Conheça Punta del Diablo, praia no litoral norte do Uruguai

Punta del Diablo é uma das cidades praianas do litoral norte uruguaio, vila de pescadores bem tranquila que recebe muitos turistas e vida noturna no verão sem perder seu charme de cidade pequena. parece um sonho: a cidade não tem muros, só cercas baixas de madeira ou plantas separam um terreno do outro (quando há qualquer separação!).

 

A temporada começa no final de dezembro e vai até março – chegamos no dia 27 do último mês de 2017 e os bares e restaurantes que só funcionam no verão estavam começando a abrir. Antes e depois desse período, faz muito, muito frio, fato que pudemos perceber pela alta qualidade do isolamento térmico das casas. Durante nossa estadia em Punta del Diablo, tínhamos que manter portas e janelas bem abertas para fazer o ar circular e o calor se dissipar, mas tenho certeza que nos outros meses do ano essa vedação se prova muito útil para a sobrevivência na cidade!

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Como não se deixar levar por essa atmosfera relaxada?

 

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Muita criatividade na construção das casas em Punta del Diablo. Essa casa-barco é apenas um exemplo!

 

Quando minhas amigas sugeriram que a gente passasse o reveiom no litoral norte do Uruguai, confesso que fiquei meio preocupada se nós não íamos sentir muito frio contando as 7 ondas por lá à meia noite, afinal mesmo sendo verão, se trata de uma praia a sul do Sul do Brasil. Meu receio se tornou realidade: choveu torrencialmente na noite da virada! Mas os outros dias de muito sol, vento fresco e good vibes uruguaias compensaram tudo! Além disso, passei a acreditar que, se você pula as ondas pra Yemanjá mesmo frente a todas as dificuldades, ela irá retribuir com dose extra de sorte pro ano inteiro, hahaha.

 

Não queríamos alugar carro, por isso, compramos passagens de avião de São Paulo a Porto Alegre, de lá pegamos ônibus até o Chuí e finalmente outro, interpraias, até Punta del Diablo.

 

Veja a saga completa nesse vídeo:

 

O post com todos os detalhes da viagem sem carro de Porto Alegre até Punta del Diablo está aqui.

 

Optamos por não alugar carro porque a viagem PoA-PdD seria bastante longa, não queríamos dirigir à noite e preferimos viajar num ônibus noturno a perder um dia de viagens na estrada. Mais informações sobre como chegar a Punta del Diablo e dicas para se deslocar no Uruguai sem carro nesse post.

 

As praias

Punta del Diablo tem três praias com características bem diferentes:

 

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A Playa de los Pescadores é onde fica o centrinho da cidade: uma ladeira com várias lojinhas e restaurantes fofos leva à orla, onde peixarias vendem as pescas do dia. A foto acima foi tirada de dentro da feirinha que fica na beira da praia, de frente pra Playa de los Pescadores.

 

 

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À medida que o calçadão avança, a faixa de areia da praia se alarga e começa a Playa Del Rivero, que é a mais movimentada, com mar bom pra surfe (tem aluguel de pranchas e até uma escola de surfe, pra quem quiser tentar), barracas de praia com a promoção duas caipirinhas de 500 ml por 150 pesos (+-20 reais) e alguns vendedores que passam às vezes oferecendo brownies mágicos (afinal, estamos no Uruguai).

 

O mar costuma ser um pouco agitado, ainda que raso, e tem postos de salva-vidas (bem gatos e que ficam ~se exercitando~, para nosso deleite).

 

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Do outro lado da Playa de los Pescadores, passando uma península de pedras onde ficam alguns bares e restaurantes que abrem à noite, assim como casas de pescadores, começa a Playa de La Viúda.

 

A casa que alugamos fica na La Viúda, que tem o mar bem mais agitado, não tem apoio de salva-vidas e uma série de dunas de areia se interpõe entre o mar e a cidade. Sempre que íamos à La Viúda, a gente fazia um momento Pabllo e Anitta no deserto hahahaha.

 

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Lá na outra ponta da praia tem um farol ao lado de uma casa gigante de paredes brancas e telhas vermelhas. É o Faro de La Viúda. Reza a lenda que essa casa foi construída por uma viúva argentina muito rica que buscou a solidão das dunas de Punta del Diablo em meados do século XX. É por causa dessa viúva, cujo nome não consegui descobrir, que a praia ganhou o nome de Playa de La Viúda.

 

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A caminhada até o farol é longa em areia fofa, voltei com as pernas tonificadas hahahaha! No caminho, encontrei várias conchinhas pra minha coleção e, infelizmente, um golfinho morto esturricando ao sol 🙁 Disseram que eles batem nas pedras quando o mar está muito forte e alguns morrem encalhados…

 

Chegando lá no Farol, percebi que a casa está cercada e fechada, protegida também por uma família de pássaros marinhos que não curtiram quando me aproximei das pedras em frente ao farol e à casa (provavelmente eles têm ninhos ali e não queriam que eu chegasse perto demais dos filhotes).

 

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Deixei os pássaros com seu território e me sentei nas pedras para meditar, desenhar e fazer desejos para o ano que se inicia.

 

Ainda que a Playa de la Viúda fosse a praia mais próxima, quando a gente queria ficar mais tempo no mar, preferia ir na Playa del Rivero, que é mais segura pra nadar e tem barraquinhas que vendem comidas e bebidas. 

 

Nossa barraca preferida era a última da praia, lá na ponta esquerda, logo antes de começarem as dunas cobertas de vegetação (aliás, foi do alto da duna que tirei a foto de destaque desse post).

 

As donas da barraca são mulheres, as caipirinhas são duas por 150 pesos (mais ou menos R$20), os buñuelos de algas são gostosos e aceita cartão! Só vantagens 🙂

 

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Passei minhas tardes ao sol lendo Jóquei, livro da poeta portuguesa Matilde Campilho.

 

Na outra ponta da Playa del Rivero tem outra série de dunas, estas cobertas por uma bela vegetação de restinga (que segura as dunas no lugar, ou pelo menos tenta). Caminhando entre as pedras e dunas desse extremo da cidade, chega-se em Playa Grande, no povoado de Santa Teresa, que tem uma praia com longa faixa de areia (como o próprio nome diz). Depois dela, começa o Parque Nacional Santa Teresa, que atravessei pedalando, o post sobre esse passeio está aqui!

 

Percorrer o litoral do Uruguai sem carro não é difícil, tem ônibus que leva até as rodoviárias das principais praias! A gente foi pra Cabo Polonio no dia 3 de janeiro e foi super tranquilo para chegar. Vou contar mais sobre essa viagem em outro post e coloco o link aqui. 

 

Veja mais sobre como chegar e se deslocar sem carro pelo Uruguai nesse post.

A cidade

A rodoviária de Punta del Diablo fica meio afastada do centro (dá uma caminhada pouco agradável de uns 20 minutos pelo acostamento da rodovia, sem sombra alguma), então o melhor é chegar e pegar uma van que sai periodicamente da rodoviária, cobra 30 pesos (mais ou menos R$3,50) por pessoa e leva até o centro. Pedimos para parar na Playa de La Viúda, que fica mais afastada do centro, e o motorista fez o desvio sem problemas e sem cobrar a mais. Pra voltar, pedimos o whatsapp do motorista e combinamos de ele nos buscar no hostel próximo à nossa casa. Também dá pra pedir pra recepção do hostel/pousada ligar pro serviço de vans pra combinar a volta!

 

Os restaurantes em Punta del Diablo não são dos mais incríveis nem baratos… a média de preços está próxima à de São Paulo e honestamente achei a qualidade mediana. Se quiser comer fora, recomendo os restaurantes Mirjo  e Hola Amor na rua que desce pra Playa de los Pescadores e o El Diablo Verde, que fica mais perto da duna da Playa de la Viúda (especialmente por causa dos donos simpáticos e gatos, a gente acabou voltando lá várias vezes, hehe). Sou exigente em matéria de restaurantes e infelizmente a culinária em Punta del Diablo realmente não me emocionou.

 

 

Tendo dito isso, vale muito a pena pedir os buñuelos de algas! Estão à venda em vários restaurantes e barracas de praia. São tipo tempurás de algas, naturalmente salgadinhos pelo mar 🙂

 

 

A beringela ao forno é uma opção gostosa e vegetariana no El Diablo Verde.

 

 

Já sabendo que sair pra comer não seria a melhor opção para nosso cotidiano na praia, fomos preparadas e animadas para cozinhar em casa e gastar dinheiro só em vinhos locais e nas caipirinhas na promoção duas por 150 pesos, hehe.

 

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No centrinho da cidade tem três mercados que têm o básico. Levamos do Brasil algumas coisas, como temperos, arroz pra risoto (que tava na promoção em BH), etc. Nos freeshops do Chuí, compramos champanhe para estourar no ano novo! O resto, compramos nos supermercados de Punta del Diablo mesmo. Pra quem curte churrasco, tem sempre muita carne à venda, mas vale lembrar que no Uruguai eles usam lenha e não carvão – nesse artigo da WikiHow tem dicas de como fazer churrasco com lenha.

 

Pra quem quer agito à noite, vale lembrar que a balada no Uruguai começa tarde, 2h AM. Isso mesmo. Não que em Punta del Diablo tenha uma noite louca, mas quem quiser dançar precisa esperar até 2h pra começar a chacoalhar o esqueleto na única boate da cidade, a Primata (provavelmente aberto só durante a alta temporada, no verão), que fica na beira da praia e segue com música até o nascer do sol.

 

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Vale a pena ficar acordado pelo menos uma noite para ver o sol nascer no mar – é lindo demais!

 

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Antes das 2h da manhã, muitos bares do centrinho tocam música alta e servem cervejas e drinks, alguns deles inclusive têm programação musical ao vivo, a gente assistiu a uma banda de cumbia no El Diablo Verde na noite do dia 4 e foi ótimo!

 

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Outro ponto de interesse é a feirinha de artesanato na Praia de los Pescadores. Ela fica abrigada em uma construção de madeira e algumas barracas têm bons preços! Comprei uma pochete de veludo cotelê que virou meu xodó e um colar de quartzo rosa na barraca do Nacho, esse senhor simpático da foto aqui em cima.

 

E eu não poderia deixar de falar da livraria El Diablo Lector!

 

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El Diablo Lector é a única livraria da cidade (que não tem nem agência dos correios, pasmem!) e vende livros novos e usados, além de caderninhos e outras cositas relacionadas a leitura.

 

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A dona, Lucero Zapata é muito, muito simpática e poderá indicar livros de literatura uruguaia e internacional. A livraria, claro, não atende só aos turistas: está aberta o ano todo e contribuiu para a alfabetização de várias crianças de Punta del Diablo <3

 

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Acabei comprando uma edição que reúne os últimos livros da poeta Juana de Ibarbourou. Ela é a escritora mais importante do Uruguai e está inclusive estampada na nota de 1000 pesos uruguaios. Foi muita sorte encontrar esse livro, que era o único dessa escritora na livraria.

 

vale lembrar que apesar da atmosfera relaxada e sensação de segurança, não podemos nos esquecer de que roubos podem acontecer: mantenha suas coisas sempre bem guardadas e sua casa fechada quando sair! Tenho certeza que sua estadia em Punta del Diablo tem tudo pra ser ótima como a nossa foi!

 

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Na foto: Lú, eu, Milla, Luli, Gabi, Letícia e Lari na nossa casita logo antes de colocarmos a ceia na mesa!

 

Nossa ceia de natal foi DELICIOSA! Antes que o céu desabasse sobre nossas cabeças, comemos pratos preparados por nós com muito carinho (sobrou comida demais, demais, demais), realizamos simpatias de ano novo e fomos até a praia (ainda tava só chuviscando de leve), onde deu pra ver um pouco dos fogos sendo estourados na Punta del Diablo (que fica na Playa de los Pescadores) do alto de uma duna.

 

Então, quando deu meia noite, estouramos a champagne comprada no Chuí e pulamos as 7 ondas no mar congelantemente antártico! Yemanjá há de escutar nossos desejos, né? Foi só então, depois de puladas as sete ondas, que a chuva apertou. Corremos pelas dunas de volta pra casa a tempo de nos refugiarmos antes que ficássemos ensopadas.

 

Eu até achei que ia animar esperar a chuva passar pra ir até o El Diablo Verde para brindar com nossos amigos do bar, mas fui a primeira a dormir no sofá – e depois na minha caminha quentinha ao som da chuva. Seria o prenúncio de um 2018 tranquilo? Pelo agito louco de janeiro, parece que não! Hahahaha. Mas tá sendo bom demais, não posso reclamar 🙂

 

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Onde se hospedar

Nossa turma de 8 mulheres (no final fomos 7, uma teve um problema de saúde e não pôde viajar…) alugou esta casa durante 10 dias. Toda construída em madeira, a 200m da praia, com deque com vista pro mar, churrasqueira, cozinha americana conectada à sala, dois quartos, dois banheiros + sofás-cama na sala por 1700 dólares (212 dólares para cada, +- 700 reais). Avaliamos opções até mais baratas, mas decidimos que pagar pra ter um banheiro a mais valia a pena, hehe.

 

Se você nunca usou o AirBnB, alugue por este link e ganhe 100 reais de crédito! 

 

Além do AirBnB, outros sites oferecem casas para alugar por temporada no Uruguai. Entre os sites uruguaios, o Casas en el Este tem várias opções bacanas e a navegação do site é boa. Para ter mais noção da diferença de preços em alta e baixa temporada, o Vivi Rocha pode ser um ótimo lugar para procurar.

 

Vale dizer que em todos os sites exceto o AirBnb você irá conversar diretamente com o proprietário (ou corretor imobiliário), pois a transação monetária é realizada diretamente com quem aluga. Isso dá margem para negociação de valores, mas ao mesmo tempo pode abrir margem para inseguranças e problemas de comunicação… nós alugamos pelo Casas en el Este e fizemos um depósito no ato da reserva, para pagar o restante em dólares quando chegamos na casa. O problema foi que na hora de transferir o dinheiro para o Uruguai, acabamos por pagar um valor mais alto pelo dólar – e consequentemente tivemos que levar mais dólares para pagar a segunda parcela do aluguel…

 

Hoteis e hostels em Punta del Diablo

Caso não queira alugar uma casa, aqui vão algumas opções de hospedagem em Punta del Diablo:
Quanto mais perto da Playa de los Pescadores, mais no “centro” da cidade você vai estar. Ficamos na Playa de la Viúda, que é uma região mais afastada e tranquila, mas ainda sim bem fácil de percorrer a cidade à pé.
Compay Hostel Punta del Diablo 
Hostel La Casa de las Boyas

Hostal del Diablo 
Laguada Hostel 
Hostal Vente al Diablo 
Hostel El Nagual 
Mar de Fondo Hostel 
El Indio Hostel 
Wanderlust Mini Hostel 

 

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