Leitura de trecho do livro “Queria Ter Ficado Mais” e debate sobre mulheres na literatura

Eu, Barbara Heckler, Clara Vanali, Cecilia Arbolave e Clara Averbuck. Ficou faltando a Lígia na foto, ela foi embora mais cedo…

 

No dia 19 de maio, a Editora Lote 42 promovou um debate muito interessante sobre mulheres na literatura na Livraria Blooks, em São Paulo. Eles convidaram as autoras do “Queria ter ficado mais” para compartilhar suas experiências com a literatura escrita por mulheres – tanto como autoras quanto como leitoras.

 

Dividi a “mesa” de debates com a Cecília Arbolave (Buenos Aires), Clara Vanali (Roma), Barbara Heckler (Barcelona), Ligia Braslauskas (Berlim) e Clara Averbuck (Londres). A conversa foi mediada pelo João Varella, dono da Lote 42 (junto com a Ceci Arbolave e o Thiago Blumenthal).

 

Não conhece o livro? Ele é lindo!

 

E não é só porque é meu filho (com várias outras mães). O “Queria ter ficado mais” é composto por 12 cartas, sobre 12 cidades diferentes, escrito por 12 autoras mulheres. A editora nos convidou a escrever sobre uma cidade que a gente queria ter ficado mais, por isso escolhi falar sobre Istambul. Cada capítulo/carta é ilustrado pela Eva Uviedo e o projeto gráfico é da Luciana Martins.

 

Acesse loja do blog para comprar seu exemplar! Veja como é o livro:

 

 

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Uma tia me perguntou se eles iam lançar o livro depois em formato “normal”, rs. Não, não vão, a graça (também) está nas cartas!

 

Depois do debate, que incluiu participações interessantíssimas de mulheres da plateia, cada uma de nós leu um trecho de seu capítulo.

 

As histórias variam muito. Tem pra todos os gostos: amor, família, drogas, perrengues no estrangeiro, futebol, festa, guerra…

 

Eu fiquei obviamente super nervosa ao ler o meu trecho, como você pode ver no vídeo abaixo, feito pela minha amiga Fabiane Zambon (muito obrigada, Fabi!!).

 

É só um gostinho pra vocês saberem como é o meu capítulo. Para saber mais, só lendo o livro!

 

 

Sobre o debate, acho que falei demais em algumas horas, rs, mas gostei muitíssimo de participar!

 

Além disso, foi a primeira vez que conheci algumas das autoras! A Ceci Arbolave é minha amiga há alguns anos (e ela que me convidou a participar do livro), a Barbara e a Clara Vanali eu conhecia de vista dos corredores da Editora Abril e a Clara Averbuck eu conhecia só da internet, do incrível portal feminista Lugar de Mulher. Das 12, também conheço a Cecília Araújo, deeeesde os tempos de Comunicação Social na UFMG. Queria mesmo que todas pudessem ter ido, pra fazer um encontrão, hahaha. Fica aí a dica, pessoal da Lote!

 

Se interessou pelo “Queria ter ficado mais”? Saiba mais informações (e compre do seu exemplar), na loja do blog 🙂

 

 

 

O que os problemas em viagens me ensinaram

Eu e Angela, canadense que mora em Chegdu, China, durante as festas do Ano Novo Chinês em Hong Kong

 

Um dos motivos que me fazem querer viajar sempre e mais é a quantidade de coisas que aprendo no caminho.

 

Não só a geografia, língua e história dos lugares pra onde vou, mas também é um momento que sou obrigada a exercitar os valores que meus pais me ensinaram durante a minha infância. É nas situações problema que a gente é colocado para exercitar a nossa educação, ânimo, capacidade de contornar dificuldades. E problemas em viagens são inevitáveis! Não que isso seja realmente ruim. “Viver é muito perigoso”, disse Riobaldo diversas vezes em Grande Sertão: Veredas (livro excelente de Guimarães Rosa). É perigoso, mas é bom demais!

 

Ao viajar, saio da minha zona de conforto, do meu círculo de amigos que já me conhecem e toleram meus defeitos, para chegar “de para-quedas” num grupo novo, numa cultura nova, num lugar onde ninguém me conhece nem entende a minha linguagem corporal. Viajando, preciso ser extra-simpática, extra-educada, extra-atenta a tudo, preciso expressar-me de maneira clara para conseguir o que quero. Não vai ter ninguém que me conhece pra entender minhas loucuras, minha falta de tato, minhas manias.

 

1. Respeito às diferenças

Na China, é educado deixar comida no prato e mostrar que você está tão cheio que não consegue mais comer. Na Noruega, as pessoas raramente dizem “obrigada”, “por favor” e “com licensa”, a amabilidade está na entonação com que elas dizem as palavras. Os muçulmanos e judeus religiosos não comem carne de porco. Os católicos fazem o sinal da cruz quando passam em frente a uma igreja. No interior de Minas, as pessoas “dão uma passadinha” na casa dos outros sem avisar, pra tomar um café e prosear. Em São Paulo, é preciso marcar programas com os amigos com dias de antecedência.

 

Identificar as diferenças culturais dos lugares que visitamos (e dos turistas que dividem quarto/tour/avião conosco também) é fascinante! Pra mim, é uma das razões para cair na estrada! Respeitar as diferenças é parte importante de viajar – e deve ser parte do cotidiano também, é claro.

 

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Eu e a prima da minha amiga Maha, em Gabes, na Tunísia. Ela que colocou o lenço em mim. Fui à Tunísia a convite da Maha, amiga tunisiana muito querida que conheci na Índia. 

 

2. Compreensão

Tá, você respeita as diferenças culturais, mas… e quando não é só uma questão cultural e passa a te afetar diretamente? Tipo quando um mexicano fuma dentro de um lugar fechado. Quando diversos indianos pedem o tempo todo pra tirar fotos com você. Quando o alemão do seu quarto não toma banho há três dias (e dá pra saber pelo cheiro). Quando uma família suíça pega biscoitos que caíram no chão, sopra, come e te oferece um deles. Todos são casos reais, rs.

 

Não precisamos ser como eles nem aceitar todo tipo de comportamento, mas precisamos compreender que nem todo mundo está acostumado às mesmas regras e hábitos que nós. Que eu e você, mesmo compartilhando o mesmo país e a mesma língua, também temos maneiras diferentes de lavar a louça suja, varrer a casa, comer uma coxinha (pela ponta ou pela bunda?). E é preciso aprender a lidar com isso educadamente. Negar com um sorriso, pedir com gentileza ou simplesmente ignorar o que te incomoda.

 

Foi só quando eu entendi que os franceses adoram reclamar, praticam a reclamação como esporte nacional, é que percebi que o problema não era comigo. Eles reclamam e tiram aquele sentimento negativo de dentro deles, (muitas vezes) não guardam mágoa depois. Reclamam da chuva, do sol, do calor, do frio, da fila, da rapidez do caixa do supermercado, do preço da gasolina… Parei de dar bola pras reclamações, falei meus bonjour, merci e au revoir (as únicas coisas que sei falar em francês, rs) e tive uma experiência mais agradável quando estava em Paris.

 

3. Paciência

Esperar faz parte da viagem. Tipo ter que chegar no aeroporto pelo menos 1h antes do voo, fazer fila por uma mesa naquele restaurante super recomendado, respeitar o horário de check-in do hotel, passar o tempo dentro do ônibus/trem/avião/barco de um ponto a outro.

 

Além desses momentos já programados, é fato: ônibus, trens e aviões vão se atrasar, quebrar, entrar em greve. Lojas e restaurantes vão abrir e fechar em horários diferentes do que está escrito no guia. Tours vão se atrasar e podem até ser adiados por causa do mau tempo, das outras pessoas do grupo, da desorganização da agência. É inevitável. E, quando isso acontecer, não há nada a fazer além ter paciência. Até na Alemanha, famosa pela pontualidade de seus trens, eu tive que esperar por 2h na estação de Berlim – os condutores estavam de greve.

 

Dica: viaje com baralho, livro e música para ajudar nessa espera. Se ela é inevitável, que pelo menos seja agradável.

 

4. Flexibilidade

Não vai dar pra seguir o plano? Então refaça o plano! Como as pessoas do país/região que você está resolveriam o seu problema? O que posso fazer durante o tempo que eu tinha reservado pra atividade que não vai rolar? Peça sugestões, avalie possibilidades, escolha a que mais te agrada dentre as opções possíveis (e não as que você tinha planejado que seriam possíveis).

 

Isso serve tanto caso seu hotel tenha perdido sua reserva quanto se seu voo de balão na Capadócia for cancelado em cima da hora por causa da chuva. Minha amiga Luísa esteve na Turquia recentemente e aconteceu exatamente isso com ela. Chato, mas aí ela foi passear pelos vales à pé mesmo – e se divertiu muito!

 

 

 

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Amigos que fiz em Guanajuato, no México. O Javier (à esquerca) me hospedou por três dias na casa dele, graças a um amigo em comum que nos colocou em contato

 

5. Amabilidade

Quando algum serviço não funciona como deveria, quando algo não acontece como planejado, não adianta gritar, xingar, fazer birra. Comportamentos desagradáveis não vão te ajudar a chegar a lugar algum, não vai resolver nada. Se você for grosseiro e acabar por conseguir um serviço ou compensação, pode ter certeza de que vai ser feito com má vontade (isso quando não cuspirem no seu prato ou deixarem uma “surpresa” no quarto).

 

É muito comum ver turistas dos Estados Unidos tratando as pessoas como se fossem superiores, como se fosse obrigação serví-los e lamber seus sapatos. “Vou te processar” – uma ameaça que pode se tornar fato – mas vai resolver o problema? Vai fazer com que a viagem fique mais agradável? Não.

 

“Desce do salto!”, diria minha mãe. O melhor jeito de lidar com os problemas da vida, viajando ou não, é com amabilidade. A conhecida boa educação. Calma, racionalidade, sorrisos, vontade de resolver o problema junto. Não se esqueça de colocar a amabilidade na mala (e usar!).

 

 

6. Humildade

Chegando num país novo, você não sabe de nada sobre o transporte público, funcionamento das ruas, efetividade das leis, lugares seguros e inseguros para visitar…

 

O viajante é sempre a pessoa mais burra da sala.

 

Você pode até ter lido muito sobre o assunto, mas só a experiência vai te dar a verdadeira dimensão das coisas. Por isso, aprendi a perguntar até mesmo as perguntas que parecem ridículas – e então pude compreender melhor o lugar onde eu estava.

 

7. Simpatia

Você chega em um lugar novo e ninguém te conhece, naturalmente. Mas basta sorrir, cumprimentar pessoas desconhecidas, perguntar suas dúvidas educadamente para alguém, puxar papo no hostel, numa fila, no ônibus, no museu… logo você terá vários amigos – alguns laços vão durar meses, anos, para sempre, outros vão ser esquecidos no momento que vocês se separarem. Acontece, é parte da vida, rs.

 

Ao viajar sozinho, você acaba conhecendo muito mais gente ainda, porque as pessoas puxam papo, querem saber sua história, seus planos de viagem, sua vida – e querem compartilhar a deles também. Por estar sozinho, você está muito mais “vulnerável” a esse tipo de abordagens de desconhecidos – e disposto a fazer o mesmo! Afinal está sozinho e nem sempre isso significa querer a solidão.

 

Munique-Alemanha-Eusouatoa

Um dos 34872465987649876 amigos que fiz no Oktoberfest em Munique, Alemanha. Fui sozinha, mas em momento algum eu brindei sozinha! (não sei de quem era esse chapeu)

 

 

8. Cara-de-pau

Ela vem junto com a simpatia, rs. É essencial deixar a vergonha de lado, o medo do que as pessoas vão pensar, pra conseguir o que você quer: seja uma nova amizade, hospedagem gratuita na casa de um amigo de um amigo, um par pra arriscar os passos de uma dança nova e desconhecida pra você….

 

Minha irmã Marina costuma dizer “50% do que você não tem, é porque você não pediu”.

 

Rigores estatísticos à parte, que mal há em pedir (com educação, claro)? O pior que pode acontecer é você levar um “não” como resposta. Você já tinha a negativa antes de pedir, então…

 

Para mais motivos para viajar (precisa?), acesse:

Razões para largar tudo e viajar pelo mundo

15 lições de vida que aprendi viajando 

Citações de Jack Kerouac para alimentar a fome de viagens

13 dicas de segurança em viagens

Como conheci uma família de beduínos (e fiquei na casa deles). Ou: o poder do SIM

Top Choices of How to Connect to Chromecast

Facts, Fiction and How to Connect to Chromecast

If you would like the full run back on the desktop casting option, take a look at our guide to Chromecast mirroring here. There’s a quick preliminary setup that you must complete once you’re connected, just as there was with the original Chromecast bringing it online to your house network. Because one is a wonderful free streaming software and the other one is among the best dongles you may easily afford. It’s a paid program that operates over a Wi-Fi connection.

To utilize Chromecast without Wi-Fi is an extremely straightforward process. Just bear in mind mirroring your whole screen is an experimental feature, and might not always work as expected. You may not have to search further. Now, you all must’ve got a crystal clear idea about ways to use the app with Chrome cast. If you come across problems with your Chromecast, then your very best plan of action is to execute a complete factory reset and start afresh. Possessing content playing if you make the zoom setting change is likely to make the difference in zoom levels a great deal more obvious. There’s no difference the moment it comes to extending your desktop.

How to Find How to Connect to Chromecast on the Web

As soon as you are signed in, you can utilize Chromecast using LimeVPN. Before you are able to commence using your Chromecast, you will need to connect it to the Wi-Fi network in your house. The Chromecast is already affordable, but nonetheless, it also appears to be the system that keeps on giving. Chromecast has to be connected to the very same Wi-Fi network for you to be in a position to cast content to your TV screen. There are two methods to use the Chromecast. Now that Chromecast can be used with iOS devices too, you may use your iPhone or iPad to set up and deal with the dongle if you want. Google’s Chromecast is among the simplest, cheapest methods to stream just about anything on your TV.

The Importance of How to Connect to Chromecast

If you don’t have a TV with Wi-Fi connectivity, you can utilize IR technology to your benefit. As a way to determine exactly what media you may watch on your TV from the drive, ask your owner’s documentation or the company’s website. TVs and DVD players are made to fit industry standards so that it is possible to connect just about any device to another. You’re able to just apply your television. Internet-enabled televisions and Internet-connected Blu-ray DVD players can also supply the connection you require. Intelligent TVs are simple to spot. Connecting a TV and a DVD player created by the exact same manufacturer guarantees that your home-theater equipment will do the job together seamlessly.

Key Pieces of How to Connect to Chromecast

Some individuals, however, can’t afford to buy another monitor. A computer monitor works the exact same as a television monitor, whether it is a tube or LCD model. So any old computer monitor can readily be become a TV. You’re able to let Chromecast display your photos and respective classic parts of art, plus handy information like the weather and the present moment. Chromecast devices don’t have built-in VPN clients. As a result of its popularity and simplicity of use, many different devices have started accepting USB drives.

Dicionário de expressões mexicanas

cartaz de campanha contra a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade, Cidade do México.

 

Você vai para o México? As expressões mexicanas são muitas e frequentes! Para viajar, não é preciso ser fluente na língua, mas entender algumas das gírias vai ajudar a se comunicar melhor 🙂

 

“No mames, guey, la neta que ya estoy hasta la madre con ese pinche cabrón”

 

E aí, entendeu?

 

Essa expressão, perfeitamente compreensiva em espanhol mexicano, pode ser um desafio de tradução até para os fluentes em espanhol em outros países. Abaixo, fiz um dicionário das expressões mexicanas que eu mais ouvi quando estava por lá, divirta-se!

 

Quer adicionar um significado a alguma expressão que coloquei aqui? Conhece outras palavras e expressões mexicanas que estão faltando ao dicionário? Dê sua contribuição nos comentários 🙂

 

Chido – legal; massa; cool

 

Padre – muito legal

 

Padrisimo – muito, muito legal!

 

Esa madre – “essa merdinha”, “essa porcaria”

 

Está de poca madre – “está muito bom”; “está genial”; “é ótimo”

 

Desmadre – confusão, bagunça

 

Estoy hasta la madre – estou até aqui… (logo antes da “gota d’água”)

 

(note que “padre”, pai, é usado em expressões positivas e “madre”, mãe, é usada em expressões negativas, exceto em “poca madre” que significa, literalmente, “pouca mãe”)

 

padrisima

 

Chavo/chava – menino/menina. Lembra do Chaves? Em espanhol ele chama “El Chavo del 8”, o que significa que ele era o menino que morava na casa número 8 da vila

 

Cuate – Companheiro, amigo próximo. Geralmente, “cuates” são aqueles seus amigos da época da escola ou da faculdade

 

Güey/Wey – Véi/cara/mano. Pode ser usado mil vezes em uma mesma frase: “Güey, que haces, güey?” “Güey, no sabes, güey, consegui un trabajo nuevo, güey”

 

Te hagas el güey – “Dê uma de João-Sem-Braço”, se fazer de idiota, de quem não sabe as regras.

 

Pinche – o significado original da palavra é “ajudante de cozinha”. Mas, no México, a expressão é usada como aumentador de insulto, como o “fucking” em inglês. Não temos um equivalente em português, mas eu traduzo por “maldito”. Ex: “Pinches gringos” – “malditos gringos”; “esa pinche madre que no sirve para nada” “essa maldita merda que não serve pra nada”; “ese guey es un pinche cabrón” – “esse cara é um maldito safado”.

 

No mames – não me engane; “cê tá me zoando”. O verbo “mamar” significa “mamar” em português também, seja no peito da mãe quanto mamar todas, chapar, ficar muito bêbado.

 

No manches – versão “educada” de “no mames”

 

no mames

 

Cabrón – pode ter mil significados. Refere-se a alguém ou alguma coisa. Eu traduzo como “foda”

 

Ser cabrón – pode ser algo positivo ou negativo, pode traduzir-se como “ser foda”, que também pode ser positivo ou negativo. “Eu sou foda”, “ele é foda”, pode significar que você é muito bom em algo, mas também que é muito difícil de lidar. O mesmo se aplica para “cabrón”

 

Estar cabrón – pode ser algo que está difícil, mas também é empregado quando algo é muito bom. De novo, é como a expressão “está foda”

 

cabron

 

¿Qué onda? – “E aí, como você está?”; “O que está acontecendo?”

 

Pedo – pum”, peido.

Em uma sociedade que consome muito feijão, rs, o pum é algo que tem bem mais destaque na cultura e aparece bastante como expressão (é como percebi nesses 6 meses que passei lá). Um “pedo” pode ser um “pum”, mas também pode ser qualquer coisa, tipo o “trem” mineiro, mas um “trem” com uma conotação levemente negativa.

 

Qué pedo – Que merda, que coisa. “No sé que pedo le pasó, pero está triste” – “Não sei o que foi aconteceu, mas ele ficou triste”. Também pode ser usado informalmente como um substituto do “¿qué onda?”

 

Ahorita – “daqui a pouco”. Pode significar em alguns segundos, alguns minutos, algumas horas ou… alguns dias.

 

A chico rato – é o “ahorita” no passado. pode significar há poucos minutos, há poucos dias, há poucos anos…

 

meme chigues neta

 

Chingar – palavra com muitos significados (e variantes, como você vai ver abaixo). Primeiramente, significa “transar”, “fazer sexo”, “foder”, e também pode ser usada em contextos não sexuais da expressão “foder”. “Chingar” também pode ser usada como levar, roubar (“Me voy a chingar una o dos). E, dependendo de como é usada, pode significar ainda mais:

 

Un chingo de… – Um monte de…

 

Qué chingón – Que legal; que massa; que ótimo; que demais

 

La chingada – a puta. Significa primeiramente la Malinche / Malintzin, a namorada indígena de Cortéz que aprendeu espanhol e serviu como intérprete para os conquistadores e, por isso, frequentemente odiada pelos mexicanos.

 

Qué chingada / qué chingadera – Que merda; que azar; que confusão.

 

Hijo de la chingada – Filho da puta

 

orale

 

Andale – literalmente, significa “vamos!”, mas pode ser usado como interjeição de surpresa: “olha só!” ou concordância: entendi, aham, sim. Depende do contexto.

 

Orale – pode ser usado como o “andale”. O uso de “orale” e “andale” varia de região para região no México, sendo que o “andale” é mais usado no norte e o “orale” mais usado no sul

 

A poco – “é sério?”; “Olha só…”

 

La neta – a verdade. Pode ser usado apenas “neta”. Ex: “¿Neta que ya te vas?” – “Sério que você já vai?”

 

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Ni modo – de jeito nenhum, de maneira alguma

 

A huevo – dois significados: 1: estou falando a verdade; é isso aí 2: fazer algo com coragem; “com os ovos” (ai, esse machismo mexicano…)

 

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Quer adicionar um significado a alguma expressão que coloquei aqui? Conhece outras palavras e expressões mexicanas que estão faltando ao dicionário? Dê sua contribuição nos comentários 🙂

 

Hospede-se na Cidade do México

Opções na Roma/Condesa

Pra mim, o melhor bairro pra se hospedar: perto do metrô, do metrobus (BRT) e de diversos bares e restaurantes

Hostel 333 – o hostel onde trabalhei na Cidade do México. Excelente localização, preços baixos, festas no terraço.

Hostel Home – hostel parceiro do Hostel 333 – mais calmo e com excelente wifi, hehe.

Hostel Condesa

 

Opções no Centro Histórico:
Hostel Mundo Joven

Mexico City Hostel

Anys Hostal

 

Opções na Zona Rosa e Colónia Juarez

La Tercia

Hostel Inn Zona Rosa

Hotel Casa Gonzalez

Puebla: Barroco Mexicano e ruínas aztecas impressionantes

A Gabriela Pires é uma grande amiga minha e foi ela a maior influenciadora da minha ida ao México no ano passado. Ela é arquiteta e uma cozinheira de mão cheia, então pode confiar nas dicas de comidas e também nos passeios arquitetônicos!

 

Gabi morou na Cidade do México por um ano e foi a Puebla diversas vezes – é pertinho, a viagem de ônibus dura 1h, saindo do Terminal de Autobuses del Poniente (TAPO), metrô San Lázaro na Cidade do México.

 

O email de viagem abaixo foi enviado pela Gabi pra mim quando eu fui à Puebla, em março de 2015. Segui a maioria das dicas e me diverti muito andando pelas ruas com a paisagem salpicada de igrejas – e comi muito bem também.

 

Espero que este post ajude na sua viagem como ajudou na minha!

 

Puebla

por Gabriela Pires

Você vai ver que Puebla é uma cidade de uma arquitetura linda!!! Os prédios são muito diferentes de outras partes do méxico e muitos revestidos de azulejos pintados (a famosa cerâmica talavera).

 

Impredível em Puebla:

– Biblioteca Palafoxiana

Dizem que é a primeira bilbioteca da América Latina e tem umas estantes de madeira entalhada cada uma diferente da outra. É muito maravilhoso!

 

– Museu Amparo

É um museu que tem um acervo fixo de móveis e objetos do século 19/20 e uma outra parte com exposição de arte contemporânea. É um projeto novo de requalificação de um edifício antigo que é muito bom. A melhor parte é o terraço que dá pra ter uma vista das cupulas das igrejas de Puebla.

 

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Capela do Rosário, o maior e melhor exemplo do Barroco Mexicano. Muito ouro!

 

– Igreja de Santo Domingo e Capela do Rosário

Acho que é a igreja mais bonita que eu já entrei na minha vida.

É maravilhoso o tipo de entalhe que eles fazem na madeira, o chamado barroco indígena com motivos de natureza, sem contar que é TUDO coberto de muito ouro.

 

– Los Sapos

É um mercado de antiguidades de rua. Na verdade é uma zona que tem muitos antiquarios e que nos finais de semana eles colocam as coisas pra fora. É bem legal e as vezes voce pode encontrar coisas bonitas (aquele broche bordado a mão eu comprei lá)

 

– Mirante

Fica na parte “alta da cidade”. Falaram com a gente que tinha que ir de taxi pq era longe mas nem é.

É uma caminhadinha, mas nada muito além do que a gente tá acostumada. Enfim, mas é tipo um parque com o forte da famosa “batalha de Puebla” … é um projeto bem legal também e tem o plus de ver a cidade quase toda lá de cima.

 

Cholula-Puebla-eusouatoa

Ruínas de Cholula, com a igreja encarapitada lá no alto. Toda essa “montanha” na verdade é uma pirâmide tomada pela terra e mato!!

Cholula

É a cidadezinha do lado e onde tem a famosa igreja das fotos que dá pra ver os vulcões. Você vai de microonibus desde Puebla e demora uns 30min.

 

Cholula é passeio de 1 dia, mas se você quiser pode ficar em lá, porque o fervo de Puebla foi todo transferido pro povoado nos finais de semana.

 

Acho que nessa época vai tá otimo pq o clima tá seco, mas a dica é ir num dia de céu claro e sem nuvens pra conseguir ver os vulcões.

 

Uma igreja foi construida em cima das ruinas de um conjunto arqueológico e é possível entrar dentro da pirâmide e percorrer as galerias subterraneas. Em Cholula também tem vários conventos e igrejas de 1600 … é uma coisa de louco pensar que elas foram contruidas nessa época.

 

Indias-Vestidas-Puebla-eusouatoa

Índias vestidas, prato feito com flor de abóbora recheada e empanada. INCRÍVEL.

Pra comer:

 

– Cemitas: é um sanduiche gigante e tipico de Puebla. É tipo um sanduiche de milanesa muito muito bom. Vende em diversas barraquinhas de rua.

 

– Entre Tierras: é um restaurante meio chique mas acredite … maravilhoso.

É lá quem tem a tal das “índias vestidas” (flor de abóbora recheada de queijo e empanada, foto acima) e um mole poblano maravilhoso (que inclusive dá pra vc dividir se for com mais alguem). Eles servem pãezinhos quentinhos deliciosos de antepasto.

 

– Maiz Prieto: é um bar/restaurante descolado.

Fica ali do lado do Zocalo em uma casa que tem um monte de outros bares errados… então você tem que passar direto por eles e subir as escadas correndo.

 

Uma vez que você sobe as escadas difícil sair pq tem otimos drinks e a comida é muito boa. Prove as tostadas de camarão com chicaron e também uns bolinhos de banana verde frito.

 

Acho que é isso! Se eu lembrar de mais coisa eu te mando!

 

De qualquer maneira, ande muito, entre nas igrejas e aproveite.

 


 

Ei, leitor, quer publicar um email com dicas de viagem aqui no blog? Encaminha pra mim: livia.aguiar@gmail.com

 

Reserve um lugar bacana em Puebla:

Hostal Casona Poblana – foi onde fiquei em Puebla: tudo muito limpinho, tem cozinha e um terraço grande.

Outros hostels

Mais hoteis no centro de Puebla

Hospede-se em Cholula, reserve já:

Hostal de San Pedro

Outros hoteis em Cholula

 

 

Mercado de Sonora: tudo para o bruxo moderno mexicano

“Al mercado de Sonora no les conviene ir”, já alertou Nacho Vegas em sua canção “Mercado de Sonora (la zona sucia)”.

 

Essa foi a primeira referência que eu tive do mercado: um lugar para a bruxaria e feitiçaria mexicana que não era bem visto por todos.

Essa recomendação me fez querer conhecer o mercado logo!

 

Fui pra região de metrô (estação La Merced) e saí perguntando como chegar ao Mercado de Sonora. A primeira vendedora que abordei me disse que não conhecia o lugar. Disse isso como se falasse “eu conheço sim, mas não é lugar pra mim e você também não devia ir!” – a determinação pra achar esse mercado ficou ainda maior.

 

E não foi difícil: dois pedidos de informação depois, eu estava lá na porta. Do lado de fora, parece um mercado mexicano normal: um galpão coberto com espaço de estacionamento e barraquinhas do lado de dentro.

 

Ao entrar, fica evidente que o Mercado de Sonora não é como outros da capital mexicana.

 

Dei de cara com vários animais enjaulados.

 

Alguns estavam sendo vendidos para virarem animais de estimação, mas outros… quem compra bodes e galinhas pretas pra criar em casa? Suspeito que é tudo pra sacrifício de macumbas. Tinha também sapos mágicos – ??????????

 

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Passei rápido por essa seção, que inclui a venda de aves raras e ovos de animais ameaçados de extinção – seriam reais ou mercadoria falsa? Não quis nem saber.

 

Cheguei à seção de ervas para chás, banhos e benzeções com poderes mágicos. Tinha de tudo para fazer mandingas.

 

 

mercado-de-sonora-mandingas

Os sabonetes são os meus preferidos!

 

Também vi muitas conchas, pedras, grãos, incensos e colares de contas que se parecem com guias de candomblé.

 

É que muitas das coisas à venda aqui serão usadas em rituais da santeria trazida até aqui pelos cubanos. A santeria tem a mesma origem africana que o candomblé, por isso eu também vi estátuas de orixás bastante familiares.

 

mercado-de-sonora-conchas-e-pedras

 

 

Rituais de santeria cubana é oferecida junto a anúncios de benzeções (em espanhol “limpias”) e “trabajos” para o bem e para o mal. Sim, “malefícios” estão anunciados pelos corredores do mercado.

 

Esses rituais afro-católicos também se misturam com o culto à Santa Morte, a santa que aceita a todos, inclusive assassinos, ladrões, sequestradores, narcotraficantes… Ela é representada por uma caveira vestida de Santa Maria, como essa abaixo:

 

mercado-de-sonora-santa-muerte-orixas

 

Note que atrás tem várias ervas relacionadas a orishas bem parecidos com os nossos brasileiros, aguardente de cana, caveiras, velas e outros símbolos.

 

Além de bruxarias, o Mercado de Sonora também tem artigos para maquiagem (com muito glitter), fantasias para festas e profissionais e máscaras de lucha libre!

 

A parte de comidas tem banquinhas servindo almoços tradicionais, pequenas comidas de rua para lanchar rápido e sucos de diversos tipos.

 

Visite o Mercado de Sonora:

Avenida Fray Servando Teresa de Mier 419, metro Merced.

Aberto de 10h às 19h.

 

12 razões para viajar para Oaxaca

 

Agora, no Dia dos Mortos ou assim que der um tempinho extra: você tem que viajar para Oaxaca!

 

– Em primeiro lugar, saiba pronunciar: o X de Oaxaca tem som de rr. Então a cidade (e o estado) se chamam “oarraca” –

 

Oaxaca de Juárez é a capital do estado de Oaxaca, no México. Embora seja uma cidade relativamente grande (3 milhões de habitantes!!), o centro histórico é pequeno, bem preservado e muito fácil e gostoso de percorrer à pé. Sendo turista, você só vai precisar sair desse universo paralelo (rs) pra ir pra povoados perto, ruínas e outras atrações que o ônibus ou uma van vão te levar, rs.

 

Se puder evitar, não pegue nenhum tour, tente fazer o máximo de passeios independentemente!

Minha experiência com tour contratado não foi boa: muito corrido, levaram a gente pra comer num lugar ruim e não tinha nada em volta como outra opção, a destilaria de mezcal era de má qualidade e a família que estava fazendo a demonstração de tecelagem não sabia explicar nada, parecia que queriam só vender.

Melhor ir você mesmo pra cada uma das atrações, com ônibus de linha normal ou com van de turismo (mas sem tour, sem hora pra ir embora, sem “indicação” de onde comer).

 

 

Pronto, agora já podemos prosseguir com doze das milhares de razões para viajar pra Oaxaca! Se estiver indo pro México, considere fortemente incluí-la no roteiro.

 

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1- é a capital gastronômica do México

Mole negro (molho tradicional feito com pimentas e chocolate – pã), tamales oaxaqueños (“pamonhas” salgadas enroladas em folha de bananeira para conservar a umidade e deliciosidade), tlayudas (tortilhas gigantes e crocantes recheadas de carne com banha de porco. Juro, é maravilhoso), chapulines (grilos fritos), sopa de pedra… várias comidas maravilhosas que você encontra pelo México vêm de Oaxaca ou foram aperfeiçoadas em Oaxaca. Nada melhor do que provar os pratos no seu lugar típico, né? Prepare-se pra comer MUITO e se deliciar!

 

O prato da foto é o delicioso frango com mole negro do restaurante Tierra Antigua, em Teotitlán del Valle, a poucos minutos de Oaxaca. Ele é administrado pela chef Carina, uma das membros do grupo de cozinheiras tradicionais de Oaxaca. O mole negro foi preparado da maneira tradicional, demorou 2 dias para a pasta ficar pronta + o dia do almoço, quando o ensopado foi preparado. INCRÍVEL!

 

Recomendo SUPER este lugar! Tierra Antigua é <3 Melhor comida tradicional mexicana que já provei e ainda foi a um preço muito muito acessível! A única dificuldade é chegar a Teotitlán del Valle – existem micro-onibus de linha que vão até lá e dá pra ir de taxi também. Quando fomos, durante o Dia dos Mortos, juntamos um grupo de brasileiros visitando Oaxaca e alugamos uma van (éramos 16 pessoas).

 

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2- está perto de comunidades indígenas produtoras de lindos artesanatos

Cada povoado é especializado em um tipo de trabalho: tecelagem com fios coloridos com tintas naturais (Teotilán Del Valle), cerâmicas super trabalhadas em barro negro (San Bartolo Coyotepec) e alebrijes, esculturas em madeira de animais meio reais, meio mitológicos, coloridos com tons neon (San Martín Tilcajete). Dá pra comprar tudo em Oaxaca mesmo, mas visitar os povoados e bater papo com os artesãos é muito interessante!

 

Este da foto acima é o Pedro, de uma família zapoteca de Teotilán del Valle. A mulher dele é a dona do Tierra Antigua. Enquanto a chef Carina, sua sogra e sua filha cozinham no restaurante, Pedro e outros membros da família são responsáveis pelo tingimento de lã para a produção dos tapetes tradicionais da região. Ele falou com a gente em zapoteco em um momento da demonstração do trabalho dele, foi bastante interessante ouvir a língua – deu pra entender porque o sotaque oaxaquenho é como é.

 

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3- possui belas ruínas no topo de uma montanha

Monte Albán é uma antiga cidade precolombiana em ruínas localizada a apenas 30 minutos de Oaxaca. A galera zapoteca précolombiana que povoou o local aplainou o cume do monte para instalar sua cidade ali. Seu auge foi entre 500 A. C. e 800 d.C., ou seja: são quase tão antigas quanto várias ruínas romanas na Itália. os edifícios são interessantes, o museu explicando tudo é satisfatório e a vista que se tem lá do alto, tanto do lado da cidade quanto do lado da natureza selvagem, é de tirar o fôlego.

 

Dá pra ir pra Monte Albán de transporte público ou pegar uma van barata até lá.

Outras ruínas importantes da região ficam em Mitla, mas não achei tão legais quanto Monte Albán.

 

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4- é a capital de um estado com muita influência indígena

Na culinária, na preparação das bebidas (mezcal, por exemplo) na arquitetura, no artesanato e também, é claro, nas feições e no sotaque das pessoas, a presença indígena é fortíssima em Oaxaca.

 

O estado tem maioria de origem zapoteca e mixteca (duas etnias cujas línguas são completamente diferentes) e o Museo de las Culturas de Oaxaca é um lugar de visita quase obrigatória. Ali, você vê desde artefatos encontrados em Monte Albán quanto toda a história cultural do estado até os dias atuais. Confesso que fiquei meio cansada depois que os espanhois chegaram, os prehispânicos eram mais legais!

 

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Alías, o museu em si é um exemplo da história mexicana! Era um convento que foi desapropriado da igreja durante a Revolução Mexicana e serviu de quartel e prisão até que ficou desativado e virou museu e jardim botânico (com lindas espécies de cactus da região).

 

Não sem razão, Oaxaca e Chiapas são os estados mais indígenas e também que mais protestam frente aos abusos do governo central mexicano. Viva la resistência!

 

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5- tem uma tradição artística (principlamente de gravura) que segue forte até os dias de hoje

Existem três universidades de artes e diversos ateliers de artistas que vivem em Oaxaca (mexicanos e estrangeiros). Com agradável surpresa, percebi que muitos deles eram gravuristas!

Os museus de Oaxaca são bons e têm museografia moderna e interessante. Para ver a boa mescla entre o velho e o novo, não deixe de conhecer o Museo Textil (foto acima) e o Centro Cultural San Pablo (foto de uma das galerias abaixo).

 

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O Centro Cultural, aliás, compreende a primeira igreja e o primeiro convento de Oaxaca, restaurados e modernizados onde não conseguiram restaurar, uma rua fechada sempre cheia de atividades, um outro museu do outro lado da “rua” (na foto acima) e um restaurante. Foi lá que eu vi uma oficina de gravura temporária muito legal, onde fiz minha primeira (e única) gravura em linóleo. Olha ela aqui:

 

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Fiz uma flor de cempasúchil, a flor típica do Dia dos Mortos, também conhecida como calêndula mexicana 🙂 Eu adoro essa flor por causa da cor, do cheiro e da data especial que ela floresce! Aliás, estar em Oaxaca para o Dia dos Mortos foi uma das melhores coisas da viagem! Mais sobre a celebração aqui mais embiaxo no post 🙂

 

Recomendo também o Museo de Arte Contemporáneo de Oaxaca, além do Museo de Las Culturas, que já falei ali em cima.

 

 

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6- é a capital de um dos principais estados produtores de mezcal, o destilado feito com cactus

Tequila é um tipo de mezcal, mas é possível fazer a bebida com 36 espécies de cactus (o tequila é feito de agave azul). 32 dessas espécies crescem em Oaxaca, então prepare-se para degustar vários tipos de mezcal e provavelmente ficar muito louco! Fui à mais antiga mezcaleria de Oaxaca e expliquei melhor sobre a bebida e suas variedades nesse post aqui.

 

Esta mezcaleria da foto é a Piedra Lumbre, lugar bem longe da tourist track, mas super central e fácil de achar, que o Eber, meu amigo e anfitrião (via CouchSurfing) em Oaxaca me levou na minha última noite. Gente, é maravilhosa essa mezcaleria, e barata pra qualidade que ela oferece! Lá provei puntas de mezcal, que são a primeira extração do mezcal, a parte mais fina e alcoólica do bagulho. Geralmente as puntas são são 60% álcool, mas quando o mezcal é bom (caso desse na Piedra Lumbre), você nem sente! Era tão aromático, tão complexo. Uma bebida espetacular mesmo, pra degustar devagar (lembrem-se que é 60% álcool hahaha). Leia mais informações e acompanhe a Piedra Lumbre no facebook.

 

Foi por causa do Eber também que conheci a mezcaleria Tobalá, que também está nessa lista bem legal de bares para conhecer em Oaxaca. Dica: usem o couchsurfing e conheçam rolês locais saindo com os locais 😉

 

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7- é produtor de um dos melhores queijos do México (opinião minha!)

O queijo Oaxaca, que lá é conhecido apenas como “quesillo” é simplesmente maravilhoso: parece queijo muçarela de trança, daqueles que desfiam, mas, ao derreter, não fica borrachudo! Ele também tem menos sal e mais sabor que a muçarela. Ou seja: perfeito para rechear quesadillas, tacos, pizzas e o que mais a gente quiser. Fora de Oaxaca, o queijo de oaxaca não é tão bom, então se você gosta de queijo, coma muito dele enquanto estiver lá #dica.

 

Na foto, uma tlayuda, comida de rua que é uma tortilha gigante bezuntada de banha cozida de porco e recheada com muitooooo queijoooooo de Oaxaca. E é enorme, divida com alguém, guarde pra depois ou morra de tanto comer hahahaha

 

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8- tem chocolate quente e gelado artesanal tradicional

Em várias lojas, é possível ver a galera moendo os grãos de cacau com açúcar e canela na hora!

 

Essa da foto é a Casa Mayordomo, uma rede de chocolate artesanal de Oaxaca. Não é a melhor de todas, mas não achei loja de outras, só as barrinhas já prontas, aí não tenho foto 🙁 Na verdade, não achei que é um chocolate muito gostoso de comer assim, em barra, mas quando misturado no leite (ou água) quente… NHAM!

 

É muito bom pros dias frios, geralmente os vendedores têm um só com canela e outro com canela e amêndoas. E no calor eles têm uma versão de chocolate gelado, meio frapê! O bom de Oaxaca é que é seco, então de noite é friozinho e de dia pode fazer bastante calor – aí você vai poder provar dos dois tipos de chocolate em apenas um dia, hehe.

 

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9- é onde fica a padaria Boulenc

Aberta há pouco tempo por 3 jovens amigos (muito gatos, aliás) de Saltillo, norte do México, a Boulenc é uma padaria artesanal pequenininha e aconchegante, que produz pães de tradição alemã, francesa e mexicana.

 

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O espaço é bastante aberto e arejado, com apenas um balcão e um banquinho. Do balcão a gente vê os meninos (vi apenas uma menina e acho que ela não é do staff regular) em todos os processos de preparo dos pães: da esponja de fermento ao forno.

 

Durante o Dia dos Mortos, eles fizeram o melhor pan de muerto que já provei (e olha que eu fiz questão de experimentar muitos – até que eles desapareceram das padarias depois do feriado). Tudo lá é bom!

 

E essa xicrinha de cabeça de homenzinho foi desenhada pelo Juan Pablo, um dos donos da Boulenc, e levada para ser produzida nos ceramistas de Oaxaca! Amor.

 

Mais sobre a história da padaria (em espanhol). E sigam eles no instagram pra ficar passando vontade como eu.

 

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10- está à poucas horas da praia na costa Pacífico

Cancun e a Riviera Maya que me desculpem, mas nenhuma cor de azul substitui o espetáculo do sol morrendo no mar todos os dias!

 

Em apenas 6h de estrada serpenteante (que é meio que um inferno, mas dá pra parar em San José del Pacífico, no meio do caminho, pra dormir uma noite nas montanhas mágicas de lá – ou apenas descansar e tomar um café), você pode sair de Oaxaca e chegar em Mazunte, povoado hippie maravilhoso, onde a praia é limpa, as pessoas são agradáveis e tudo é muito barato. Leia mais sobre Mazunte nesse post.

 

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11- tem uma das festas de Dia dos Mortos mais tradicionais do México

Graças à sua herança indígena forte, Oaxaca ainda não foi dominada pela gringalização do Dia dos Mortos. Se você está querendo conhecer uma comemoração típica da data, nem pense em ficar na Cidade do México, onde as comemorações são tipo o Haloween. Pra ser turista feliz com festa no cemitério e gente fantasiada de caveira na rua, vá pra Oaxaca ou pra Pátzcuaro.

 

Eu recomendo Oaxaca porque é uma cidade interessante para além das festas, então dá pra ficar uns dias a mais antes ou depois pra aproveitar a cidade – e quem sabe escorregar pro mar depois?

A cidade se enche de altares, bandeirinhas, festa na rua e muita gente, muita gente mesmo. Reserve seu hotel antes pra não passar perrengue!

 

Fiz dois posts com muitas fotos sobre o Dia dos Mortos lá: aqui e aqui. Na foto acima, eu e a chef Carina, do restaurante Tierra Antigua. Eu amei esse restaurante, deu pra perceber, né? Você vai amar também, certeza 🙂

 

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12- tem pessoas de coração aberto super acolhedoras

Sabe aquele clima de cidade do interior onde todo mundo se cumprimenta e convida pra parar e tomar um café? Essa foi a minha sensação estando em Oaxaca. Fiz couchsurfing por lá (contei sobre a experiência aqui) e fui tão bem recebida pelo meu host Eber e seus amigos que depois de uns dias já era parte da turma!

 

Esse de cima é o Arturo, amigo do Eber, todo enroladinho no cobertor da mezcaleria Mezcaloteca. Aliás, tem atitude mais amor do que dar cobertores pros seus clientes?!

 

Te convenci?

Um estado tradicional, com comida maravilhosa e bebida destilada típica. Parece familiar?

Sim, Oaxaca é a Minas Gerais do México 😉 Só que com ruínas super antigas e uma costa maravilhosa do ladinho. Será que é melhor que Minas? Como brasileira e mineira, jamais poderia dizer isso, mas é uma disputa acirrada!

 

 

Hospede-se em Oaxaca:

Hostel Azul Cielo

Posada del Xochitl

Hostel Cielo Rojo

Hotel Nacional

Parador San Fernando

13 dicas práticas de segurança em viagens

A gente é brasileiro, acostumado a andar sempre cuidando dos nossos bolsos e bolsas, certo? Certo.

 

De fato, viver em estado de constante alerta no dia-a-dia brazuca já ajuda demais na hora de viajar em segurança, mas ainda sim é preciso ter  um cuidado quando estamos em outro lugar (dentro do Brasil e fora) que não conhecemos as regras, os costumes, as esquinas seguras ou perigosas, enfim: as histórias de final triste que fazem parte do dia-a-dia dos locais.

 

– pausa para lamentar que a gente tenha que viver nesse estado de sítio aqui no Brasil, sempre alerta! Um saco, viu?? – 

 

Abaixo, listei algumas dicas para tentar prevenir qualquer problema e sentir mais segurança em viagens internacionais e nacionais! São 13, mas juro que não foi devido a nenhuma superstição!

 

1 – Fique de olho nas suas coisas

Óbvio, né? Cuidar para não deixar documentos/celular/outros itens importantes no bolso, na bolsa aberta, na parte de fora da mochila, em cima da mesa do lado do corredor. Se estiver em um restaurante/bar/café, leve sempre sua bolsa com você ou sob a guarda de alguém que for ficar sentado na sua mesa (e não for distraído).

 

Ao viajar, sempre coloco meu dinheiro, cartões, passaporte e celular dentro da minha doleira (bolsinha pequena feita pra usar por dentro da calça). Não importa se fica feio: prefiro estar segura a estar gata 😉

 

2 – Tenha (e use!) um cadeado

Quando for ficar em um hostel (reserve sua hospedagem pelo Booking!), pergunte qual é a maneira mais segura de guardar seus pertences mais importantes (passaporte, dinheiro, cartões, computador, câmera, etc). Muitos deles oferecem lockers (escaninhos) fechados a cadeado. Eu prefiro ter o meu próprio cadeado, (com chave e não combinação de números!) pra ter certeza que só eu tenho a chave #paranoia.

 

3 – Cuidado com seu dinheiro

Não dê bobeira com uma grande quantidade de dinheiro. Como o saque de mais grana por vez compensa mais do que sacar de pouco a pouco, o que faço é ir ao caixa eletrônico com minha doleira, saco a quantidade que vou precisar no próximo período da viagem e volto direto pra casa/hostel, onde guardarei o dinheiro num locker com meu próprio cadeado. Quando estou de couchsurfing ou em algum lugar onde não me sinto 100% segura, ando pra cima e pra baixo com a doleira por dentro da roupa mesmo. Sobre os cartões: sempre tenho um na carteira e outro, de emergências, na doleira!

 

4 – Converse com os locais e informe-se

Saiba se o lugar pra onde você vai é seguro e quais são os caminhos mais seguros para chegar até ele.

Geralmente, o pessoal na recepção do seu hostel/hotel/camping ou host do couchsurfing vai saber te informar isso. Na dúvida ou falta de informações, pergunte numa comunidade local do CouchSurfing ou similar para conversar com gente de lá.

 

5 – Saiba por onde vai

Para não se perder totalmente na saída do metrô, pegar o ônibus correto ou não deixar o motorista do taxi te enganar dando voltas intermináveis pra te cobrar mais pela corrida. É bom ter as informações de como chegar num papel, pra não precisar tirar o celular toda hora – vamos diminuir as chances de sermos roubados ou de esquecermos nossos pertences por aí, né?

 

Não gosto de pegar taxis, mas quando uso o serviço, geralmente anoto as avenidas importantes pelas quais o carro tem que passar num papelzinho e vou conferindo se o taxista tá indo certo.

 

6 – Não acredite em tudo que te disserem

Pra usar um termo jornalístico: saiba quem são suas fontes! Ao pedir uma informação na rua, você pode topar com gente que quer te enganar, simples assim.

 

Uma vez em Nova Delhi, fui comprar bilhetes de trem na estação ferroviária da cidade. Do lado de fora, um homem veio me procurar dizendo que o escritório de vendas para estrangeiros estava fechado e que ele podia me levar onde ainda estavam vendendo, bastava eu pegar um tuc-tuc com ele e… NÃO, NÉ. TRUQUE ALLERT Agradeci e caminhei até o escritório de vendas – que estava abertíssimo e sem muita fila, por sinal.

 

Fora essas tentativas de engano puras e simples, também é preciso avaliar a pessoa que está te dando a informação. Se você conversar com uma pessoa que é super medrosa – uma avozinha que nunca sai de casa, por exemplo – vai acabar achando que o lugar onde está é uma filial do inferno e ficar com medo de tudo. O mesmo vale se você encontrar alguém super despreocupado com tudo, aí você pode relaxar até demais. Na dúvida, pergunte pra mais pessoas e tire suas conclusões.

 

7 – À noite e em lugares com menos gente, cuidado redobrado

Não é preciso listar os problemas de encontrar-se em um lugar ermo com pessoas mal intencionadas, certo?

No caso de viagem para um lugar deserto, além do óbvio cuidado com o roteiro do passeio, avise os amigos sobre seu paradeiro e combine de dar sinal de vida quando chegar à civilização.

Agora, se você estiver voltando pra casa sozinho, evite ruas pouco movimentadas que possam ser perigosas! Dica: na dúvida pegue um taxi.

 

8 – O mesmo vale pra lugares cheios demais!

Multidões facilitam a ação de batedores de carteira. Tenha seus pertences ao seu alcance (e os valiosos sempre na doleira, sua amiga pra todas as horas).

 

9 – Modere no álcool e outras drogas

Seus sentidos ficam menos apurados nessas horas e é mais fácil ser furtado ou até mesmo sofrer uma violência (estupro sendo apenas uma das que podem acontecer). Além de economizar dinheiro e fazer menos dano pro seu corpo, moderar no consumo de substâncias alterantes previne que você perca o juízo e os cuidados consigo mesmo. Se a bebedeira é inevitável (rs), deixe a maioria dos cartões, dinheiro e celular em casa/no hostel, vá com amigos que você confia e saiba como você vai fazer pra voltar pra casa.

 

10 – Se não estiver gostando, vá embora, peça ajuda – e inclusive grite, se necessário

Estando no Brasil, a gente acaba por fazer programas que a gente não tá muito afim em nome da amizade e da boa convivência em família. Mas não é preciso fazer isso quando estamos em uma viagem. 

 

Não existem compromissos sociais e nada que você tem que fazer pra agradar os outros. Respeite as suas vontades (sem ser mal educado – quando der) e, se não estiver se sentindo confortável numa situação, não tem nada que te obrigue a ficar. E se alguém tá tentando te obrigar a ficar, mais um motivo pra juntar suas coisas e ir embora pra onde você se sente seguro.

 

Essa dica vale para caminhos ermos, companhias que de repente não parecem ser tão legais, festas estranhas com gente esquisita, lojistas que insistem demais, eventos muito cheios ou muito vazios, etc.

 

11 – Siga sua intuição

Ok, uma dica meio mística, mas que tem a ver com a de cima.

 

Quando a orelha tiver coçando te dizendo que algo tá errado, quando o estômago apertar, quando você não estiver se sentindo bem na situação, siga a dica #10 e saia dessa situação assim que possível. Você não precisa ter “razões racionais” (adoro essa expressão, rs) pra querer ir embora – e esse sexto sentido pode te livrar de algumas enrascadas.

O mesmo vale se você de repente ficar na dúvida se trancou o locker, se deixou a carteira em cima da mesa do restaurante, se é seguro deixar o celular carregando no dormitório compartilhado enquanto você vai tomar banho, etc. Na dúvida: cheque e leve com você.

 

12 – Invista em um seguro de viagens

Eu nunca viajo sem um. O seguro de viagem não serve só em caso de doença ou acidente, ainda que seja esta a primeira razão que nos faz contratar um. Ele pode te ajudar se você for roubado, acontecer alguma coisa com seus voos, se se acidentar e precisar voltar pra sua cidade se tratar, se alguém próximo da família morre (cruz credo) e você precisar voltar…

 

Este blog tem parceria com a Real Seguros, que compara os preços e condições das principais companhias do mercado de assistência para viagem, e com a World Nomads, o seguro que usei na volta ao mundo durante 9 meses em 2012. Recomendo super! Precisei usa-lo quando me acidentei de moto na Tailândia e o atendimento foi rápido e eficiente.

 

Se você comprar pelo link deste post ou outros links da Real Seguros e da  World Nomads pelo blog, além de contratar um serviço que realmente uso e recomendo, você também apoia o Eu sou à toa (ganho uma mini comissão toda vez que alguém chega até o seguro usando este link). <3

 

13 – Tenha sempre um plano B (e C, quem sabe um D…) 

Além do seguro, que já me deixa mais tranquila, é importante pensar no que fazer caso der alguma merda na viagem.

 

Eu sempre espalho meus cartões e dinheiro em pelo menos dois lugares (carteira e doleira), além de ter todos os números de assistência (do banco, do seguro, da minha mãe) escritos num caderno e guardados no email e de ter feito cópias dos cartões que os bancos deixaram eu fazer cópias, rs.

 

Fora isso, também deixo uma procuração no nome de alguém da família que eu confio (numa viagem foi minha irmã, na outra, meu pai – por questões de tempo disponível deles mesmo), pra eles poderem resolver perrengues burocráticos por mim no Brasil caso necessário. Meu pai fechou uma conta por mim no banco ano passado usando a procuração, por exemplo.

 

Outra paranoia minha, que me acompanha por todo lugar, é saber onde ficam as saídas de emergência. As que existem mesmo nos estabelecimentos e outros caminhos que eu poderia fazer caso precisasse sair correndo, ruas onde poderia pegar um taxi, o que tenho a mão que pode servir pra me proteger caso… É uma loucura particular, nunca nem precisei usar, mas pra mim é quase automático e dá uma paz do tipo “sei pra onde ir caso queira ir embora já”.

 

Ah, regra de ouro: nunca reaja  a um assalto – essa lição a gente aprende sem precisar sair da nossa cidade, né.

 

Fim das dicas!
Faltou alguma? Você tem uma regra particular que quer compartilhar? Deixe sua mensagem nos comentários 🙂

 

 

Por que comer grilos fritos e outras esquisitices em viagens

A foto acima é de um vendedor de insetos fritos em Bangcoc, na Tailândia.

 

Todo lugar do mundo tem as suas comidas típicas estranhas e todo mochileiro tem suas histórias de experimentações culinárias pouco ortodoxas.

 

Inclusive na Europa e Estados Unidos, onde muita gente espera encontrar só “comida normal”, eles têm lá suas esquisitices: queijo com larvas italiano, arenque fermentado na Dinamarca, cérebro de porco na Franca (veja uma lista que fiz no blog da Superinteressante sobre alimentos esquisitos no mundo).

 

Tendo viajado pro México e pro Sudeste Asiático, todo mundo me pergunta: você teve coragem de comer grilos fritos? 

Resposta: sim! E não é tão ruim, juro. Só tem um jeito de saber se a gente gosta ou não: experimentando (leia post com 15 lições que aprendi viajando).

 

Se eu fosse uma estrangeira chegando no Brasil, ia ficar olhando a farofa com desconfiança: parece ou não parece com areia?

Só que me desculpem os haters: farofa é uma das melhores comidas do Brasil! Put some farofa in everything, já recomendou Gregório Duduvier.

 

Se um gringo vem pro Brasil e não come farofa, ele perdeu metade da experiência gastronômica brasileira, concorda? É o mesmo de ir pra qualquer país e se recusar a comer o que as pessoas de lá servem à mesa porque deu nojo ou você acha que não vai gostar.

 

Acha que vai ser uma experiência ruim? Experimenta e depois não repete.

 

Comer pratos típicos faz parte da viagem. Pra mim, não é viajar se eu não comi nada diferente do que tem na minha casa. Gosto de – e recomendo! – ir a supermercados e mercados locais pra ver o que as pessoas põem no carrinho de compras, quais são as marcas preferidas, variedades de uma mesma coisa e ingredientes mais comuns.

 

É diferente quando temos alguma dieta especial, claro. Alérgicos a pimenta, celíacos, intolerantes à lactose e outras restrições, assim como ser vegetariano, vegano ou crudívoro limitam um pouco essa “sijogância” nas comidas, mas ainda sim é possível viver altas aventuras!

 

No México, por exemplo, dica vegetariana: não deixem de provar o maravilhoso nopal, uma espécie de cactus. Quando cortado, ele libera uma baba que nem quiabo, mas é delicioso! Gosto bastante em saladas e sucos.

 

Muita gente deixa de experimentar quando vê aquela gosma dele – pai, perdoai, eles não sabem o que fazem!

 

Mas voltando aos grilos:

Entre experimentar uma farofazinha, nopalzinho ou  pela primeira vez e comer grilos fritos é outro nível de experimentação e aventura. Mas encarei com coragem. Meu primeiro inseto foi um daqueles grilos grandes, que até me “atacou” com as garrinhas das perninhas.

 

Abaixo, veja o vídeo que fiz quando comi insetos pela primeira vez, na Tailândia:

 

Como eu disse no vídeo, parece pipoca. E é isso mesmo: algo crocante, salgado (e, no caso, apimentado).

 

Na verdade, comer insetos não é novidade nem pra quem nunca saiu do Brasil, mas já foi pro interior: minha mãe lembra de comer farofa de formiga tanajura na infância (“crocante”, disse ela), norte de Minas Gerais!

 

Não é o tipo de comida que eu compro no mercado, mas pra experimentar e fazer uma zoeira, não doi nada. Aliás, entre os insetos fritos, meus preferidos são as larvas, que são crocantes por fora e macias por dentro, tipo uma batata frita gorda.

 

No México os insetos também são populares: são os famosos chapulines (O Chapolim Colorado!), que podem ser normais ou “colorados” (vermelhinhos).

 

Os grilinhos mexicanos são comidos em vários lugares, mas especialmente no estado de Oaxaca – eles são temperados com pimenta, limão e sal, como tudo no México. As variações são pela espécie, tamanho, cor e estado de conservação (o mais barato é comprar o farelinho de inseto quebradinho). Come-se como se fosse amendoim, quando a galera tá tomando cerveja ou mezcal no bar, ou então em pratos rápidos, como quesadillas ou tacos.

 

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Chapulines (grilos fritos) em vários tamanhos e tipos no mercado de Oaxaca, México.

 

Outro inseto consumido por lá são os vermes parasitas do agave (cactus), comuns dentro de garrafas de mezcal e tequila. Dizem que comer o famoso “gusano” junto com a bebida deixa as pessoas mais loucas! Parece uma minhoquinha mesmo e não acho nada de mais. Já os “escamotes”, ovos de formiga, são deliciosos (e caros!). Eles vêm servidos como se fosse uma pastinha, nem parece ovo.

 

Na Tailândia, os insetos são tipo “comida pra viagem”: você compra um saquinho deles pra beliscar durante um trajeto de ônibus, barco ou caminhada.

 

Nos lugares turísticos, os insetos costumam ser ruins, meio rançosos de gordura velha, sabe? O melhor é experimentá-los em alguma barraquinha que você ver tailandeses comprando também. Aliás, essa dica de comer em locais onde os nativos comem vale para tudo: sendo comida estranha ou não! Eles que sabem onde é bom, né?

 

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Tiozinho da barraquinha de insetos em Ayutthaya, Tailândia. As larvas são a terceira da esquerda pra direita. Hmmmm! hahahaha Fumar e vender comida: a Anvisa não chegou por lá!

A segurança alimentar é a real preocupação na hora de comer!

Verificar se os alimentos estão bem armazenados e são frescos, se a preparação é feita com cuidado, se o ambiente é limpo. Isso sim faz diferença entre o piriri e a viagem tranquila.

 

E se ambiente for limpo e der pra experimentar algum prato diferente, estranho ou não, entro na fila imediatamente!

 

O pior que pode acontecer se você experimentar é não gostar da comida. Por isso, sempre comece provando um pouquinho só.

 

Publiquei o vídeo comendo insetos pela primeira vez neste post, em 2012.

Leia mais posts sobre a Tailândia. E mais posts sobre o México também 🙂

 

Lucha libre mexicana: espetáculo fake divertidíssimo

Não vá esperando grandes técnicas de MMA. Não vá esperando um confronto justo. Não vá esperando sangue, riscos ou fraturas reais. A lucha libre é um teatro, e nem é um teatro muito bem ensaiado. Mas não deixa de ser um programa imperdível se você estiver na Cidade do México!

 

Os dois principais lugares para ver a lucha libre mexicana organizada pela CMLL (Consejo Mundial de Lucha Libre) na capital são a Arena México e a Arena Coliseo ambas em região central, sendo que na Arena México elas acontecem toda terça, sexta e domingo e na Arena Coliseo é todo sábado. As lutas começam à noite, só domingo que é mais cedo (5 da tarde), mas não é preciso chegar na hora: são realizadas de cinco a seis lutas por dia, você pode ir chegando tranquilo – mas não perca as últimas lutas, porque a qualidade dos luchadores e das coreografias vai aumentando até a “primera lucha”, a última, que é a mais esperada de todas!

 

Não é preciso comprar ingressos antes, geralmente as luchas não ficam completamente lotadas. Mas se você quiser garantir seu lugar, dá pra comprar pelo TicketMaster. Chegue na Arena e escolha seu lugar – quanto mais pra frente, mais caro (até 200 pesos) e maior a chance de um luchador cair em cima de você.

 

Os personagens da lucha libre se separam entre rudostécnicos, sendo que os “rudos” são os maus, sempre de preto, vermelho e atitude grosseira, e os “técnicos” são os bonzinhos, pelos quais a maioria das pessoas torcem. Não é sempre que os “técnicos” ganham, mas é uma tristeza geral quando isso não acontece.

 

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Cheguei à Arena México atrasada numa terça-feira (que é o dia mais barato, dica!!), já com a terceira luta começando. Uma luta entre mulheres tinha acabado de terminar (saco! Não queria ter perdido!). Mas logo depois começou outra, o negócio é rápido.

 

Entraram três rudos e três técnicos, sendo que o último técnico, time dos mocinhos, era um cara gordão, mais velho e que não usava máscara! Oi?

 

Descobri que tem espaço para todos na Lucha Libre: mulheres bonitas e feias, anões, homens magrinhos, gordões ou fortões: mas é preciso fazer bem o personagem!

 

A Arena parece mesmo um estádio de luta, tunado por propagandas em led: um ringue no meio, arquibancada por todos os lados, um corredor no meio pra entrarem lutadores de um lado e pra entrada do público do outro.

 

No fundo, atrás do corredor de entrada dos luchadores, um telão gigante que mostra os combates ao vivo, como em todo esporte. Legal é que eles adicionam efeitos nos replays dos vídeos, mexicanamente.

 

Entre uma luta e outra, mulheres gostosas aparecem mostrando o placar, anunciando os próximos lutadores e dando tchau depois da luta. Essa parte das gostosas me incomodou muito, mas me resignei que fazia parte da coisa toda. Os luchadores são apresentados pelo locutor com grande pompa e trilha sonora própria de cada um.

 

Na entrada dos “rudos” tocam músicas mais pesadas, tipo death metal mesmo, e na entrada dos “técnicos” vem um som triunfal, quase “Eye of the Tiger”. Acompanhados por gostosas vestidas de acordo com o tema de cada luchador, é claro. À medida que eles entram, a plateia vai à loucura, seja para exaltar, seja para esculachar os combatentes. Aí está o ouro da lucha libre mexicana: a arquibancada.

 

Mais importante do que saber quem ganhou ou quem perdeu, o objetivo da lucha libre é xingar os adversários. E torcer pelos mocinhos. Eu até diria que é mais importante xingar do que torcer.

 

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Fiquei com a impressão de que as pessoas passam a semana toda imaginando quais serão os xingamentos que eles vão usar na arena. Velhinhas de batom, todas arrumadas, esgoelam pedindo a morte do adversário “¡mátalo! ¡mátalo!”, velhinhos se esmeram nos xingamentos pontuais “a sopa era pra todas, gorducha!”, crianças gritam, pais batem palmas, é uma algazarra geral.

 

Momento solta-os-cachorros nacional de um povo que tem que engolir muito sapo no dia a dia. É tanta raiva jogada pra fora que fiquei pensando no que seria do México se a galera não pudesse ir na lucha libre pra extravasar.

 

Quando você for, querido leitor, entre na onda: xingue, grite, torça pelos seus favoritos também! Vai fazer com que a experiência seja bem mais divertida!

 

No começo, eu ficava muito concentrada em tentar entender o que estava acontecendo no ringue: não se preocupe tanto com isso. As lutas são ensaiadas, às vezes os “golpes” são mais falsos do que as briguinhas das novelas mexicanas, o legal é ver os luchadores voarem pelo ringue enquanto você está contagiado pela comoção geral da plateia.

 

As lutas são mais ou menos coreografadas – não sei quanto eles ensaiam antes da luta mesmo, mas o objetivo com certeza não é derrotar o outro adversário de verdade. O mais legal do espetáculo não é ver quem ganha ou quem perde, mas participar de toda a comoção junto com a plateia. Velhos, crianças, jovens, adultos: todo mundo está ali torcendo muito, jogando todos os cachorros pra fora, xingando (por tabela) os chefes, pais, cônjuges, filhos, vizinhos, todo mundo que eles querem xingar na vida real.

 

Vejam um trechinho da luta nesse vídeo que eu fiz.

 

Note os golpes toscos, os momentos de acrobacia de circo e o papel de papagaio de pirata que o juiz faz (não entendi o que ele faz ali, porque ele claramente não tem nenhum poder de decisão dentro do ringue).

 

Entre as arquibancadas, vendedores de tudo fazem o seu trabalho, sem se preocupar muito se estão tampando os espectadores, rs. Algodão doce, pipoca, amendoim, comidinhas já prontas, brinquedos piscantes, máscaras de lucha libre (caras!), apitos… enfim: tudo o que você precisa pra torcer animadamente, se a voz lhe faltar.

 

Ainda que seja tudo bem encenado, nem todas as lutas terminam bem. Há casos de luchadores que morreram no ringue, geralmente porque caíram de mau jeito ou receberam um golpe destrambelhado – ou azar mesmo, porque não é uma luta feita para machucar os performers. Mais sobre o caso do Perro Aguayo, o último luchador a morrer no ringue, aqui – em espanhol.

 

No final da luta que fui assistir – sem incidentes -, eu e meus amigos fomos ao “La Covadonga” para comer e beber. É uma cantina espanhola que fica pertinho da Arena México, a alguns quarteirões de caminhada agradável. Provei uma sopa fria de abacate com salmão defumado que é bastante gostosa!

 

Lucha Libre Mexicana – informações gerais

 

Arena México

Calle Dr. Lavista #189, Colónia Doctores, pertíssimo do metrô Cuauhtemóc (linha rosa).

Todas terças, sextas e domingos. Terças a partir das 19h30 (dia mais barato), sextas a partir das 20h30 (dia mais cheio, com as melhores lutas) e domingos a partir das 17h (domingos familiares <3)

 

Arena Coliseo

Calle República de Perú #77, Centro, perto de vários metrôs e do Zócalo (praça central).

Todos os sábados, às 19h30.

 

 

Hospede-se na Cidade do México

Opções na Roma/Condesa

Pra mim, o melhor bairro pra se hospedar: perto do metrô, do metrobus (BRT) e de diversos bares e restaurantes

Hostel 333 – o hostel onde trabalhei na Cidade do México. Excelente localização, preços baixos, festas no terraço.

Hostel Home – hostel parceiro do Hostel 333 – mais calmo e com excelente wifi, hehe.

Hostel Condesa

 

Opções no Centro Histórico:
Hostel Mundo Joven

Mexico City Hostel

Anys Hostal

 

Opções na Zona Rosa e Colónia Juarez

La Tercia

Hostel Inn Zona Rosa

Hotel Casa Gonzalez