Viagem literária pela Rússia

 

Minha amiga Luísa Brasil, que é jornalista e advogada, fez uma viagem pela Rússia com um foco em especial: as residências e monumentos aos escritores russos. Ela foi com seu companheiro, uma viagem de 15 dias durante o mês de agosto (verãozão russo! Mas isso não quer dizer que dispensava uso de casaco..!).

 

Essa viagem literária da Lú e do Pedro foi tão legal que ela concordou em escrever pro blog contando tudo! Leia abaixo esse email de viagem e inspire-se para visitar a Rússia na companhia de seus autores russos preferidos.

Fez uma viagem incrível e quer compartilhar dicas com os leitores do blog? Me manda um email que eu publico! livia.aguiar@gmail.com


 

Viagem literária pela Rússia

Email de viagem de Luísa Brasil

 

Em agosto deste ano, passei 15 dias na Rússia. Quando resolvi ir o destino com meu namorado (marido? namorido?), muita gente veio nos perguntar o porquê. Achei curioso, já que a Rússia tem uma história tão incrível que não é preciso justificar uma ida para lá. Além das atrações turísticas mais conhecidas, o que nos motivou muito foi nossa relação com a literatura russa. Não sou nenhuma especialista, mas desde que li Crime e Castigo no final da adolescência, os russos só ganharam mais espaço na estante, deixando as outras nacionalidades pra trás. Li alguns clássicos, alguma (pouca) poesia, muitos contos e houve um ano em que eu praticamente deixei todos os livros de lado para ler Guerra e Paz, numa empreitada que levou oito meses.

A escolha do foco da viagem foi super acertada, pois os russos prestigiam muito a memória de seus escritores. É impossível ficar indiferente a isso quando você chega em Moscou e as estações se chamam Pushkinskaya, Dostoyevskaya e Mayakovskaya. As referências estão em todos os lugares: estátuas, museus, nomes de restaurantes, ruas e avenidas. É como se, no Brasil, você pegasse o metrô na estação Drummond, descesse na Avenida Machado de Assis, passasse na Praça Guimarães Rosa e fosse fazer uma boquinha no Café Lispector. Fica a dica pras autoridades.

 

A Rússia também tem muitos “museus-apartamentos”, casas onde escritores famosos viveram e que preservam acervos e muita memorabília. Para quem é fã, é um passeio imperdível. Na viagem, selecionamos três: os apartamentos do Dostoiévski, Bulgakov e Maiakóvski (esse último estava fechado para reformas). Aqui embaixo, falo um pouquinho sobre eles, sobre outros passeios que fizemos com referências literárias e sobre outros museus literários dignos de nota.

São Petersburgo

Apartamento do Dostoiévski

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Achamos que o museu ia ser super vazio, mas chegando lá descobrimos que, como nós, há muitos Dostoyevsketes espalhados pelo mundo. O Museu é dividido em duas partes. A primeira é o apartamento onde o escritor viveu nos seus últimos anos, até sua morte em 1881. Os cômodos foram recriados e há vários objetos originais (inclusive uma página manuscrita de Irmãos Karamazov – lágrimas de emoção), mobiliário e fotos de família. O que achei mais interessante é que, nesse pequeno tour, são mostrados aspectos da vida pessoal do escritor que eu não fazia ideia, como o fato de ele ter dois filhos e ser um pai amoroso, ou de ele ser super vaidoso e gostar de roupas de marca. Eu sempre o imaginei como um cara sombrio vivendo em um muquifo minúsculo, e na verdade o apê é espaçoso e bem decorado.

 

A outra parte é um anexo com fotos, documentos e um audioguia (em inglês e espanhol, raridade na Rússia!) que conta toda a vida do escritor em minúcias, além de contextualizar alguns dos seus principais livros. Essa parte é pra quem é fã MESMO, porque é bastante detalhada e pode ser meio entediante para quem não leu os livros.

 

Endereço: Kuznechnyy per., 5/2, São Petersburgo
Preço: Se não me engano, foi 150 rublos (R$ 8)

Apartamento do Pushkin

Alexander Pushkin é uma instituição na Rússia. Me parece que, no Brasil, o escritor russo mais conhecido é o Dostoiévski, mas por lá só dá Pushkin. Li no The Guardian que já foram recenseados mais de 300 memoriais em homenagem a ele na Rússia. Em São Petersburgo, é possível visitar o apartamento onde o escritor viveu e morreu, depois de levar um tiro em um duelo (!). Há inclusive um sofá manchado de sangue que seria dos ferimentos que o levaram à morte. A localização desse museu é ótima, perto dos principais pontos turísticos da cidade. Ou seja, dá pra ir sem ter que desviar muito o caminho de outras atrações. É um apartamento bem nobre – ele veio de uma família rica – com uma rica biblioteca e estudos de obras do autor.

 

Endereço: nab. Reki Moyki, 12, São Petersburgo
Preço: 200 rublos (R$ 10)

Parque Tsarskoye Selo, em Pushkin

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Palácio da Catarina antes e depois da restauração

 

Pushkin é tão amado na Rússia que uma das principais cidades turísticas do país leva seu nome. É uma cidade muito charmosinha no subúrbio de São Petersburgo, e sua principal atração é Tsarskoye Selo, um parque que abriga o Palácio da Catarina, imperadora badass que também é idolatrada na Rússia (um exemplo de empoderamento feminino, achei mara). Fomos em um domingo e pegamos uma fila interminável para entrar. O Palácio é super suntuoso, os Romanov não brincavam em serviço no quesito ostentação. Mas o que mais impressiona é que ele foi destruído pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, então o que vemos hoje é fruto de um trabalho de restauração primoroso.

 

Endereço: Sadovaya Ulitsa, 7, Pushkin (a 25 quilômetros de São Petersburgo)
Preço: 1.000 rublos (R$ 50 reais)

Moscou

Apartamento do Bulgakov / Patriarch’s Ponds

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Estátua do Maiakóviski com o Hotel Pequim ao fundo

 

Fizemos esse programa duplo logo que chegamos em Moscou. Bulgakov é famoso pelo livro O mestre e a Margarida, uma história cheia de surrealismos em que o diabo desembarca em Moscou com um gato preto armado e toca o terror na cidade.

Se o museu do Dostoiévski tem um clima de solenidade e reverência, o do Bulgakov é exatamente o contrário. É um museu super despojado e bem mais caótico. O apartamento é pequeno, com alguns itens do autor, pinturas e edições antigas do livro. Uma coisa engraçada é que há fotos autografadas de celebridades que há visitaram o museu, e uma delas é do Harry Potter Daniel Radcliff, que já declarou que O Mestre e a Margarita é um de seus livros favoritos. Esse museu tem um problema: só há informações em russo, o que abrevia um bocado o passeio.

 

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Patriarch’s Ponds – esse lugar calminho foi onde o diabo começou a atormentar os moscovitas

 

Depois de sair do Museu, fomos ao Patriarch’s Ponds, um pequeno parque bem próximo que é uma das locações mais importantes de O Mestre e a Margarida: é por lá que o tinhoso chega em Moscou.

 

Endereço: Bolshaya Sadovaya ul., 10, 50 (apartamento) e Bolshaya Sadovaya ul., 10, 50 (parque)
Preço: 150 rublos (R$ 8)

Parque Górki

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Um dos melhores programas que fizemos em Moscou. O parque Górki é o equivalente do Ibirapuera. Lá dentro tem galeria de arte contemporânea (o projeto é do Rem Koolhas, maravilhoso), pista de skate, aula de crossfit, uma floresta, gramado para tomar sol, cafés, restaurantes, foodtrucks… enfim, diversão para qualquer gosto. O nome é em homenagem a Máximo Górki, escritor e dramaturgo muito celebrado durante o regime soviético.

 

Endereço: Krimsky Val, 9, Moscou
Preço: grátis

Monumento a Pushkin

Existem várias estátuas de Pushkin espalhadas por Moscou, mas o monumento superlativo em homenagem ao escritor fica na Avenida Tverskaya, a mais importante de Moscou. Demos a sorte de ficar em um Airbnb a um quarteirão do monumento, então todo dia a gente dava um alô pro brother Pushkin. Se fosse só pela estátua, a visita não valeria, mas todo o entorno do monumento é interessante. Lá é cercado de lojas, restaurantes, jardins, e também é onde fica o Café Pushkin e a Yelievski Store, um supermercado todo ornamentado que não dá nem pra descrever, apenas sentir, é como fazer compras dentro do Hermitage. Da estátua, você chega no Kremlin em dez minutos andando.

 

Endereço: Avenida Tverskaya, entre as estações Pushkinskaya e Tverskaya
Preço: grátis

Estação Dostoyevskaya

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O metrô de Moscou é considerado uma atração turística. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo: um dos roteiros turísticos da cidade é sair andando de metrô e ir parando nas várias estações maravilhosas e super ornamentadas. Há desde os temas soviéticos até os temas monárquicos a la Romanov. No nosso roteiro, incluímos a estação Dostoyevskaya, onde há painéis em homenagem ao autor. Um deles é a cena icônica do assassinato de Crime e Castigo, onde o personagem principal, Raskolnikov, mata sua locadora com um machado. Aparentemente, o senso estético russo considera apropriado botar uma cena dessas em uma estação de metrô. Como somos #teamdostoievski, tivemos que ir até lá fazer umas fotos.

 

Endereço: Estação de metrô Dostoyevskaia, linha verde-clara do metrô
Preço: 50 rublos o bilhete de metrô (mais ou menos R$ 2,50)

Grand Café Dr. Jhivago

O café mais famoso de Moscou é o Café Pushkin (olha ele aí de novo). Estávamos planejando ir lá, mas nossa host do AirBnb alertou que ele era completamente superestimado e caro. Ela nos deu a dica de um outro café, com inspiração literária também: o Café Dr. Jhivago. Bem pertinho do Kremlin, ele fica no térreo do Hotel Nacional, um dos marcos da região. Lá dá pra tomar um típico café da manhã russo, regado a muito chá e blinis, desde que o bolso esteja preparado. A gente conhece Dr. Jhivago pelo filme, mas o livro é do Boris Pasternak, autor bem famosão entre os russos que também tem um museu-casa para chamar de seu, a 25 quilômetros do centro de Moscou.

 

Endereço: ul. Mokhovaya, 15/1, Moscou (em frente ao Kremlin)
Preço: Grátis para entrar. Para comer, o céu é o limite

Monumento a Maiakóvski

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Tentamos ir ao museu-apartamento do Maiakóvski, onde ele morou até se matar, mas ele estava fechado para reformas (desde 2013!). Ficamos super decepcionados e tivemos que nos contentar com o monumento em sua homenagem na Triumfalnaya Square. A praça acabou de ser reformada, com um projeto super moderno. Não é exatamente um ponto turístico, é mais frequentada por locais, mas é muito bom de ir para sentir o dia-a-dia da cidade. No seu entorno fica o Hotel Pequim, um hotel lendário de Moscou, restaurantes e vários teatros.

 

Endereço: Triumfalnaya Square, Moscow
Preço: grátis

 

E mais!

Moscou ainda tem vários outros museus-apartamentos, que não conseguimos ir por falta de tempo, mas podem ser interessantes. Há o do Vladmir Nabokov e o de Nikolai Gogol, por exemplo. No interior, fica o museu Yasnaya Polyana, onde Tolstói viveu e escreveu Guerra e Paz e Ana Karenina. Esses vão ficar pra quando a gente voltar 🙂


 

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