menores, as motos comandam o trânsito ao lado de um meio de transporte já meio esquecido na maioria das cidades brasileiras: a charrete. Os veículos puxados à cavalo e boi não são só para servir de atração turística. Eles têm a vantagem de atolar menos nas ruas e estradas de terra e não precisam de outro combustível além de água e pasto.

 

O preço da gasolina no Mianmar flutua entre 3 mil kyats por litro (aproximadamente US$3,75) em postos de gasolina de marca multinacional e mil kyats (US$1,25) por garrafa de plástico em uma banquinha na beira da estrada. Em 2007, a “revolução açafrão”, contra o governo ditatorial no poder há 45 anos, teve seu estopim quando os generais sobraram o preço da gasolina da noite para o dia. Isso porque o Mianmar possui petróleo e gás natural em abundância.

 

Andar pelas ruas das cidades à noite só é aconselhável se você tiver uma lanterna de mão. As ruas são seguras, mas cortes de energia apagam bairros inteiros de cada vez especialmente na estação da seca, de novembro a abril. O gás natural não é utilizado no fornecimento de energia do próprio país e as hidroelétricas combinadas com infraestrutura capenga não dão conta da demanda – que só cresce.

 

Graças a investimentos chineses e prioridades governamentais, as estradas no Mianmar são, em sua maioria, perfeitamente asfaltadas. Elas integram um sistema de transporte intermunicipal que é composto também por ferrovias (que já viram dias muito melhores), aeroportos em quase todas as cidades turísticas e rios navegáveis – a maior extensão deles na região.

 

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Tudo o que vi no Mianmar está prestes a mudar.*

 

A abertura “lenta e gradual” para a democracia começou em 2008 e as primeiras eleições consideradas democráticas e justas foram este ano, em Abril (para 45 das 662 cadeiras do parlamento, mas é um começo).

 

União Europeia, Estados Unidos e Japão estão cheios de investidores loucos para que seus países suspendam as sanções econômicas levantadas em protesto às violações de direitos humanos da ditadura que dominava o país. Eles querem suprir a imensa demanda que o país tem por infraestrutura e atender um mercado consumidor praticamente inexplorado nos últimos 48 anos e concorrer com as iniciativas chinesas (hoje onipresentes em todos os cantos) no território.

 

Com o fim das barreiras econômicas internacionais, as vidas agrárias da bacia do rio Irrawaddy e das montanhas que a cercam verão grandes mudanças. Em 5 anos, será que carros de boi e charretes continuarão transportando pessoas e mercadorias pela região de Bagan? Tratores com seus motores descobertos e barulho ensurdecedor circularão pelas ruas caóticas de Mandalay? As motocicletas voltarão a ocupar as ruas de Yangon? O “progresso” está chegando.

 

*Este texto foi escrito em 2012 para a Revista Autoesporte e publicado com cortes na edição de setembro – link aqui Hoje o trânsito na Birmânia já é bastante diferente, assim como os hábitos e marcas presentes no cotidiano do país.*

 

Reserve seus hoteis no Mianmar

É bom ter pelo menos o hotel da chegada e da saída já garantidos na sua viagem para o Mianmar. Consulte aqui e reserve as melhores possibilidades para você!

Pergunta do leitor: “Dá pra visitar o Mianmar (Birmânia) em 5 dias?”

Luiz Oliveira, leitor do blog, perguntou:

 

“Quero passar uns dias em Myanmar. Pensei em fazer Bagan, Mandalay, Yangon… e Inle Lake. Voce acha que em 5 dias da pra fazer tudo isso? É facil ir de um lugar para outro?”

 

Resposta: Olha, Luiz, até dá, mas não tem como repensar esse tempo?

 

Durante os anos mais duros da ditadura no Mianmar, turistas só conseguiam vistos de 5 dias para visitar o país. Isso fazia com que eles corressem pelos lugares “mais importantes” (Yangon, Mandalay, Bagan e Lago Inle) no que eu imagino que fosse uma maratona sem direito a dormir.

 

Ainda que seja possível, olha, não recomendo. O país é bem grandinho (maior do que Minas Gerais!) e os deslocamentos são difíceis. As estradas até que são boas em muitos trechos, mas os ônibus variam bastante em conforto e sempre tem uma televisão passando uma programação im-per-dí-vel de karaokê (sim, até no meio da noite).

 

Fora que as oportunidades legais de interagir com os birmaneses, como conversar com os monges que ilustram essa foto, ficam reduzidas ao mínimo quando se tem um cronograma apertado.

 

Se você quer mesmo fazer o passeio em 5 dias, o único jeito de ter uma viagem mais ou menos agradável nesse curto período de tempo é voando para os lugares mais turísticos (citados acima). Recomendo que você compre suas passagens com as duas companhias que não estão diretamente ligadas com o governo do Mianmar (leia porque): www.airmandalay.com e www.yangonair.com.

 

Além de ter que voar, você também vai precisar contratar vários tours que vão “otimizar” o seu passeio. Se o Mianmar já é bem caro se comparado aos outros vizinhos, com esses extras, vai ficar bem mais!

 

Ainda sim, vale a pena, pois é um país e um povo fascinante.

 

Se você quiser conferir de qualé dos birmaneses (5 dias só dá tempo de dar uma olhadinha), prepare-se dormindo muito antes, vista sapatos e roupas confortáveis e boa sorte!

 

Orientações para tirar visto no Brasil: Embaixada do Mianmar em Brasília (cuidado, o site toca uma música ao abrir!)

 

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Reserve seus hoteis no Mianmar

É bom ter pelo menos o hotel da chegada e da saída já garantidos na sua viagem para o Mianmar. Consulte aqui e reserve as melhores possibilidades para você!

 

Adeus Ásia, olá Europa!

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Foram quase seis meses de alfabetos com caracteres estranhos, comidas com muitos temperos diferentes, cores, sons, cheiros, religiões diferentes das que estou acostumada.

Milênios de história, de conflitos, de mitos e lendas que a gente, do outro lado do mundo, só ouve falar. Quando eu era pequena, a Ásia não era um lugar que eu pensava que iria visitar. Parecia tão longe, tão alienígena… Estou MUITO feliz, muito grata, por ter ido e visto tanta coisa incrível.

É um continente inteiro que é pouco explorado pelos brasileiros, talvez pela distância, talvez por puro preconceito mesmo. A verdade é que me senti mais segura na Ásia do que no Brasil. No quesito “violência”, ainda estamos bem atrás dos asiáticos. A barreira linguística, que me preocupava no início, nunca foi um problema. Mesmo em vilarejos onde quase ninguém falava inglês. A estrutura de hotéis, albergues, transporte para os lugares turísticos ou não, o sistema de informação relevante para quem viaja: tudo funciona mais ou menos bem, em alguns países é preciso ter mais paciência com horários do que outros, mas no fim a gente chega onde quer chegar e relaxa com um drink na mão e uma vista maravilhosa diante dos olhos.

O caminho também é incessantemente interessante: como as pessoas do local se comportam entre si, com estranhos e entre os famimliares. As cores e estilos das roupas, o tom das vozes (não dá pra entender nada da língua mesmo), o volume delas também. A música que toca incessante no auto-falante do motorista do ônibus, a família que compartilha seu lanchinho do trem com estranhos, o estilo dos 5 cidadãos dividindo o espaço de uma única moto.

Agora é hora de voltar pro que é mais familiar: Europa que a gente vê nos guias de viagens todos, que a gente conhece pela televisão, pelo jornal pela música e pela literatura. Eu sinto menos vontade de tirar fotos o tempo todo. Não porque aqui não seja interessante, mas eu já vi muitas dessas paisagens em fotografias de outras pessoas! Com certeza “exótica” não é uma qualidade europeia. Para o bem ou para o mau: não creio que conseguiria viver na Ásia (com exceção de Istambul – super moraria em Istambul! Mas ela é a mais europeia – ou mais brasileira? – das cidades asiáticas que visitei). Já a Europa.. sim, acho que conseguiria assentar raízes por aqui. Por algum tempo, pelo menos. Parece menos distante, menos difícil de acostumar para mim.

A mudança de continente também veio com uma mudança do comportamento dos outros para comigo. Na Ásia, eu era tratada como western tanto por locais quanto por outros turistas. Era ocidental, farinha do mesmo saco que ingleses, alemães, estadunidenses e canadenses. Na Europa já  não: sou latina! Já não sou mais western, ainda que continue sento mais do oeste do que os europeus. Não que isso sempre seja uma coisa ruim. Mas é engraçado mudar de “status” ao sair da Ásia. Para alguns, Brasil significa “imigrantes ilegais” e um país exótico e corrupto. Para outros, significa carnaval com mulheres seminuas, violência e o desmatamento da Amazônia. Uma terceira categoria sorri e curte o Brasil pelo que me admiro nele: a música, as paisagens incríveis, a simpatia do povo. O Brasil tem das três coisas no fim das contas, né?

É hora de entrar em cabeça na Europa! Adeus templos coloridos e banhados em cheiros e sons, olá catedrais imensas, silenciosas e escurecidas. Adeus arroz, olá pão e batatas! Adeus sobremesas carregadíssimas no doce, olá chocolate amargo e frutas vermelhas. Adeus cicatrizes profundas e recentes de guerras e sistemas sociais nada legais com os menos favorecidos, olá terra de altos níveis de educação formal e governos que tratam seus cidadãos como mães mimam seus filhos (e que ajudaram a criar muitas das cicatrizes dos países do primeiro grupo).

Ainda que eu chegue na Europa no verão, ele não é sempre tao quente ou tão úmido quanto as temperaturas asiáticas que senti. Já comprei casacos e calças para o verão escandinavo e, pela primeira vez no ano, usarei camadas e mais camadas de roupas – e tão dizendo por aí que está calor!

O que não tem mudado: a quantidade de pessoas incríveis que vou conhecendo pelo caminho. Vou visitar uma rede de amigos europeus que fiz pela Ásia este ano ou em outras viagens e mal posso esperar para fazer meu couchsurfing pessoal, só com gente que já mora no meu coração. Outros eu vou conhecendo pelo caminho, via couchsurfing.org, amigos de amigos que estão no mesmo lugar que eu de passagem ou morando, e, claro, as pessoas novas que vou conhecendo randomicamente pela rua, como sempre acontece entre semelhantes que “sentem a vibe” uns dos outros. Gentileza, simpatia e amizade não são exclusivos de uma região do mundo, ainda bem!

Que venha a etapa final da viagem!

*na foto: Istambul, a interseção deliciosa entre a Europa e a Ásia.

Bagan e seu mar de templos

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Bagan é uma região que ainda não está no Grande Mapa das Ruínas simplesmente porque o Mianmar ainda não é um país fácil de visitar (como já falei aqui e aqui).

 

O local tem cacife para entrar no clube exclusivo do qual Angkor, Petra e Machu Picchu fazem parte. E com uma grande vantagem: tirando a parte chata do visto, é muito fácil de chegar e passear pelo lugar.

 

Bagan é uma planície onde se espremem cerca de 4.400 templos (em sua maioria budistas), todos construídos entre os séculos VIII e XI a.C.

 

A maioria deles foi construída com a mesma pedra encontrada na região e estilos muito similares. O interior dos templos não é tão interessante na maioria das vezes, tanto porque muitos afrescos foram destruídos num terremoto no século XVII, quanto porque os templos budistas da época seguiam um padrão que se repete por toda a região. Eles são, com honrosas e maravilhosas exceções, uma estrutura quadrada belissimamente decorada de um ou mais andares com uma estátua de Buda no meio, onde você pode fazer suas orações e oferendas e andar ao seu redor no sentido horário. Ou só entrar e olhar, claro.

 

 

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Ok, mas cadê a graça?

 

Além da beleza do exterior dos templos, que se repete até a exaustão? Diferentemente de Angkor, no Camboja, os templos de Bagan são melhor apreciados em sua coletividade. Qualquer topo de templo oferece uma vista incrível da planície, salpicada de torres dos outros templos e construções budistas. Dos 4 mil deles.

 

É uma paisagem inacreditável, meio alienígena, impossível de captar com minha pequena câmera fotográfica.

 

A planície podia ser um planeta bizarro em Star Wars, um sonho de Salvador Dalí, um capricho de um arquiteto com muito dinheiro e espaço. Mas é o produto de muita devoção, riqueza e consciência pesada dos seus patrocinadores.

 

Veja bem: é que construir templos traz bom karma, anulando, por sua vez, o karma ruim que vem da corrupção, violência, má gestão do país, etc. Haja culpa para construir 4 mil templos! Deviam ser tempos tensos para os birmaneses, mas o que ficou é sorte nossa.

 

Minha experiência em Bagan

 

Passei 6 dias na região. É meio muito, mas estava “presa” por lá por causa do Thingyan, o Festival da Água e Ano Novo Birmanês, que acontece por 15 dias e pára tudo, inclusive o transporte público, por pelo menos uma semana. Sim, foi meu 3º ano novo em 2012 – e eu amo isso!

 

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A grande graça do Thingyan é molhar as pessoas. É um período em que os geralmente tímidos birmaneses saem às ruas com baldes, mangueiras, garrafas, pistolas de água, e molham a galera sem medo de ser feliz.

 

É tipo o carnaval no Brasil, mas sem bloco de rua. E com menos álcool, ainda que os birmaneses bebam em suas casas antes de sair pra festa.

 

Em Mandalay, dizem que a celebração é a mais louca de todas e também a mais sem limites. Mas em Bagan ela começa com o nascer do sol e termina com o fim do dia – ainda bem, porque a música repetitiva me cansou os ouvidos. Uma dica (também serve para os outros países do sudeste asiático, que comemoram o mesmo festival com algumas variações): coloque tudo que não pode molhar em sacos plásticos, inclusive sua câmera, use roupas leves que sequem rápido e APROVEITE. Molhar-se é inevitável – e está tão calor que você DESEJA a água.

 

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Bom, foi nesse clima que cheguei a Nyang-u, uma das três cidades do complexo de Bagan (as outras são Old Bagan, onde fica a maioria dos templos e de onde os moradores foram não-democraticamente deslocados para dar lugar a hotéis há alguns anos, e New Bagan, para onde os moradores foram ao serem despejados) e a com os hotéis mais baratos. E a internet corre abundante como nenhum outro lugar no país.

 

É uma cidadezinha birmanesa simpática, com bons restaurantes daqueles com menu internacional, mas também casas de chá locais e acolhedoras. Algum desses estabelecimentos me fez mal, mas não saberia dizer qual – e tudo era delicioso que enfim… Tudo bem.

 

As ruínas de Bagan estão por toda parte: dentro das cidades, na estrada entre elas e nos descampados ao redor. O ingresso compulsório é adquirido na estrada antes de chegar ao complexo (ou recebido de um colega viajante em outro lugar, mercado negro de boicote ao governo birmanês) e só é checado no hotel onde você escolher se hospedar.

 

O caminho pelas ruínas é livre e, na minha opinião, melhor percorrido de bicicleta. Também é possível contratar uma charrete – mais rápido e sem esforço, mas também um alvo melhor para vendedores e mais caro. E é mais difícil convencer o condutor a esperar 5 horas em um templo deserto e legal se você tiver afim (como eu fiz depois de alguns dias vendo minhas ruínas favoritas). Enfim, também dá pra combinar os dois, caso você fique dias suficientes. Há 3 estradas que rodeiam os locais com mais templos – o resto são trilhas de terra e campos de cultivo por onde você pode cortar caminho.

 

Os templos maiores são melhor restaurados e mais bonitos por dentro, mas não dá pra subir aos andares superiores e estão cheios de turistas e vendedores. Os melhores lugares para passar o pôr do sol e as horas mais quentes do dia são os templos médios, que dão pra subir e oferecem uma boa vista. Eles são muitos, escolha um que esteja vazio e aproveite, como eu fiz.

 

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Nenhuma foto faz justiça à sensação de inospidez, beleza escondida e solidão que se sente neste lugar.É arrepiante e assustador, mas aconchegante ao mesmo tempo – talvez por causa do calor, que te abraça e domina.

 

Mas aí você volta à cidade e é atingida por milhões de litros de água, jogados pelas crianças mais doces e também pelas mais levadas, pelo avô que está com elas na beira da estrada, pelo senhor distinto que sorri de sua motocicleta com uma garrafa d’água na mão, pelos jovens bêbados que passam zunando em motos que levam 4 deles de uma vez, pelas adolescentes que timidamente miram uma mangueira em sua bicicleta, pelos bombeiros que brincam com seu arsenal de combate ao fogo.

 

É uma travessura tão doce, tão libertadora, tão inocente – mesmo quando tem ares de vingança contra a opressão do resto do ano – que não há como não sorrir, esquecer o peso dos séculos ao redor e achar um balde d’água para se defender.

 

Reserve sua hospedagem em Bagan

A melhor cidade para se hospedar é Nyaung-U, que tem cara de cidade birmanesa normal, mas está no meio das ruínas. Em Old Bagan, você vai encontrar os hoteis mais chiques – mas não vai ter nada que não é “pra turistas” lá.

 

Algumas opções bacanas em Nyaung-U:

Ostello Bello Bagan

Northern Breeze Guesthouse

Manisanda

The Floral Breeze

Hotel Blazing

 

Os melhores momentos de viagem não são fotografáveis

Preciso confessar: estava muito difícil amar o Mianmar no começo da viagem pelo país.

 

Em Yangon, caí no conto da troca de dinheiro na rua e perdi o equivalente a 80 dólares em um esquema desses que a gente lê nos guias e sites por aí.

 

Pouco depois, peguei um ônibus do inferno de 14 horas onde fiquei no último banco, apertada entre uma dona de quadris largos e um jovem que, acidentalmente (??), sempre repousava a mão na minha perna (até que eu bati nela com meu livro – mas aí quem consegue dormir tranquilo?).

 

Em Hsipaw, estava tão cansada que não fiz nada além de ler no hotel e dormir. Nem digo que visitei a cidade, é injustiça com ela.

 

Mas depois dessa maré de azares, bad vibe e mau humor, tudo melhorou.

 

Alguns alunos da escolha de inglês do Mr. Collins. Amigos do peito!

 

Amei Mandalay e arredores (como contei aqui) não só pelas atrações turísticas em si, mas também por causa das pessoas incríveis que encontrei. Gente que queria sentar comigo e bater papo, ouvir notícias do Brasil e do resto do mundo “lá fora” e contar sobre seus planos de vida, insatisfações políticas e compartilhar pequenas alegrias.

 

A minha paranoia com dinheiro (em um país sem caixa eletrônico e que não aceita dólares dobrados – sério, têm que ser notas perfeitas, sem amassado, riscos, carimbos nem nada -, perder 80 dólares do orçamento me deixou morrendo de medo) diminuiu quando conheci gente disposta a me convidar a almoçar na casa delas, dar carona da rodoviária até o hotel e levar pra passear pelos pontos turísticos de moto. As pessoas compensam todas as chatices de um país com um governo cheio de disse-me-disse.

 

Pakkoku, o destino depois de Mandalay, foi uma cidade onde não fiz nada digno de fotografia. Não visitei templos incríveis, não vi paisagens impressionantes nem fiz atividades curiosas ou divertidas no sentido comum do termo. Passei dois dias ótimos na cidade exercitando a boa e velha prosa entre amigos. E foi onde vivi os melhores momentos de viagem durante a volta ao mundo.

 

Fiquei na pousada de Mya Yatanar, uma senhorinha que abriu seu negócio em 1980, quando os turistas só tinham 7 dias de visto e “corriam desesperados por todos os lugares”, como ela mesma descreveu.

 

Seu inglês é perfeito, a simpatia é infinita e a pousada é tranquila (nenhum luxo além de banheiro no quarto, mas é o lugar onde você quer ficar se passar por Pakkoku).

 

O lugar que NENHUM turista pode perder passando pela cidade é a escola de inglês do Sr. Collins. As pessoas todas sabem onde é, basta perguntar.

 

Cheguei lá quase de noite, em companhia de um inglês que conheci na pousada da Mya. Quando nos viu, o dono da casa onde fica a escola já ligou pros professores e alunos (em recesso por causa do festival da água/ano novo birmanês) para que viessem conversar com a gente. A vantagem de ir a essa escola é que os alunos querem exercitar seu inglês com você e estão dispostos a explicar a cultura do Mianmar, contar histórias e comparar diferenças entre o Mianmar e nossos países.

 

No dia seguinte ao encontro na escola, um dos professores me buscou de moto na pousada junto com outros alunos e eles me levaram por diversos lugares turísticos da cidade e atuaram como guias, serviram de intérpretes entre moradores que pareciam nunca ter visto um estrangeiro na vida, ofereceram água, comida, suco…

 

Em um mosteiro, pude conversar com o abade que foi um dos líderes da “Revolução Açafrão”, que começou em Pakkoku. Trocamos impressões sobre o governo “democrático” que começou em 2010 (nem ele nem eu acreditamos na democracia ainda. Mas temos esperanças), comi bananas e docinhos típicos feitos com açúcar de palmeira, ganhei um xale tradicional do Mianmar.

 

Em outra casa, sentei com a família de uma das alunas da escola do Sr. Collins e ouvi suas histórias de vida ao som de música e dança tradicional birmanesa que tocava na televisão. E me aplicaram thanaka, a pasta de árvore que protege do sol e serve como maquiagem tradicional do país.

 

Vimos fábricas de sapatos tradicionais e tecidos de algodão feitos à mão. Em nenhum momento me senti forçada a comprar nada, a pagar por nada (mesmo querendo ter pagado pelas refeições me deram). Que diferença entre os países vizinhos!

 

Como explicar (ou fotografar) a felicidade deste dia? Impossível.

 

Recebi um longo abraço na alma dado pelo país inteiro. Foi isso.

Pedalando por Mandalay e arredores

Foram mais ou menos 32 quilômetros em um dia, mas valeu a pena.

 

 

Mandalay é a segunda maior cidade do Mianmar e está situada em uma planície tranquila, cortada por rios e incontáveis templos. Ao seu redor estão três cidades muitos simpáticas e turísticas: Amarapura, Inwa e Sagaing. Escolhi percorrer tudo de bicicleta. O plano era ir pedalando e, se ficasse cansada, jogar a magrela no teto de uma caminhonete e voltar de carona, mas acabei voltando à perna mesmo.

 

O legal de ir de bicicleta é poder parar em qualquer biboca da estrada para tomar uma água, comer uma melancia e travar conversas com as crianças e adultos sentados nas portas de suas casas.

 

Em Mandalay, frequentemente outros ciclistas emparelhavam a bicicleta com a minha para conversar. “Where are you from?” – invariavelmente a primeira pergunta.

 

 

O mais legal que vi em Mandalay foi o mercado.

 

Uma grande estrutura a céu aberto que ocupa diversos quarteirões e onde se vende de tudo. Uma florista me deu um cacho de flores perfumadas para pendurar no cabelo e uma vendedora de noz de betel me deu um pouco para mastigar (é ruim e duro pra caramba, mas fui até o fim sob os olhares atentos da velhinha).

 

Vi a correria, tentei sobreviver no trânsito caótico (e consegui!) e me diverti bastante.

 

 

Na manhã seguinte, antes do nascer do sol, rumei para Amarapura.

 

A cidade já foi capital do Mianmar em tempos remotos e abriga a ponte de madeira mais longa do mundo a U-Bein. Ela é bonita, especialmente pela manhã quando há ZERO turistas e o sol ainda não castiga a cabeça.

 

Ao lado do lago Taungthaman há um mosteiro gigante. Por causa de uma chuva no dia anterior, a estradinha de terra ao longo do lago estava puro barro. Eu quase afoguei na lama, mas fui “salva” por um monge que me viu e me ajudou a entrar no mosteiro para me lavar.

 

Foi incrível entrar no mosteiro quando todos os monges estavam se lavando, rezando, preparando a refeição do dia! O meu salvador me indicou o caminho do bem… ahm… o caminho de asfalto até a ponte e me deu um último conselho antes de se despedir: “tente praticar a meditação”.

 

Atravessando a ponte, outro monge, esse mais velho, me chamou pra sentar ao lado dele em um dos bancos de descanso e ficamos de papo por uma hora, comparando a história política do Brasil e da Birmânia. De volta a Amarapura, visitei novamente o mosteiro no horário da única refeição que eles fazem no dia (e que é uma atração turística do lugar) e rumei para Inwa.

 

Como, no mapa, Sagaing estava mais longe, meu plano era ir só até Inwa e voltar. Mas eu perdi a entrada pra uma e cheguei na outra. Ê laiá. Só percebi que estava na cidade errada quando perguntei onde ficava o mosteiro de madeira famoso de Inwa e me disseram “uai, mas isso é em Inwa, lá atrás”.

 

A coisa boa é que, procurando um restaurante pra almoçar, fui direcionada a um banquete que estava rolando por lá. Comida delícia e com sorvete de sobremesa! E grátis, cheio de sorrisos!

 

Finalmente em Inwa, cruzei o rio com um barco mega turístico (que eu achei que era o único caminho) e visitei alguns templos e etc. Nada muito UAU, mas foi um bom passeio.

 

No Lonely Planet, fala que não existem carros na cidade e que todo mundo anda de charrete – MENTIRA. Só na área turística que os motores estão proibidos. Voltando, fiz a curva no lugar errado e me deram as instruções do caminho oficial de entrada e saída da cidade, sem ter que passar (e pagar) pelo barco. Vi várias motos e caminhonetes, rs.

 

O caminho de volta foi difícil, mas o triunfo de chegar no hotel suada, cansada, mas a tempo de pegar meu ônibus para Pakkoku, ninguém me tira!

 

Reserve sua hospedagem em Mandalay 

Prefira hoteis ao sul do Palácio, entre a represa artifical que fica em volta dele e o mercado da cidade.

Algumas opções:

Hotel Sahara (dá uma olhada nas fotos!)

Royal Yadanarbon

79 Living Hotel

Taw Win Myanmar

Victory Point

E, um pouco mais distante mas é barato e parece incrível: A Little Bit of Mandalay Tavern

Mianmar: como viajar sem apoiar o governo autoritário do país

Como eu falei no post anterior, o governo do Mianmar não é o mais legal do mundo – na verdade, ele não está nem no top 100 dos mais legais.

 

Toda a estrutura para os turistas do país está amarrada por regras que controlam onde eles (nós) podem(os) ir, onde dormir, quais ônibus/trens/barcos tomar, como respirar, etc.

 

O governo também cobra ingressos para entrar nos maiores destinos de turismo – um dinheiro que não vai para a conservação deles (para onde ele vai? ~~~~Mistério~~~~).

 

É proibido dormir em mosteiros ou na casa de pessoas (prática comum em outros países do sudeste asiático). Couchsurfing, por essa razão, não rola a não ser que seja na casa de estrangeiros vivendo no país. E eu tenho quase certeza de que não é totalmente legal dar carona pra estrangeiros, mas eu peguei algumas sem problemas e com muita alegria.

 

De forma a financiar o menos possível esse estado controlador e não-legal com seus cidadãos, os guias de viagem que não boicotam o país pedem que os turistas usem o mínimo possível da estrutura do Estado, como hotéis do governo, barcos, trens, a companhia aérea do Mianmar. Eu fui mais além no boicote e conto aqui como evitei de pagar TODAS as taxas diretas do governo. As indiretas, como o tanto que os donos de pousadas particulares têm que pagar para a autoridade local ou a porcentagem do valor da passagem de avião que a AirAsia paga pro governo, não tem como evitar mesmo.

 

 

Entrada para o sítio arqueológico de Bagan:

São 10 dólares (8.000 kyat) teoricamente para o centro de conservação do local.

 

SÓ QUE NÃO.

 

Uma francesa no meu hotel em Yangon (a ex-capital do país até 2006 e, já que a atual capital é proibida pra estrangeiros, a base de entrada e saída do Mianmar para os turistas) estava no fim de sua viagem e me deu o ingresso dela. Teoricamente, ele vale durante todo o período que você estiver na região e você só precisa dele para hospedar-se em um hotel em Bagan (o formulário pede o número do ingresso, que não tem data ou qualquer coisa do tipo).

 

O que eu fiz, quando o ônibus parou para eu comprar meu ingresso, foi mostrar o tíquete da francesa e seguir viagem tranquila. De volta a Yangon, repassei meu tíquete a outro turista – é ou não é sustentabilidade? 🙂

 

Não fui ao lago Inle, mas parece que dá pra fazer o mesmo esquema de Bagan.

 

 

Entrada para a Shwedagon Paya:

 

O maior e mais importante templo do Mianmar, que fica em Yangon, cobra uma taxa de 5 mil kyat de entrada – pagos diretamente para funcionários do governo.

 

As 4 entradas principais, escadas lindas colocadas a norte, sul, leste e oeste da montanha onde está o templo, têm postos de venda/cobrança de ingresso.

 

Evite-os por uma das escadas laterais que saem das trilhas que dão a volta na montanha. Não é uma questão de economia: se a quiser dar dinheiro para o templo, deposite os 5 mil kyats em qualquer uma das caixinhas de recolhimento de doações dentro do templo.

Hotéis, trens, barcos do governo

Informe-se com outros viajantes e com locais simpáticos se o hotel que você quer ficar é do governo ou não e evite. Os trens e barcos são todos do Estado, então use-os o menos possível, se usar. Dê prioridade aos ônibus particulares e transportes alternativos, tipo vans, caminhonetes e caronas 🙂

 

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