Como lidar com a alta do dólar – dicas de um trader viajante

A alta do dólar tá deixando todo mundo de cabelo em pé, especialmente quem está com viagem marcada!

 

Pensando nisso, meu amigo trader (investidor individual) Leonardo Colosimo escreveu para vocês, leitores brasileiros do blog, uma série de dicas para lidar com essa dança cambial!

 

O Leo é trader, investidor individual na Bolsa de Valores, atualmente fazendo especialização em estatística aplicada pela UFMG. Ele também é um viajante inveterado: já morou no Canadá, Itália e Tailândia e visitou 42 países e 3 territórios – até agora. Pelo que sei, Leo não pretende parar e nem deixar o dólar impedir suas viagens.

A continuação deste post está aqui – Perguntas frequentes sobre a alta do dólar.

 

Bom, com a palavra, Leonardo Colosimo! Se tiverem dúvidas, podem escrever nos comentários 🙂

 


 

Calma, meu povo!

 

Nunca na história do Facebook tantos viajantes brasileiros expressaram tanto desespero com o sobe e desce das moedas.

 

A feliz realidade é que hoje temos um maior acesso a roteiros no exterior em comparação com o nosso passado recente – e isso é LINDO, minha gente. Por outro lado, estamos muito mais suscetíveis ao risco cambial, ou seja, a ficarmos pobres quando nosso querido Real perde seu valor relativamente às moedas de onde desejamos gastá-lo.

 

Mas o fato é que nada disso deve servir de desculpa para cancelar aquela sua viagem sucesso ao exterior. É tudo uma questão de planejamento.

 

O QUE FAZER

Antes de mais nada, para simplicar nosso entendimentos dos fatos, delimitemos um objetivo: se eu tenho uma viagem marcada para os EUA, por exemplo, o que eu deveria buscar é um modo de assegurar que meu R$ 1 de hoje compre pelo menos o mesmo valor em doletas do que quando eu o for gastar – e fazer isso com o menor custo possível.

 

Repare que aí existem dois fatores:

  •  O primeiro é a diferença cambial, que tem a característica de ser aleatória e incontrolável
  •  O segundo é o custo da operação, que podemos adequar às nossas necessidades conforme cada caso.

 

Ok, agora podemos conversar sobre algumas opções disponíveis para viajantes.

 

Dollar-drama

 

Cash

Comprar moeda em espécie é uma excelente opção para quem quer evitar os absurdos 6,38% de IOF cobrados para o uso de cartão de crédito ou débito no exterior (contra 0,38% no cash).

 

Aqui não tem complicação: se eu quero que meu R$ 1 de hoje tenha o mesmo valor em dólar no futuro basta que… eu compre hoje o dólar em espécie. A treta está no custo.

 

Para a conveniência de termos dinheiro vivo gringo nas mãos, devemos pagar um custo escondido na taxa de câmbio: o spread. Em transações bancárias no exterior utiliza-se como base um valor próximo ao dólar comercial**, mas se formos em uma casa de câmbio o preço da verdinha vai sair mais caro, pois aí a base é o dólar turismo.

 

Por curiosidade fui fazer os cálculos da diferença de custos entre o uso de cartão e a compra de moeda*, e o cash ainda sai mais em conta, com cerca de 5,5% para o dólar e o euro. Se formos usar o cartão, aí ainda temos que pesar as taxas bancárias, que varia de banco pra banco, além dos 6,38% de IOF.

 

Mas eu seria um viajante feliz se fosse assim tão simples. O problema é que o spread é mais baixo para a compra de moedas com grande oferta, como o dólar e o euro.

 

Se eu estivesse indo para a Austrália talvez o cash talvez nem sairia tanto em conta, e trocar moeda duas vezes significa pagar o spread duas vezes também.

 

Dica: A vantagem maior é pra quem tem como destino países da zona do Euro ou os EUA. Se optar pelo cash, esqueça de casas de câmbio, pois bancos de varejo normalmente oferecem taxas melhores.

 

* Atenção! Infelizmente alguns bancos no Brasil têm o costume de embutir no câmbio taxas bancárias cobradas em transações internacionais, mas isso depende do seu contrato com o banco!

 

** Fonte: http://www.dolarhoje.net.br/dolarturismo.php

Nota: considerada a diferença de alíquota de IOF para moeda em espécie e uso de cartão de crédito ou débito.

 

Fundos cambiais

Essa opção foi uma das mais citadas pelos “entendedores” do assunto no facebook, mas isso é uma grande falácia: dinheiro aplicado em fundo cambial é considerado investimento e, portanto, temos o custo adicional do imposto de renda sobre o rendimento, quitado na hora do resgate. Isso fora a taxa de administração do fundo, né?

 

Para quem vai viajar a menos de um mês, então, pode esquecer essa opção – porque aí ainda tem o IOF regressivo, que varia de 96% a 3% do rendimento!

 

Mas então esses fundos não servem pra nada?

Servem sim. Quem quer viajar pra fora no médio ou longo prazo, e ainda não decidiu o destino, pode tranquilamente optar pelos fundos cambiais.

 

Os bancos brasileiros oferecem apenas produtos que acompanham a valorização do dólar e do euro, o que é suficiente para quem deseja fazer um pé de meia em moeda internacional caso resolvam viajar para o exterior.

 

A regra aqui é manter o dinheirinho lá no fundo por um tempo razoável, já que o IR também é regressivo e, portanto, faz com que o custo seja inversamente proporcional ao período da aplicação.

 

Outra vantagem é a segurança: convenhamos que guardar um monte de notas de dólar ou euro debaixo do colchão não é a melhor ideia do mundo, né?

 

Dica: Para quem optar por fundos cambiais, deixe para resgatar a aplicação pouco antes do dia de embarcar, e trocar pelo menos uma parte da grana em cash. Desta forma você evita pagar os 6,38% de IOF cobrado para transações com cartão de crédito e débito!

 

Conta no exterior

Abrir uma conta bancária no exterior não é um bicho de sete cabeças e pode facilitar a vida de muitos viajantes frequentes. Para dizer a verdade, acredito que esta é a melhor opção para a maioria das pessoas que me pedem conselhos sobre como administrar o budget de viagem.

 

As opções de bancos e moedas são variadas, e aí depende de cada caso. O Banco do Brasil, com a sua subsidiária americana BB Americas, oferece uma boa opção para quem quer uma conta em dólar; enquanto o HSBC Expat tem a opção de contas em 15 moedas diferentes. E ainda tem o Citibank, o CIM Banque, o Euro Pacific Bank…

 

Mas olha, manter uma conta no exterior é interessante somente em alguns casos específicos:
– quem viaja para fora com frequência (vou chutar umas 2x por ano)
– quem vai permanecer no exterior por um tempinho (uns 3 meses, no mínimo)
– quem tem despesas em outros países (filho no intercâmbio, quem sabe?)

 

O processo de abertura varia de banco para banco, e eles normalmente solicitam um depósito mínimo para a abertura da conta ou para a isenção de taxas. No caso do BB Americas, por exemplo, com $10.000 você deixa de pagar a taxa mensal de $15.

 

Depois de aberta, fica fácil mandar o dinheiro pra lá – dependendo do seu banco isso pode ser feito inclusive pelo Home Banking. O IOF que incide sobre a remessa é de apenas 0.38%, o uso do cartão é isento de qualquer imposto brazuca (óbvio, pois o banco é estrangeiro) e a taxa de cambio é mais vantajosa do que aquela de quando queremos comprar moeda em espécie.

 


E aí? Ajudou??

 

Fiquem ligados que essa semana tem mais post do Leo com as perguntas frequentes sobre o assunto!

 

Perguntas frequentes sobre a alta do dólar

Leia mais dicas para lidar com seu dinheiro: Moeda local, dólar ou euro? Qual moeda levar para a viagem?

 

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