Splitwise, o app para dividir despesas que vai descomplicar suas viagens em grupo

Dinheiro é frequentemente uma fonte de stress em viagens em grupo, afinal uma paga por certas coisas, outra paga outras contas e de repente tá todo mundo se devendo alguma grana, uma confusão difícil de resolver que pode inclusive ser o começo de várias brigas. Não mais! O Splitwise veio para acabar com as discussões “quem pagou o quê” em viagens! E ainda é grátis!

 

Há alguns anos, meu amigo Rafael Souza viajou para a África do Sul com um grupo grande e me contou maravilhas sobre o Splitwise. Ele falou sobre como foi fácil dividir contas de bar, despesas com hospedagem, comprinhas para a casa alugada, registrar dívidas em diferentes moedas…. Guardei a informação em alguma gaveta na memória, mas só fui mesmo precisar do aplicativo recentemente, quando viajei para o Uruguai junto com 6 amigas (veja os posts sobre essa viagem aqui!).

 

E, meudeus, que aplicativo incrível! Na verdade, ele também é um site: tem versão em app para android e apple, além da versão para desktop. Todas as versões são gratuitas!

 

Recomendo muito que você baixe agora e comece a usar nas suas próximas viagens em grupo! Acho que até pra viagens em dupla pode ser uma boa, especialmente se forem duas pessoas de humanas, hahaha. O Splitwise permite que você aproveite as férias sem ter que fazer conta pra dividir gastos – nem na mesa do bar. Maravilhoso!

 

Nós tínhamos um grupo grandinho, 7 mulheres, que chegaram em duas datas diferentes, o que poderia ter sido uma fonte de stress e contas feitas e refeitas pra ver se estava tudo certo… mas nós já começamos a usar o splitwise antes de sairmos do Brasil, quando começamos a comprar mantimentos para cozinhar na casa que alugamos, e seguimos registrando tudo no aplicativo.

 

Essas foram as últimas movimentações do nosso grupo Bonde UY, que foram basicamente os acertos de contas após a viagem propriamente dita:

 

Splitwise eusouatoa 4

 

 

O app foi criado para ser usado tanto para pessoas que dividem casa quanto em viagens em grupo. Ao criar um grupo de viagem, é possível alterar a moeda em que foi feita a despesa, o que facilita se for um rolê internacional e tiverem gastos em vários países. Por exemplo: quando fomos para o Uruguai, gastamos em reais (passagens e compras que levamos do Brasil pra Punta del Diablo), em pesos uruguaios (os gastos durante a viagem) e em dólares (a champagne que compramos no free shop e o aluguel da casa).

 

Antes da viagem, cadastrei o nosso grupo no aplicativo e mandei o link gerado pelo próprio app para que todas as participantes entrassem no grupo.

Uma vez que todas as pessoas estão cadastradas, basta ir registrando os gastos, sempre colocando um título que ajude a identificar a que se refere – também dá pra incluir uma foto (da conta detalhada, por exemplo) e uma nota explicando do que se trata. Cada despesa aparece já com os valores divididos para uma das participantes.

 

 

Splitwise eusouatoa 5

 

Ao cadastrar uma despesa no app, é preciso marcar quem participou da compra – que pode ser todo mundo ou só algumas das pessoas do grupo. Como uma das minhas amigas é vegana, por exemplo, a gente não a incluiu nas compras de alimentos que ela não come, como carne, leite e ovos. Também dá pra cadastrar pagamentos individuais, por exemplo: a Luísa comprou um protetor solar pra mim, porque o meu estourou na bolsa durante a viagem, então ela registrou pelo app uma dívida que era só minha.

 

É um aplicativo muito inteligente, mesmo, e nessa viagem a gente não teve oportunidade de explorar todos os recursos que ele oferece – quem sabe nas próximas?

 

A funcionalidade “simplificar dívidas do grupo” é a mais incrível de todas: o aplicativo calcula todas as despesas a serem pagas e redivide os valores de modo que cada membro do grupo tenha que pagar o que deve a apenas uma pessoa (quando isso for possível), ao invés de pagar 10 reais pra uma, 30 reais pra outra, receber 25 reais daquela e 5 reais desta… aquela confusão de viagens em grupo que muitos já conhecem.

 

Splitwise eusouatoa 2

 

Todos do grupo podem incluir despesas e registrar pagamentos de dívidas – e não é preciso esperar a viagem terminar para quitar despesas. Então, quando foi chegando o final da viagem, quem tinha pesos uruguaios pagou em dinheiro vivo as suas dívidas às amigas que tinham grana pra receber (e que já tinham gastado quase todos os seus pesos), economizando, assim, idas desnecessárias à casa de câmbio. Como o uso de cartão de crédito é restrito a alguns estabelecimentos em Punta del Diablo, a gente também revesava quem pagava cada conta com cartão para equilibrar quem pagou o quê. Na volta, as dívidas que restaram foram acertadas sem nenhum stress.

 

Te convenci? Espero que você curta como a gente curtiu! Espero que as suas viagens sejam mais simples e felizes 🙂

Links para a versão do app para android, apple, e o site.

Você pode viajar sozinha! Vem comigo que te ajudo a planejar!

Vivemos na era da informação na ponta dos dedos, dos guias de viagem em PDF e epub, dos blogueiros que produzem conteúdo sobre o planeta inteiro, wifi por satélite, apps que facilitam comunicação, compra e reserva de passagens e hospedagem, redes sociais que permitem mostrar o que está acontecendo em quase qualquer parte do mundo. E uma mulher que viaja sozinha ainda é uma heroína desbravadora de terras desconhecidas.

 

Gente, vamos parar com isso: viajar sozinha não é para poucas, é para todas! Não é difícil. Não é solitário. Não é caro. E não é mais perigoso do que viver no Brasil.

 

Esse post é pra você que fica colocando uma montanha de dificuldades pra sua viagem dos sonhos. Um estímulo para que você pare de esperar por uma companhia ideal para realizar aquela sua viagem. Um ultimato para você começar a planejar seu voo solo pela primeira vez.

Você pode viajar sozinha!

A primeira barreira a vencer é você mesma. Somos criadas para acreditar que somos frágeis, que o mundo é perigoso, que sozinhas não somos capazes de fazer quase nada.

 

Tudo intriga da oposição, claro. Como seres humanos, animais no topo da cadeia alimentar, nós podemos tudo! Temos tecnologia para enfrentar todos os tipos de clima e chegar em qualquer parte do globo.  

 

O dia que todas as mulheres tomarem as rédeas da própria vida e ocuparem todos os espaços, sendo tratadas como seres humanos e não como “o outro”, o “segundo sexo” como diria Simone de Beauvoir, o mundo todo vai ser bem melhor do que é hoje.

 

E quando digo mulheres, gostaria de ressaltar que e incluo aqui não só as mulheres que nasceram com genes XX, mas também as mulheres trans, os homens trans, os homens gays, as pessoas bissexuais, sem gênero e todos os seres humanos que não se encaixam no “padrão” homem hétero branco cis (que nasceu com genes XY e se identifica com o gênero masculino), sejam elas pessoas brancas, negras, indígenas, orientais, pobres, ricas, gordas, magras, altas, baixas, do campo, da cidade, da floresta, da montanha. E se me esqueci de algum grupo, favor dar um toque que incluo aqui.

 

E essa liberdade não vai ser boa “só” pras mulheres: os homens hétero cis (que são a minoria dominante) também serão livres para serem quem quiserem, expressar seus sentimentos livremente, exercer sua sexualidade sem se sentirem ameaçados, sem medo de “parecerem femininos”. Hoje em dia, ser feminino é xingamento! Por que? Porque ser mulher não é qualidade, é defeito. Ainda. Mas espero que um dia isso mude e a gente não precise mais do feminismo. Enquanto a gente ainda precisa dele, vamos com ele, abrindo nossos espaços a fórceps, do jeito que dá, cada uma com sua estratégia para ser mais livre.

 

O MEU jeito de me sentir mais livre é ocupando a rua, por todos os países que vou. Sem abrir mão da minha feminilidade, da minha espontâneidade e das minhas vontades.

 

Espero que esses pequenos atos de bravura, que nem são tão corajosos assim (nunca coloquei minha vida em risco deliberadamente), ajudem a abrir espaço para mais e mais mulheres! E vamo que vamo, sozinhas, porém juntas 🙂

 

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Estratégia para economizar na viagem: pegar carona com o instrutor de caiaque local (foto em Vang Vieng, Laos)

Questões financeiras

Para viajar, basta querer. E pesquisar bastante para fazer a viagem caber no orçamento. Se você abrir mão de certos confortos, é possível fazer uma viagem sozinha que vai custar bem menos do que um pacote de viagens.

 

Existem promoções insanas de passagens aéreas, compras com milhas, grupos de carona no Facebook, couchsurfing, wwoof, helpex, grupos de doação, troca e venda de tudo! Quanto mais flexível você for a datas, destinos, conforto em meios de transporte e acomodação, mais barata pode ser sua viagem.
Isso não quer dizer que você vai precisar acampar no meio da natureza nem ficar em albergues xexelentos em todos os lugares que for visitar, mas trocar o hotel com estrelas pelos estabelecimentos mais baratos do Booking já são um bom começo.

 

Se for ficar muitos dias numa cidade só, o Airbnb pode ser uma boa. E o Couchsurfing também é uma alternativa grátis ao problema do “onde dormir”, especialmente em cidades grandes – escolha pelos perfis com melhores avaliações de outros usuários e também experimente esse grupo de couchsurfing só para mulheres.

 

Se o dólar estiver muito alto para seu orçamento…

Estão aí nossos hermanos de fronteira com paisagens, comidas, culturas e todo tipo de atrativos de viagem a preços acessíveis – a gente não precisa nem de passaporte para entrar! Viaje apenas com seu RG para a Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela!

 

E OPA, não podemos esquecer que a gente mora num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza!

 

O Brasil é um continente inteiro, com diferentes sotaques, sabores, ritmos, climas e ambientes naturais que encantam todos os sentidos!

 

Não precisamos sair daqui para termos experiências incríveis – e, por mais que os sotaques variem, ainda tem a vantagem de falarmos a mesma língua! Ahm, quer dizer, na maioria das vezes. Não podemos esquecer das comunidades indígenas e seus idiomas <3

 

Para encontrar passagens baratas:

Recomendo baixar o aplicativo do Melhores Destinos para ficar de olho nas promoções de passagens.

 

Uma vez definido o destino desejado, outra estratégia é criar um alerta de voo no Kayak que avisa quando as passagens abaixarem de preço.

 

Ah, e não se esqueça nunca de comparar os preços com a compra de milhas pela MaxMilhas, um site que conecta donos de milhas a vencer com pessoas que querem comprar. A passagem pode sair até 80% mais barata que o preço normal!

 

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Selfie no parque dentro do centro murado de Chiang Mai, Tailândia

Questões de segurança

Não é porque estamos viajando sozinhas que estamos nos colocando em risco de morte. Vale lembrar que o triste desfecho das duas mochileiras argentinas no Equador é exceção e não a regra. E que elas não estavam viajando sozinhas: elas estavam juntas, uma com a outra. E isso não as impediu de serem violentamente arrancadas da própria vida.

 

Nós vivemos em um dos países mais perigosos para ser mulher. Somos o 5º país que mais mata mulheres, segundo a OMS, e o 4º mais perigoso para mulheres viajantes, segundo a International Women’s Travel Center (atrás apenas da Índia, Egito e México).

 

Exatamente por termos nascido no Brasil, esse lugar tão adverso para as mulheres, acredito que aprendemos na marra a sobreviver, a criar estratégias para nos protegermos.

 

A maioria dos países vai parecer bastante segura para quem está acostumada a ver arrastão na praia no Rio de Janeiro, por exemplo. É triste? É. Mas acredito que isso nos faz mais fortes e mais preparadas para viajarmos sozinhas para qualquer lugar.

 

Calmalá, e isso é motivo para a gente não viajar para o Brasil?? Não!

Mais uma estatística triste que joga a favor de viajar sozinha: o maior risco de morte para as mulheres é em casa. Parceiros, ex-parceiros, pais e irmãos são os principais autores de feminicídios no Brasil e no mundo.

 

Então… bora cair na estrada, não é mesmo? Se a gente sobreviveu até agora, não vai ser numa viagem que a probabilidade de acontecer alguma coisa grave vai aumentar.

 

Não deixe de se cuidar da mesma forma como se cuida na sua cidade

  • mantenha seus pertences perto de você
  • guarde seus bens valiosos em armários com chave (leve seu próprio cadeado)
  • não aceite bebidas que você não sabe de onde vieram
  • não aceite convites que lhe pareçam estranhos
  • siga sua intuição
  • se sentir que alguma coisa está estranha, saia fora!

 

Escrevi mais dicas de segurança em viagens aqui 

 

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Eu e Ingrid, amiga norueguesa, em um salão de beleza em Vientiane, Laos. Uma das coisas legais de viajar sozinha é estar aberta a conhecer gente nova!

Mas… sozinha???

Quando viaja sozinha, você aprende a curtir a própria companhia, não tem que seguir os planos de ninguém além dos seus próprios. Você viaja no seu tempo, descansa quando quer descansar, acorda quando quer acordar, vai onde quiser ir, permanece lá o tempo que desejar, come o que quiser comer, na hora que der fome.

 

Existe liberdade maior do que ser a dona do próprio nariz? É uma excelente oportunidade para se conhecer a fundo, a entender seus limites, repensar atitudes, se reinventar.

 

Fora isso, quando você viaja sozinha, a chance de conhecer pessoas novas aumenta em 1000% (pesquisa da DataEuMesma, com margem de erro de 300% para mais ou para menos), afinal você está sozinha mas não precisa virar uma eremita. Também pode. Mas aí estar sozinha não é uma questão, certo?

 

Seja nas áreas comuns dos hostels e hoteis, no balcão de um bar, em um tour que você contratar… qualquer oportunidade pode virar um gancho de conversa. Como vocês podem ver pelas fotos nesse post, econtrar outras mulheres viajando sozinhas pode ser maravilhoso, muitas vezes são encontros com muita troca e encorajamento para seguir viajando, mesmo quando bate aquela saudade da melhor amiga que ficou em casa.

 

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Eu, Aaji e Gemma, duas canadenses que conheci na Tailândia e reencontrei no Laos e no Camboja (algumas vezes por acaso no meio da rua!!). O que a gente viveu juntas dá um livro inteiro 🙂

E sabe o que é mais legal de conhecer alguém durante a viagem?

Se vocês se conectarem de verdade, você ganhou um amigo para a vida inteira. Veja quantas amigas eu fiz na estrada e que são próximas até hoje! E conheci muitas mais, as que estão nas fotos deste post são as que tenho uma selfie mais ou menos decente pra compartilhar com vocês, hehe.

 

E se o santo não combinar tão bem, basta dizer “desculpe, quero fazer o próximo passeio sozinha” e você nunca mais vai ter que aturar essa pessoa na vida 🙂

 

Se você não é dessas que toma iniciativa, ficar hospedada em um hostel pode ser um bom primeiro passo para entender como fazer amigos estando sozinha. As áreas comuns são catalisadoras de novas amizades – se você não puxar conversa com alguém, alguém vai puxar conversa com você. E se você não curte ficar de pijama na frente de pessoas que não conhece, dá pra reservar um quarto privado no hostel e usufruir dessa atmosfera de troca sem abrir mão de sua privacidade.

 

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Outra vantagem de viajar sozinha: você vai melhorando a técnica de tirar selfies

Mas eu não sei planejar viagem…

Você não chegou até essa parte do post pra desistir porque é difícil planejar uma viagem só pra você, do jeito que você quiser, né? Uma vez definido o destino e as datas, é hora de fazer seu plano de viagem!

 

Verifique os vistos, vacinas e documentos necessários para ir até o destino desejado e comece a providenciar tudo! Além disso, gosto de começar a pesquisa procurando ler tudo que existe sobre o destino que vou visitar: guias de viagem, blogs especializados, livros de literatura que se passam no destino… planejar a viagem já é um jeito de começar a viajar!

 

Depois de definido o plano de ação no destino (passeios que gostaria de fazer, restaurantes imperdíveis, bares, lojas, museus, praias…), já dá pra reservar (ou procurar no couchsurfing) acomodações e verificar quais meios de transporte internos e ingressos você vai precisar comprar com antecedência.

 

Eu prefiro deixar alguns trechos da viagem sem planejar totalmente para dar uma margem de manobra para o inesperado.

 

Por isso, nunca reservo passagens de ônibus antes, a não ser que seja alta temporada e isso seja necessário para que eu não fique sem assento. Mas atenção: para alguns destinos concorridos, como Machu Picchu, é preciso reservar com antecedência, porque o sítio arqueológico tem limite de visitantes diários!

 

A TicketBar também oferece ingressos antecipados para museus e passeios com descontos (e alguns deles com guias em português), então, dependendo do seu tempo de viagem, também pode valer a pena.

 

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Mochileiros se parecem com mochileiros não importa onde. Na cena, eu e Edu, holandês, tipicamente mochileiros: saquinho de marmita na mão, pochete/bolsa/mochila empoeirada, chinelo e roupas que claramente nunca viram um ferro de passar roupa e são lavadas nas pias de hostels pelo mundo

E aí… Vamos?

Este é um blog que panfleta a favor das viagens independentes, em prol da liberdade das mulheres e pela descoberta de um mundo mais amplo, gentil e conectado. Eu viajo sozinha e acredito no poder de cura, autoconhecimento e aprendizado de uma viagem solo. Também gosto de viajar com amigos e família, mas é sozinha que eu mergulho mais fundo, em mim mesma e nos lugares que visito.

 

Quanto mais mulheres viajando, ocupando as ruas, os ônibus, aeroportos, tours, hoteis, campings, boleias de caminhão, mais seguro vai ser para todas nós!

 

Espero que, um dia, uma mulher sozinha viajando não seja motivo de espanto e sim um fato normal.

 

Faz tempo que quero escrever esse post e esse assunto rende mais um mês de postagens!

 

Mulheres viajam sozinhas há muitos séculos, mas só recentemente nós podemos fazer isso sem precisarmos nos travestir de homens, nem romper com a sociedade em que vivemos. Somos mais livres do que nunca e é preciso que nós nos aproveitemos dessa liberdade para conquistarmos mais espaços e ainda mais liberdade!

 

Se você gostou desse post, recomende a uma amiga, compartilhe nas suas redes sociais, espalhe a ideia das viagens solo por aí!

 

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13 dicas práticas de segurança em viagens 

Viaje pelo mundo fazendo trabalho voluntário
Trabalho voluntário em uma fazenda orgânica na borda do mundo 

Peace In, Peace Out: retiro de meditação pela paz na Tailândia

 

Mais inspirações para você cair na estrada:

Se os posts desse blog não te encantarem a fazer o mesmo, talvez esses 7 relatos de mulheres que viajaram sozinhas possam fazer isso?

E que tal ler o livro Queria Ter Ficado Mais, com 12 histórias de viagem escritas por 12 autoras sobre 12 cidades diferentes? (eu escrevi sobre Istambul!)

Tem também o livro “Mas você vai sozinha?”, da Gaía Passarelli, com histórias de viagens que ela fez sozinha pelo mundo!

O filme Wild, produzido e protagonizado por Reese Witherspoon, escrito a partir do livro da Cheryl Strayed.

Dicas de Paris – arte de rua, cafés, livrarias e outros achados

Arte de rua por Le Chevalier. A frase quer dizer “o amor nunca é sujo”

 

Minha amiga Marina Borges foi a Paris pela primeira vez em 1999 e se apaixonou pela cidade. Voltou à capital francesa em em 2001, morou por lá entre 2003 e 2004, retornou para uma visita em 2008 e desde então tenta voltar todos os anosdurante as férias.

 

As dicas de Paris da Marina consideram que você já sabe o que irá visitar dos roteiros tradicionais e está procurando lugares interessantes e menos turísticos para descobrir as esquinas da Cidade Luz. A Marina sempre viaja para andar muito, tomar cafés e comer docinhos. Então calce sapatos confortáveis e leia este email de dicas de Paris escrito pela Marina para o Fernando Guerra, amigo que é designer, ilustrador e amante de quadrinhos.

 

Muito obrigada, Marina, por enviar essas dicas tão incríveis pros leitores do blog!

É leitor e tem um email de viagem muito legal para compartilhar? Envie para mim que publico no blog 🙂 livia.aguiar@gmail.com

Paris

por Marina Borges

Para ver arte de rua em Paris

Street Art Tour http://undergroundparis.org/booking 

Eu fiz o tour em 2013, achei muito legal! Paris tem vários bons artistas, como o Fred Le Chevalier. Peguei um guia sensacional, fotógrafo, conhece todos os artistas e era muito engraçado. Andei por mais de 3h30 e nem vi passar.

Se você não conseguir fazer o tour, sugiro que passe pela Rue Oberkampf (entre Av. de la République et Av. de Ménilmontant). Já tem umas imagens legais de street art lá. É também o bairro mais artístico de Paris. Geralmente ninguém te leva pelo bairro, pq tem muitos imigrantes, os franceses tem um super preconceito. Mas é bem legal, vale a pena ir.

A Rue Oberkampf atravessa o Boulevard de Ménilmontant e vira Rue de Menilmontant. Ela tem algumas coisas bacanas de street art também. Mais no alto desse bairro tem o Parc de Belleville, que tem uma vista linda da cidade.

Butte aux Cailles – crepe + street art

É uma região de muita street art e pouco turistica também. A rua principal é a Rue de la Butte aux Cailles. Tem uma boa creperia nela (Des crèpes et des cailles). A região tem uma carinha de vila.

 

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Salão do La Caféothèque

Para tomar um bom café em Paris

La Caféothèque – 52 Rue de l’Hôtel de Ville

Uma cafeteria com ambiente legal, café gostoso, grãos de várias partes do mundo. Tomei um muito bom lá ano passado.

 

Passe na Du Pain et des Idées (34 Rue Yves Toudic) e compre um dos caracois (escargots, são deliciosos) ou o pain des amis, que é invenção deles. A padaria é ótima.

 

Café Coutume – 47, rue de Babylone

Fica perto da Grande épicerie de Paris – se vcs ainda não foram la, esta é a hora – e tem um visual muito diferente. A agua é servida em vidros tipo béqueres e erlenmeyers, tipo aula de quimica. O café é bom. Eles vendem grãos e utensilios para fazer café em casa.

https://fr-fr.facebook.com/Coutume

http://moldandoafeto.com/cafe-coutume/

Se algum de vocês gostar de igrejas ou quiser levar lembrança pra mãe ou tia que gosta, a capela de Nossa Sra da Medalha Milagrosa é ali perto. É bonita, tem um altar em mosaico. E vende medalhas.

Livrarias maravilhosas em Paris

Shakespeare & Company – 37 Rue de la Bûcherie, 75005

Atravesse a av da Notre Dame em direção ao St Germain que vc chega lá. Gostei muito da livraria, vc acha uns tesouros em inglês.

 

Album (quadrinhos em francês e outras línguas + itens colecionáveis)

67 Boulevard Saint-Germain (a segunda unidade é do outro lado da rua)

 

Artazart (83 Quai de Valmy), especializada em arte, design e fotografia.

 

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Vista do telhado da Printemps 

Outras dicas de Paris para sair da rota turística

Le Stube – 31, rue de Richelieu 75001

Comida alemã bem gostosa. Eu e meu irmão comemos muito lá. Tem um menu du jour por uns 12 euros com cachorro quente de salsicha alemã e mostarda boa, cerveja e uma fatia de torta. Minha preferida foi a de citron aux amandes, mas as de chocolate são ótimas.

 

Bierissime – Marché Saint Quentin – 85 bis Boulevard Magenta. www.bierissime.fr

Loja de cervejas que fica no meio do mercado Saint Quentin. Tem muitas cervejas artesanais de Paris e região. O vendedor é super bacana, te explica sobre todas as cervejas, acha uma pro seu gosto e pro seu bolso. Não é mto caro. Comprei uma bière blanche de l’Yvette que fez sucesso la em casa. É legal ir nessa região, que não aparece nos guias de turismo e tem muitos imigrantes. Daqui, com alguma caminhada, vc chega ao Canal Saint Martin

http://parisladob.wordpress.com/2012/01/11/dois-marches-de-bairro-cerveja-artesanal/

 

Canal Saint Martin – Quai de Valmy et Quai de Jemmappes

É um lugar pra passar o fim de tarde, andando na beira do canal, bebendo vinho, comendo pizza do pink flamingo (http://parisladob.wordpress.com/2013/07/26/a-pizza-do-balao-rosa/ – atenção pro horario de abertura deles, acho q é depois das 18, 19h).

É um outro clima na cidade, um dos meus lugares preferidos.

 

La Chambre aux Confitures – 9, Rue des Martyrs

Uma loja só de geleias! Eu amei. As geleias francesas são maravilhosas. Tem umas muito boas, daquelas pra colocar em cima de queijos. E tem umas combinações diferentes; tipo cenoura com vinho gerwurstraminer, muito boa por sinal. A vendedora sugeriu incluir na massa do bolo de cenoura. Só não recomendo a de “orange avec fleur d’oranger”, tem mto gosto de perfume. Vc pode experimentar todas.

Na mesma rua tem varios endereços gastronômicos. http://gastrolandia.uol.com.br/viagem/paris-parte-2-a-deliciosa-rue-des-martyrs/ (peguei a dica da loja aqui)

 

Telhado da Printemps – Bolevard Haussmann, perto da Galeries Lafayette

As fotos desse post não fazem jus, ok? É um bom passeio, provavelmente vc deve passar la perto ainda. Não precisa consumir nada pra ver a vista, só subir. Subir, surbir, subir. As escadas rolantes ficam mais estreitas, mas pode continuar subindo. Fica na loja do 64, bd Haussmann

http://www.conexaoparis.com.br/2013/08/08/a-varanda-do-ultimo-andar-do-printemps/

 

Cemtério Père Lachaise (Jim Morrisson) + Freddie’s Deli 

Sempre vou lá pq meu pai é espirita e visita o Allan Kardec. Mas tem o Jim Morrisson, o Oscar Wilde etc. O cemiterio é bonito. Lá perto tem o Freddie’s Deli, que tem um sanduiche mara. (22 Rue Crespin du Gast, 75011 / http://www.freddiesdeli.com/). A dona desse lugar é dona do Camion qui Fume, o primeiro food truck de Paris.

 


Fotos deste post: Marina Borges, cedidas gentilmente ao blog para acompanhar este texto 🙂

 

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Mais posts do eusouatoa.com sobre Paris:

Lugares favoritos para não fazer nada em Paris

Museando por Paris

La Tour (ela mesma)

Serelepe pelo jardim de Versailles

 

Hospede-se em um lugar bacana em Paris:

Hostels (os mais baratos ficam no bairro de Montmartre, que é ótimo!)

Bed & Breakfasts e Hospedarias

Durma em um barco no rio Sena! O hotel Peniche – Le Nénuphar fica ancorado no 13° arr.

A tal hora de ir pra casa

Começa com uma saudadezinha mais apertada do que o normal.

 

Você passa a contar mais e mais casos de família, de amigos, de paqueras antigas. Conta pra todos que conhece na estrada sobre como sua mãe é incrível, seu pai é sensacional, suas irmãs são inteligentíssimas em todos os campos do conhecimento. As suas amigas são as mais lindas, os amigos também. E todos têm um toque especial que os torna únicos e insubstituíveis. Você começa a mostrar mais fotos deles pras pessoas. Marca mais conversas por skype. Prepara coxinha, pão de queijo, faz arroz com feijão mesmo sem ter panela de pressão. Relembra os lugares especiais por onde viajou dentro do seu país. Tenta imitar os diferentes sotaques. Ri de si mesma por não conseguir falar nem o seu brasileiro nativo direito: algumas palavras saem em portunhol, outras em portunglês, faz tempo que não encontra ninguém da terrinha.

 

Pronto, tá instalada a saudade.

 

Saudade boa, daquelas que fazem a gente sorrir quando lembra dos ventos nas diferentes estações do ano, da chuva de verão que acaba rápido, do inverno fresco, do cheiro matinal de café e pão com manteiga, das frutas mais bobas e baratas (como são gostosas), da linguagem secreta dos vendedores de rua, das expressões faciais e gestos comuns que só são comuns lá, na terra natal.

 

Então a saudade começa a apertar mais. Você sonha com os seus mais queridos, começa a ficar até chata de tanto falar do Brasil.

 

Tenta se distrair com mais viagens, chega a lugares incríveis que você jamais imaginou que existiam. Conhece gente nova, revê amigos feitos na estrada, experimenta novos temperos, novos ingredientes, ouve novos sotaques, novos cantos de rua, novos ritmos. Mas seu pensamento está no feijão tropeiro, na farofa, no jiló refogadinho, no acarajé da baiana da feira, no cantar “ó o pesado, ó o pesado” do carregador, no caminhão de pamonha, no apito do amolador de faca da esquina da casa da vó.

 

“Por que fui embora mesmo?”. O corpo e a mente pedem aconchego. “Quem sabe continuar viajando, só que no meu próprio idioma?” “Primeiro vou abraçar minha mãe”.

 

As notícias do mundo de lá não são das melhores: onda de direitismo egoísta, pedidos pela volta da Ditadura (esqueceram tudo??? Ou nunca souberam? Ou nunca se importaram?), redução da maioridade penal (só pros pobres, claro, os ricos não ficam presos), demissões em massa nas redações jornalísticas (surpreende que ainda há gente nas redações), recessão econômica, perspectivas ruins para os próximos dois anos, a alta do dólar, ai, o dólar.

 

O borderô da viagem ainda tá na metade, a passagem aérea pode ser remarcada sem grandes dramas, aparecem oportunidades para alugar por um mês uma casinha quase de graça no meio do paraíso, os projetos que dependem da estrada não param de surgir. Ou seja: não existem razões lógicas para voltar.

 

Aí você considera que não vai voltar pra casa, vai ir pra casa. E seguir indo. Vai fazer um pit-stop estratégico. Quem fica? Essas condições inóspitas de temperatura e pressão. Decide voltar, mas sem voltar de vez. Você vai, sem fincar raízes, mas de volta às raízes. Vai reabastecer, respirar os ares da terrinha, rever suas montanhas, dançar a sua música, deixar de ser “a brasileira”, voltar a ser mais uma brasileira. Aninhar-se.

 

O coração pede.

 

Brasil, pode colocar mais água no feijão que eu tô chegando!

Dicas para conhecer Recife pelo estômago

Meu querido amigo Alan Albuquerque tem um olhar especial sobre as coisas. Ele recentemente viajou a Recife e região (para o carnaval 2015!) e enviou este e-mail de viagem para seu amigo Peagá. Alan atua como relações públicas em São Paulo e, quando viaja, tende a querer comer tudo, o que faz com que suas dicas de passeios sempre incluam o que comer, onde comer. Então… prepare-se para viajar gastronomicamente a Pernambuco lendo o texto dele! Depois deste post, você vai saber exatamente onde e o que comer em Recife.

 

Obrigada, Alan, por compartilhar seu e-mail de viagem com o blog! Quem quiser mandar suas dicas também (de viagem pelo Brasil ou exterior), encaminhe para livia.aguiar@gmail.com

 

Comer em Recife

Por Alan Albuquerque

Oi Peagá,

Segue a minha lista de coisas preferidas de Recife:

 

restaurante de comida tradicional. se prepara para comer até explodir. preço justo.

fica na casa amarela, bairro zero badalado.

fica numa rua escondida e nem tem placa. é uma porta tipo de casa normal e você vai entrando. sobe as escadas e chega.

entradas preferidas: caldinho de mocofava e escondidinho de camarão (foto acima)

prato preferido: arroz de terceira

sobremesa: era tipo um sorvete com cocada e tapioca, coisa assim

 

esse é um restaurante mais fancy, um pouquinho mais caro, mas achei que valeu a pena.

fica perto do centro, numa rua que tem outros restaurantes fancy e que também são bem falados.

comi um prato de camarão com gergelim que tava excelente.

 

a parte mais velha da cidade se chama bairro do recife, ou recife antigo. é uma ilha.

tem um largo bem central lá chamado marco zero. do marco zero você pega umas canoas que atravessam o canal e te levam até uma espécie de deque que tem esculturas do brennand (você vai ouvir falar muito dele).

se você caminha até a outra extremidade dessa espécie de deque, chega a esse restaurante. antigamente era como uma estância onde a nobreza tomava banhos de água natural — daí casa de banhos. o negócio foi ficando decadente e acabou pegando fogo no século passado. hoje em dia funciona como um restaurante com vista privilegiada.

 

o preço é um pouco salgado, mas vem MUITA COMIDA. não tem prato individual.

pedi o prato mais famoso, a moqueca de arraia (deliciosa) e aquilo servia três pessoas tranquilamente.

depois tem que pegar a canoa pra voltar, rs.

 

pizza deliciosa a preço de banana.

 

o mercado da boa vista é um dos lugares com vibes mais legais que visitei na cidade.

o mercado é tipo uma pracinha com vários bares em volta.

um dos mais famosos é esse bar do neto, onde tem que comer macaxeira com carne mesmo.

 

bar/café de cervejas importadas, artesanais, tudo. um charme. fica no recife antigo, no meio das ruas estreitas e bonitas, o que dá uma graça a mais pro lugar. dois dias seguidos eu fui nesse bar e emendei com outro pertinho, cujo nome não me lembro, mas que fica na praça do paço do frevo. esse bar da praça sempre tem gente cantando música tradicional e do lado de dentro é muito bonito

 

complexo de bares simprões no centro. é onde todo mundo se encontra para beber cerveja baratíssima. um monte de mesas de plástico espalhadas no quarteirão inteiro, bem do jeito que a gente gosta, rs. se você tiver coragem, acho que é uma boa ocasião para comer um tira-gosto típico: a passarinha, que nada mais é que placenta de vaca frita, tipo bife. não encarei 🙂

 

mercearia coberta de quinquilharias do chão ao teto. todo mundo se junta na porta desse lugar; de vez em quando tem alguém tocando forró. basicamente a ideia é ficar de pé bebendo e dançando na rua — lembrando que as ruas do centro histórico de olinda são lindas demais.

 

  • também em olinda fala-se muito de um restaurante chamado xinxim da baiana, de comida baiana, mas estava em reforma.
  • ainda em olinda: fui a um bar meio ruim, meio sem graça, mas com uma vista maravilhosa, pois fica praticamente dentro do mar. chama marola.

café caro mas com estrutura incrível no recife antigo. são três andares. no segundo, um sofá gostoso para sentar paquerar, se você estiver com chamego com alguém. no terceiro, um terraço incrível. no primeiro, uma loja com coisas legais, tipo suvenirs, porém caras.

 

  • Bares da Rua da Moeda

basicamente outra concentração de bares onde todo mundo se encontra 🙂 o trânsito da rua fica fechado, então as mesas ficam espalhadas pela rua. também é recife antigo, ao pé da estátua do chico science.

 

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Ver em Recife

museu com estrutura de ponta, que conta a história do frevo – a qual se mistura com a história do próprio carnaval da cidade.

fica no recife antigo.

o primeiro andar é beeeem histórico, com a história do frevo contada no detalhe, de ano a ano, percorrendo o século passado inteiro. é meio cansativo, mas curti.

o segundo andar tinha uma exposição temporária fraca.

o terceiro andar é um show!!!

 

  • outro museu super bem falado lá perto é o cais do sertão, mas acabei não conseguindo ir :/ confundi os horários nas duas vezes que tentei entrar e dei com a porta fechada.

 

a família brennand é uma das mais tradicionais e ricas de pernambuco.

o instituto ricardo brennand é uma espécie de castelo (?!?!) onde a família guarda coisas.

essas coisas podem ser bem kitschs, como na primeira exposição que estava montada lá.

essas coisas podem ser preciosidades, como o acervo incrível que aborda o período de ocupação holandesa. pinturas de registro e documentos maravilhosos para ver.

essas coisas podem ser uma ode ao ego do ricardo brennand, como a super coleção de armas brancas (?!?!) expostas no fim do castelo. é estranho mas impressionante.

o lugar como um todo é bem bonito. o acesso é complicado; o instituto fica atrás do campus da universidade federal. e atenção para os horários de visitação, que são restritos.

um outro membro famoso da família é o francisco brennand, escultor mais famoso de pernambuco e ainda vivo. tenho dúvidas se gosto das coisas dele. ele tem um atelier aberto que dizem ser incrível, mas não consegui visitar, pois o acesso também é difícil.

 

  • Passeio de catamarã no Capibaribe

parte do forte das cinco pontas um passeio de catamarã que percorre a área central da cidade, no capibaribe.

o passeio tem coisas toscas, como a narração do guia, o incentivo a bater palmas debaixo das pontes e a trilha sonora do barco. no entanto, ver a cidade desse ponto de vista é incrível.

 

só tem dois horários de passeio, no fim da tarde e à noite. fui no fim da tarde, adorei. atenção, o lugar de onde o barco parte, esse tal forte das cinco pontas, também é de acesso um pouco complicado. o ideal é ir de táxi (nem de bicicleta recomendo). no caminho de volta, recomendo que você desça do catamarã ainda na passagem dele pelo marco zero, sem completar o caminho de volta até o forte. assim você consegue se locomover melhor pela cidade em seguida.

aliás, falando em bicicleta, toma cuidado ao andar. o trânsito de recife, além de cheio, é bem indisciplinado.

 

  • Praia de Boa Viagem

aquilo é um pecado. a praia é linda demais, mas não dá pra nadar por causa dos tubarões. ainda assim acho que vale o passeio, pois a praia é agradável e bonita. o melhor point é em frente à padaria boa viagem. siga a tradição pernambucana e tome caldinhos quentes (o meu preferido era o de peixe) debaixo do sol rachando. tem ostra baratinha também; não gosto.

 

  • Mercado São José

é o ‘mercado central’ de recife, super tradicional. vale muito ir para ver o tipo de coisa que se vende. tem suvenir barato também. perto do mercado fica um centro cultural, cujo nome me esqueci, que também dizem ser ótimo para comprar artesanatos e coisinhas. não consegui ir. funciona numa antiga cadeia.

 

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  • Porto de Galinhas/Carneiros (FOTO ACIMA)

eu vinha ouvindo falar mal de porto de galinhas; diziam que era cheio demais e isso tornava a praia zuada. não sei se é porque fui depois do carnaval, mas não tava lotado e achei a praia deslumbrante.

 

quando a maré tá baixa, você consegue ir andando até o meio do mar, sobe nos arrecifes (cuidado!), anda no meio dos peixes, é demais. o centrinho da vila é fofo, mas tem que procurar bem para não cair em armadilhas como os restaurantes caros estilo pega-turista. fiquei num hostel bacana, mas hippie demais, deixava a desejar na limpeza. acho que a melhor pedida lá é ficar no chez lagarto mesmo, que também tem ótima localização.

 

de porto de galinhas dá pra fazer passeios legais, como mergulhos (fiz), bugs (não deu tempo) e carneiros (totalmente imperdível, mas se prepare para pagar uma fortuna pela única opção possível de almoço. o melhor mesmo é levar uma matula.) ah, e no passeio de catamarã, cuidado na parada dos arrecifes. teve gente que escorregou e machucou, teve um moço que pisou em ouriço. o melhor passeio que fiz em arrecifes foi numa praia de paulista — cidade acima de olinda — chamada maria farinha. foi paradisíaco, mas acho que não tem passeios comerciais de barco até lá. só fui porque o amigo de um amigo de um amigo tinha lancha.

 

se for a porto de galinhas, super recomendo jantar nesse lugar. comi salada um dia e crepe no outro, tudo tava incrível!!!!

saudades de lá! no mais, passe bastante filtro solar, aproveite a simpatia do povo pernambucano e perambule pela rua da aurora (arrume um filme qualquer para ver no cinema são luiz, lindíssimo!!!!), pelo recife antigo e me diz se não dá vontade de morar lá 😉

 


 

Fotos do post: Alan Albuquerque, cedidas gentilmente ao blog para acompanhar este texto 🙂

 

Muito obrigada, Alan, por compartilhar seu email de viagem com o eusouatoa.com! Já deu muita vontade de voltar a Recife e provar tudo que você recomendou!!!

 

Ei, leitor, quer publicar um email com dicas de viagem  aqui no blog? Encaminha pra mim: livia.aguiar@gmail.com

 

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Outros hotéis em Olinda

A importância de fazer pausas em uma viagem longa

 

Quando você está fazendo uma viagem longa, parar em um lugar por mais tempo serve para descansar, reorganizar a viagem, economizar dinheiro e conhecer melhor o lugar escolhido.

 

Mover-se de um lugar a outro o tempo todo cansa! Você sabe como é: longas viagens de ônibus, caminhadas para conhecer tudo, museus com corredores infinitos, tours que saem cedo e voltam tarde, passeios para ver o nascer do sol, gente nova o tempo todo, as mesmas perguntas quando conhece alguém novo (qual o seu nome? De onde você é? Por quando tempo está viajando? O que você faz?). É uma canseira boa, mas não deixa de sugar as energias.

 

Se depois de um tempo os museus, ruínas e outras atrações turísticas começarem a cansar e parecer que é tudo a mesma coisa, é hora de fazer uma pausa.

 

Quando viajamos por um mês ou menos, tudo bem voltar cansado pra casa: basta desfazer a mala, tomar um banho longo no seu chuveiro maravilhoso com a sua toalha preferida e dormir na sua própria cama por algumas horas. Na pior das hipóteses, você vai trabalhar como um zumbi na primeira semana de volta das férias, mas depois retornará ao ritmo normal.

 

Mas e quando suas “férias” duram mais de dois meses? Não dá pra ficar nesse ritmo frenético de viagem intensiva-vamos-aproveitar-cada-minuto o tempo todo. É preciso parar com calma às vezes, ficar uns dias à toa depois de longas horas dentro de um ônibus, tirar uma semana para descansar num lugar que te deixa confortável, encontrar uma atividade que requeira permanência por um período mais longo.

 

Existem muitas alternativas para descansar no meio da viagem, dependendo do interesse e do orçamento. Fazer um curso de algumas semanas, alugar um apê por temporada ou hospedar-se em um hotel/hostel confortável para você, recolher-se em um retiro espiritual/ashram de yoga/meditação ou trabalhar. Para trabalhar em um lugar, primeiramente é preciso saber como funciona a lei do país que você está. Na maioria deles, é proibido ganhar dinheiro se você entra com o visto de turista, mas há alternativas, como o trabalho voluntário. Como voluntário, você pode fazer qualquer função, contando que você não tenha um salário, claro. Existem opções para todo tipo de gostos: de ensinar inglês para crianças em um orfanato a trabalhar em uma fazenda orgânica ou em um hostel em troca de acomodação.

 

Se você está pensando em fazer uma viagem longa, não deixe de planejar essas pausas – ou de se permitir ficar onde você estiver se sentindo à vontade. Afinal, não somos Phileas Fogg na corrida para dar a volta ao mundo o mais rápido possível, certo?

Arde ou não arde? Dicas para lidar com as pimentas mexicanas

A tolerância à pimenta é algo pessoal e que muda à medida que se consome mais e mais picante. Se estiver indo para o México Índia ou sudeste asiático, a pimenta fará parte da sua vida, quer você queira ou não. Se for alérgico, traga remédio antialérgico porque às vezes é impossível que a comida venha sem picante. A pimenta está na panela, nos utensílios, no ar onde a comida é preparada, mesmo que eles não acrescentem pimenta ao seu prato, é possível que venha algum vestígio dela, então conheça o comportamento da sua alergia e esteja preparado para lutar contra ela.

 

Boa notícia para os alérgicos e pouco tolerantes à pimenta: em comparação com a comida asiática, a comida mexicana não é tão apimentada.

 

Enquanto num prato tailandês é impossível fugir da pimenta porque ela está em quase todas as preparações, no México, a maioria das comidas de rua vêm sem pimenta (e com pouco sal) porque é esperado que você ataque os molhos oferecidos pelo restaurante (ou barraquinha). Adicionar salsa (molho) é parte do ritual gastronômico mexicano.

 

Se você não adicionar os molhos de pimenta, muitos pratos vão parecer frios de sal e condimentos: o segredo está na salsa. Se você não pode com pimenta, peça sal, limão, cebola e coentro para condimentar sua comida.

 

Essa regra não vale para os pratos que vêm sem molho de pimenta ao lado, como mole, entomatadas e chilaquiles: nesse caso, a pimenta já vem na preparação (ou não), então pergunte para o garçom antes de pedir.

 

Existem diversas pimentas mexicanas, aprender a distinguir entre elas é vital para não pagar o mico do gringo da boca ardida. Via de regra, os molhos de habanero são os mais picantes e os molhos verdes (quando não são de habanero) feitos com tomate verde ou abacate são os menos picantes. Jalapeños, famosos no Brasil por serem fortes, são consideradas pimentas mexicanas de ardência média. A pimenta chipotle é a mais defumada (uma das minhas preferidas). O chile serrano é tipo a nossa dedo-de-moça. E o chile poblano é um pimentão verde escuro com mais sabor: na maioria das vezes, ele não é picante, mas dizem que um a cada 10 poblanos arde muito, então prove com cuidado antes de dar uma boa garfada em um.

 

Muitos lugares fazem o seu próprio molho, o que eu acho muito mais gostoso (fique de olho se ele parece fresco e se o lugar parece limpo antes de encher o prato, sempre!),mas outros oferecem salsas industrializadas, o que tem a vantagem de conter rótulo com lista de ingredientes e, por isso, apresentar menos surpresas quanto ao seu grau de picância.

 

Regra de sobrevivência: use um pedacinho de tortilha e prove-a com uma gota do molho antes de encher meu taco de condimentos.

 

Abaixo, testes de sabor e picância com 6 molhos de pimenta bastante comuns na Cidade do México.

 

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Salsa Huichol – 1 pimentinha

Não se deixe enganar pelo rótulo: esse é o menos picante dos molhos da foto.

Feita com jalapeños, é um pouco amarga, mas bastante branda em termos de ardência.

 

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Salsa Valentina – 2 pimentinhas

Um dos molhos mais comuns do México. Ela é usada pelos mexicanos como se fosse catchup.

Não arde muito em comparação com outras, mas é mais forte que a Huichol (acima).

 

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La Guacamaya – 3 pimentinhas

Ácida e levemente doce.
É mais picante que a Valentina, mas também mais saborosa. Dos 6 molhos sobre a mesa, a minha preferida, mas usei com moderação.

 

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Salsa Marisquera México Lindo – 3 pimentinhas

Levemente defumada e com bastante sabor de tomate, é um molho teoricamente ideal para ser usada com frutos do mar.

Não gostei muito. É tão picante quanto a Guacamaya (acima).

 

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Chimay Negra – 4 pimentinhas

HABANERO! Uma das pimentas mexicanas mais fortes! A marca Chimay tem 4 versões: amarela, roja, negra e verde, sendo que a amarela é a mais ardida de todas e a verde “não arde” (arde, sim, mas não tanto quanto as outras).

A negra é gostosa, pra mim que já estou acostumada com as pimentas daqui, dá pra pingar umas gotinhas sem fazer careta.

 

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Chimay Roja – 5 pimentinhas!!

Bastaaante picante! Não comeria de novo em um taco, mas talvez pingando algumas gotas em uma sopa ela fique palatável.

O sabor da habanero é muito intenso e eu gosto, apesar do ardor.

 

Comeu e ardeu demais?

Peça um copo de suco ou refrigerante, o açúcar ajuda a cortar o picante da boca.

 

Hospede-se na Cidade do México

Opções na Roma/Condesa

Pra mim, o melhor bairro pra se hospedar: perto do metrô, do metrobus (BRT) e de diversos bares e restaurantes

Hostel 333 – o hostel onde trabalhei na Cidade do México. Excelente localização, preços baixos, festas no terraço.

Hostel Home – hostel parceiro do Hostel 333 – mais calmo e com excelente wifi, hehe.

Hostel Condesa

 

Opções no Centro Histórico:
Hostel Mundo Joven

Mexico City Hostel

Anys Hostal

 

Opções na Zona Rosa e Colónia Juarez

La Tercia

Hostel Inn Zona Rosa

Hotel Casa Gonzalez

15 citações de Jack Kerouac para alimentar a fome de viagens

Jack Kerouac é um dos autores que mais me inspiram a viajar mais e viajar sempre.

 

Ainda que ele tenha uma história de vida intensa e cheia de altos e baixos (morreu aos 47 anos de hemorragia interna devido ao consumo excessivo de álcool), me fascina a sua obsessão por duas coisas que amo: viajar e escrever.

 

Comprei o livro “On The Road: Original Scroll” numa promoção da Livraria Cultura e confesso que não conseguia avançar na leitura. O famoso livro “Pé na Estrada” (título em português) teve uma primeira versão feita de “uma só vez” em um rolo de papel que Kerouac criou com diversas folhas coladas e ajustadas à sua máquina de escrever. E quase não existem parágrafos (na verdade, acho que não tem nenhum parágrafo), o que torna a leitura difícil. Tentei, não consegui e o livro ficou pegando poeira na prateleira.

 

Mas levei na mochila quando fui viajar e, na estrada, a leitura fez sentido. É hoje um dos meus livros favoritos, especialmente a primeira parte, quando Jack, alter-ego de Kerouac, viaja de costa a costa dos Estados Unidos pedindo carona.

 

Abaixo, selecionei algumas fotos minhas de viagem e as minhas citações favoritas de Jack Kerouac para alimentar a sua fome de viagens. Espero que gostem!

 

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“Jack, nós temos que ir e nunca parar de seguir enquanto a gente não chegar lá”

“Para onde estamos indo, cara?”

“Eu não sei, mas temos que ir”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Voo SP – Cidade do México

 

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“Porque, no final, você não vai se lembrar do tempo que passou trabalhando no escritório ou aparando a grama. Escale aquela maldita montanha”

Jack Kerouac – Os vagabundos iluminados

 

Foto: Lívia Aguiar – Vang Vieng, Laos

 

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“Estrada sagrada, estrada louca, estrada arco-íris, estrada do peixe, qualquer estrada. É uma estrada em algum lugar para alguém de alguma maneira”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Matmata, Tunísia

 

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“A pureza da estrada. A linha branca no meio da rodovia desenrolava e abraçava nossa roda esquerda como se estivesse colada ao nosso groove”

Jack Kerouac – Pé na Estrada: Manuscrito Original

 

Foto: Lívia Aguiar – Estrada de Chetumal a Escarcega, México

 

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“Nada atrás de mim, tudo à minha frente, como acontece sempre na estrada”

Jack Kerouac – Pé na Estrada: Manuscrito Original

 

Foto: Lívia Aguiar – Estrada às 4 mil Ilhas, Laos

 

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“Não tínhamos que falar mais nada. O único a fazer era ir”

Jack Kerouac – Pé na Estrada: Manuscrito Original

 

Foto: Lívia Aguiar – Capadócia, Turquia

 

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“Nossas malas puídas estava empilhadas na calçada de novo; nós tinhamos longos caminhos a seguir. Mas não importa, a estrada é vida”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Estrada a San Antonio Mulix, México

 

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“Eu estava surpreso, como sempre, por como era fácil ir embora e como isso me fazia me sentir bem. O mundo estava rico de possibilidades de repente.”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Deserto de Tar, Índia

 

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“Viva, viaje, aventure-se, abençoe e não se arrependa”

Jack Kerouac – Anjos da Desolação

 

Foto: Lívia Aguiar – Mazunte, México

 

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 “O que há para mim na direção que eu não tomar”

Jack Kerouac – Os Subterrâneos

 

Foto: Lívia Aguiar – Varanasi, Índia

 

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“Os únicos que me interessam são os loucos, aqueles que são loucos por viver, loucos por falar, desejosos de tudo ao mesmo tempo, os que nunca bocejam nem dizem coisas de lugar-comum… mas queimam, queimam, queimam como velas romanas pela noite”

Jack Kerouac – Pé na Estrada: Manuscrito Original

 

Foto: Lívia Aguiar – Pushkar, Índia

 

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“Toda a terra dourada está à sua frente e todos os tipos de eventos imprevistos esperam de tocaia para te surpreender e fazer você feliz por estar vivo para ver”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Bangcoc, Tailândia

 

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“O que vamos fazer? O que faremos nós? Vamos nos mover!”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Istambul, Turquia

 

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“A estrada deve, eventualmente, guiar-nos por todo o mundo”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Voo SP – Buenos Aires

 

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“Não tenho nenhum outro lugar para ir que não sejam todos os lugares e continuar rolando sob as estrelas”

Jack Kerouac – Pé na Estrada

 

Foto: Lívia Aguiar – Macau, China

 

 

Conhece alguma citação do Jack Kerouac que você gosta que não está aqui? Poste nos comentários!

Chuva, granizo, nevasca… quando o mau tempo não ajuda

Não adianta espernear, fazer bico, pirraçar, culpar São Pedro: tem dias que o tempo simplesmente não estará para o turismo e será preciso mudar de planos.

 

Aconteceu comigo semana passada. Depois de quatro dias de tempo maravilhoso em Guanajuato, peguei um ônibus para San Miguel de Allende, a apenas 1h de distância, com o sol ainda brilhando. Mas bastou chegar e fazer check-in no hostel que as nuvens dominaram o céu. Deu pra ir ver a famosa catedral da cidade antes de a chuva cair. Primeiro fina, dava para abrir o guarda-chuva e caminhar de um ponto turístico a outro, mas depois foi pesando, pesando, pesando… impossível continuar.

 

Mau tempo instalado, o que fazer? Eu só tinha um dia e meio para conhecer San Miguel de Allende e não parecia que a chuva ia dar nenhuma trégua (como não deu).

 

Para mim, viajar é feito de caminhar, pegar transporte público, sorrir para estranhos, explorar lugares que não estão marcados no mapa da secretaria de turismo, perder-se e encontrar-se, dar espaço para o inesperado, para pessoas e situações novas. É observar com olhos de quem acaba de nascer, expandir o meu universo conhecido a cada passada em direção ao novo. E como fazer isso se eu preciso correr rápido de um lugar coberto para outro? Não tem como. Relaxei. Paciência.

 

Se não dá pra estender a viagem (e torcer pro tempo melhorar nos próximos dias), só existem duas alternativas: vestir galochas, capa de chuva e sair na marra ou encontrar um lugar agradável para passar o tempo. Existe um ditado norueguês que se traduz como “não existe tempo ruim, existem roupas ruins”.

 

Mas eu só tinha roupas ruins (para a chuva) e não estou mais na Noruega, onde o clima é imprevisível, mas previsivelmente ruim.

 

Optei pela segunda alternativa. Um amigo que conheci na Cidade do México mora em San Miguel, então entrei em contato com ele e nos sentamos em um bar-café, de onde vimos a chuva cair forte sobre os telhados e terraços charmosos da cidade (foto do post tirada do nosso ponto de observação).

 

Não era exatamente o que eu tinha planejado para minha estadia, mas é melhor que ficar zanzando molhada e de mal humor entre um lugar e outro. Os pontos turísticos de San Miguel de Allende ficam para a próxima vez, quem sabe.